segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Mão Amiga promove palestra em alusão a campanha Janeiro Branco


A campanha tem como objetivo chamar atenção das pessoas para a importância de cuidar da saúde mental.
Depois do sucesso de iniciativas como Outubro Rosa e Novembro Azul, profissionais da área da Psicologia e demais áreas da saúde abraçam a campanha Janeiro Branco, que tem como objetivo de chamar a atenção da população para a importância de cuidar da saúde mental. “Saúde mental é o equilíbrio emocional do indivíduo diante de um convívio saudável com os outros, dentro de um contexto sociocultural.  É o bem estar psíquico, sociocultural e físico. É mais do que ausência de transtornos psiquiátricos” afirma a psicóloga dra. Milena S. Mourão.
Em alusão a campanha, a Mão Amiga – instituição que trabalha em prol das pessoas com deficiência neuropsicomotora – realizará na terça-feira, (31/01) a palestra "Quem cuida da mente, cuida da vida", com a finalidade de conscientizar a população para uma saúde mental equilibrada.
A palestra será ministrada pela dra. Andrea Boto, nos horários da manhã (8h30) e à tarde (14h30), na sede da instituição. Ao final do encontro, haverá sorteio de brindes. Recomenda-se, caso seja possível, que as participantes da palestra possam vir com uma camiseta/blusa da cor branca.
O desequilíbrio emocional tem atingido pessoas de diferentes classes diferentes, em suas respectivas realidades. Rute Ferreira, por exemplo, mora no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, e tem cinco filhos. Um deles, Jackson Ferreira, de 9 anos, tem autismo, e é atendido pela Mão Amiga. Ela relata que, assim como em muitas famílias, existem tribulações no dia a dia que vão comprometendo a sua saúde mental.
“Descobri que meu filho tinha autismo com 4 anos. Meu mundo ‘se abriu’, comecei a chorar por que pensei que era uma doença grave. Não entendia esse problema. É difícil aceitar (a doença) por que pra gente é teimosia. A gente manda e ele não faz”, disse Rute. Atualmente separada, vive de aluguel, trabalha, cuida da sua mãe de 73 anos, e de mais quatro filhos. A rotina dela é bem cheia, o que pode contribuir para um desequilíbrio emocional.
“É importante a parceria da família no tratamento do familiar em desequilíbrio emocional, pois contribui no processo terapêutico, principalmente nas crianças”, disse a psicóloga Milena S. Mourão. Apenas à noite, ao se deitar, é que Rute Ferreira encontra descanso para a agitação do dia. “Em casa me deito, choro, amanheço e vivo de novo. Nem cuido da minha saúde mental, nem de jeito nenhum”, revela.
Com a Maria Cláudia, da Granja Portugal, não é diferente. Descobriu a gravidez aos 4 meses de gestação, e hoje é mãe do Marcos Vinícius, de 8 anos, que sofre de hiperatividade e retardo mental. Ela conta que muitas vezes deixou de sair com o filho para locais públicos para evitar críticas de pessoas que não entendiam a deficiência dele. “Ele não ficava quieto e era agressivo, e por isso, às vezes, não saía com ele. As pessoas ignoram demais. Olham o problema dele, criticam mandando eu bater nele” disse Maria Cláudia. “Tem que se controlar, se não a gente enlouquece. É muita luta.”, finaliza.
Muitos são os fatores que podem contribuir para uma saúde mental em desequilíbrio. “O que a gente vivencia nos tempos atuais são o estresse, as pressões sociais e as ansiedades. Além disso, fatores como pré-disposição genética e dificuldades empáticas contribuem para o adoecimento mental”, lembra Dra. Milena.
Valdelânia de Lima é mãe do Francisco Cauã, de 9 anos, que é autista. Até descobrir o problema do seu filho, Valdelânia relata que notava que algo estava errado com o desenvolvimento do filho, o que a preocupou. “Tive pré-eclampsia, e ao nascer ele teve dificuldade de mamar, não tinha coordenação motora de pegar nas coisas, e aos 2 anos ainda não falava”, disse Valdelânia.
A falta do convívio harmonioso na família não foi favorável, e isso dificulta o relacionamento e implica na saúde mental. “O tempo pra cuidar da gente é pouco. Tento me conscientizar, não me estressar demais. Procuro ficar calma, se não fico mais doente. E a família não entende, acha que é teimosia”, desabafa a mãe de Cauã.
Na opinião da psicóloga da Mão Amiga, em muitos casos, os indivíduos não aceitam a condição familiar que possuem e exigem mudanças, imposições. “Tem gente que acha que depressão é preguiça, por exemplo. Então, ao invés de ajudar o paciente, faz piorar o quadro. Se o especialista recomenda psicoterapia, a família se opõe com a ilusão de quem vai para psicólogo ou psiquiatra é doido, senso comum ainda muito evidente nos tempos atuais”, conta a psicóloga.
Mas, o que fazer para termos uma saúde mental estabilizada? Simples: atividade física, momentos de lazer, autoconhecimento e psicoterapia.  “Quando há presença constante de pensamentos negativos, por exemplo, é necessário buscar ajuda de um profissional, mesmo que não apresente nenhum transtorno psiquiátrico. Atividade físicas aeróbicas contribuem para diminuição da ansiedade. ”, afirma Dra. Milena.
“A saúde mental não é uma mera ausência de transtorno psiquiátrico, é um contexto: biológico, sociocultural e o psíquico. Quando se tem esse equilíbrio, a gente consegue ter uma boa saúde mental. É preciso buscar o autoconhecimento, a observação das atitudes, pensamentos e sentimentos. É um olhar para dentro. A partir do momento que a gente olha pra si, a gente começa a se perceber e a se conhecer. O autoconhecimento é saúde mental”, finaliza Milena.
Sobre a Mão Amiga 
A Clínica Popular Mão Amiga é uma Organização Não-Governamental, situada na Rua Padre Sá Leitão, 383, bairro Jóquei Clube, em Fortaleza, que desenvolve um trabalho efetivo junto a 350 crianças e adolescentes com necessidades especiais, enfocando os aspectos sócio, familiar, educacional, de saúde, cultura e lazer.
É uma clínica especializada no tratamento dos diversos distúrbios neuropsicomotores. Conta com uma equipe qualificada que atua de forma inter e multidisciplinar na avaliação diagnóstica e no tratamento das diversas enfermidades neuropsicomotoras. Oferece um conjunto de atividades individuais e/ou grupais realizadas por equipe multiprofissional, além de acompanhamento médico, terapia funcional, estimulação sensorial, estimulação psicomotora e orientação familiar visando a reeducação das funções físicas, cognitivas e sensoriais.
Conheça mais sobre a nossa instituição (ações, atividades, eventos) na nossa fanpage: facebook.com/clinicamaoamiga
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