quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Pessoas em situação de rua participaram na noite desta terça de exposição fotográfica no Cineteatro São Luiz

A exposição fotográfica do projeto "Residência na Rua: Arte, Cultura e Saúde" foi aberta nesta noite de terça-feira, no Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult). 

Durante seis meses, o projeto “Residência na Rua: Arte, Cultura e Saúde” desenvolveu ações de promoção da saúde mental e cidadania, por meio de atividades culturais e artísticas, para as pessoas em situação de rua na Praça do Ferreira e no seu entorno. O resultado desse processo é retratado na exposição "Varal da Cultura", que seguirá à disposição do público no hall do Cineteatro e que contou com a presença das pessoas em situação de rua atendidas pelo projeto.

As 30 fotos da mostra foram feitas por participantes da Residência Multiprofissional em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará, que estiveram em contato direto com as pessoas em situação de rua que vivem na Praça do Ferreira. O "Residência na Rua: Arte, Cultura e Saúde" é um projeto do Governo do Estado do Ceará que nasce de uma parceria entre a Escola de Saúde Pública do Ceará (Residência Multiprofissional em Saúde – RIS-ESP/CE) e a Secult, através do Cineteatro São Luiz. O projeto envolve estratégias articuladas por profissionais da saúde (residentes) e a expressão de várias linguagens artísticas e culturais que vêm sendo desenvolvidas no campo cultural.

Entre as pessoas em situação de rua que participaram da atividade nesta noite de terça-feira, os depoimentos foram de emoção, registrando o preconceito com que são vistos por muitos, mas também a disposição para participar de atividades culturais, como as promovidas pelo Cineteatro São Luiz, que tem grande parte de sua programação com entrada franca.

“A exposição encerra um ciclo do projeto, retratando a experiência das pessoas em situação de rua com as atividades realizadas. Contação de histórias, ações envolvendo teatro, música e expressão corporal serviram de diálogo para a promoção da saúde dessa população. Junto a isso, os residentes fizeram uma articulação para o cuidado da saúde integral, encaminhado também algumas pessoas a hospitais, zelando pelos direitos essenciais dessas pessoas”, destaca Rane Félix, assessora de gabinete da Secult.

“Desde agosto de 2016, o grupo de residentes tem trabalhado com as pessoas em situação de rua, levando inclusive espetáculos que refletem sobre a saúde mental e a cidadania, como foi o caso do monólogo 'Senhora dos Restos', com a atriz Isabel Santos, de Sergipe, na Praça do Ferreira, em novembro do ano passado. Convidamos cada pessoa que participava do projeto para estar presente, assim como agora na exposição, destacou a assessora.
A ação deve continuar com novas parcerias em vista, segundo Rane Félix. “Estamos buscando parcerias com universidades e outras instituições para que o projeto tenha continuidade. O ideal é que tenha atividades mensais voltadas para o público. O diálogo através da arte tem sido proveitoso”, destaca.

Histórico e inclusão

A exposição fotográfica contou com suporte da historiadora Carla Vieira, diretora do Museu do Ceará, quanto ao formato de exibição, e com contribuições da equipe do Sobrado José Lourenço, dois outros equipamentos da Secult. Natália Maranhão, uma das coordenadoras do Sobrado, reflete sobre a ação e seu diálogo com outros momentos da história da arte cearense, quanto à tentativa de inclusão cultural de outros públicos.

"Essas aproximações são necessárias e são reflexos de anseios antigos. Há mais de 50 anos atrás, Descartes Gadelha e companhia fizeram uma exposição no meio da atual Rua Guilherme Rocha, buscando aproximações e novas interações com o público e a Arte, pintando situações e contextos contemporâneos. Assim como Tarcísio Félix, divulgando seu trabalho em um ateliê a céu aberto na Praça do Ferreira, por reconhecer que o público dava, também, sentido à produção artística cearense", ressalta Natália.

"A exposição de fotografias no São Luiz faz as pessoas se perceberem como sujeitos atuantes na história da cidade e deles próprios, vendo a si mesmos refletidos pelas lentes de uma câmera e pelas ideias por detrás dela, revelados em fotografias soltas, em varais".

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