quinta-feira, 23 de março de 2017

Projetos levam alternativas de alimentação animal a produtores rurais Pesquisas são desenvolvidas em parceria com a Embrapa

 Um dos pilares das instituições de ensino superior é a Extensão, um modo de levar à comunidade externa as pesquisas e avanços desenvolvidos pelas instituições e integrá-las à sociedade. Nesse processo, a parceria entre instituições é fundamental para a difusão o conhecimento. Dois dos projetos de extensão desenvolvidos atualmente pelo campus de Crato do IFCE têm como parceiros diferentes unidades da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Contando também com a participação de estudantes, eles dedicam-se a pesquisar alternativas para a alimentação animal, um tema importante para que os produtores rurais possam vencer o desafio de produzir em tempos de seca.

Coordenador de Extensão do campus, o professor Marcus Góes afirma que as ações fomentam o desenvolvimento das comunidades e consolidam o papel do Instituto Federal do Ceará na área: “Quando executamos projetos ou ações de extensão, estamos oportunizando às comunidades assistidas a desenvolverem seus potenciais naturais. Muitas dessas oportunidades de desenvolvimento surgem dentro de pesquisas, que muitas vezes não chegam à sociedade, restringindo-se ao meio científico. Então a Extensão é um importante elo para o desenvolvimento local, pois ela dá um importante acesso ao conhecimento de uma forma simples e acessível”.

Palma forrageira
Em parceria com a Embrapa Gado de leite, de Minas Gerais, e a Embrapa Semiárido, de Pernambuco, o campus desenvolve o projeto “Palma forrageira: base para alimentação de rebanhos leiteiros no Nordeste brasileiro”, uma iniciativa que busca alavancar a produção de leite na região. Apesar de o Brasil ocupar a quarta posição entre os países produtores de leite bovino, o Nordeste é responsável por apenas 12,59% da produção nacional, desempenho considerado baixo.

De acordo com os pesquisadores da Embrapa, a palma forrageira é reconhecida como ideal para a alimentação porque, além de ser uma fonte de energia, ainda acumula água. Dessa forma, quando a palma está presente na dieta, o animal precisa consumir menos água. Em 2016, a parceria realizou, também no campus, uma capacitação para produtores de leite de vaca e estudantes, que puderam aprender mais sobre o plantio e o manejo dessa cultura, o uso na alimentação de bovinos leiteiros e sobre o gerenciamento de propriedades leiteiras. Eles aprenderam a forma correta de utilizar a planta, que precisa ser associada a outras fontes de proteína e fibras e a outros volumosos na ração dos animais.

Três professores da área de Agropecuária coordenam a parte operacional do projeto no campus, que está na fase de implantação dos palmais. As 20 mil raquetes de palma que serão plantadas em uma unidade de referência tecnológica foram doadas pela Secretária de Desenvolvimento Agrário do Ceará, outro parceiro da ação. Segundo Góes, a plantação servirá para alimentar o rebanho bovino do campus e também como uma unidade demonstrativa para receber visitas e realizar outros dias de campo com capacitações para produtores.

O professor explica ainda que diferentes métodos de manejo e diferentes variedades de palma farão parte da unidade: “A ideia é que a gente tenha vários exemplos de tecnologias da palma forrageira para que, quando o produtor vier conhecer essa área, tenha contato com várias tecnologias que envolvem a mesma cultura, a palma, e possa replicar na sua propriedade a que achar mais conveniente e viável”.


Silagem
Também com o objetivo de buscar alternativas para a alimentação de animais no semiárido, o campus, em conjunto com a Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral, desenvolve uma pesquisa que seleciona genótipos de espécies forrageiras destinadas à produção de silagem, como o milho, o sorgo e o milheto. O campus conduz a parte experimental do projeto, que já está em seu terceiro ano e é coordenado pela Embrapa.

“Elas são cultivadas em sistema de sequeiro, ou seja, a gente avalia exatamente esse efeito climatológico sobre a produção dessas espécies. A ideia é que com essas avaliações constantes a gente chegue a uma recomendação mais correta ao produtor, para que ele possa ter um retorno melhor, uma produção melhor a partir do genótipo da variedade que ele vai plantar”, explica o professor Marcus Góes. O projeto deve ter duração de cinco anos e já teve resultados apresentados em congressos.
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