segunda-feira, 24 de abril de 2017

Crime organizado no Estado é resultado de uma Polícia Civil desmotivada e desestruturada

Durante a tarde da quarta-feira (19), a população da Capital e de cidades vizinhas vivenciou ataques extremos de criminosos em transportes coletivos e veículos particulares de empresas. Fotos de cartazes de facções criminosas circularam nas redes sociais, um deles flagrado pela imprensa, cobrando transferências imediatas de presos da CPPL2.

Para o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol Ceará), os últimos acontecimentos nada mais são que um reflexo claro da falência da Polícia Civil. Segundo a vice-presidente do Sinpol, Ana Paula Lima, a Polícia Civil sofre um sucateamento devido a políticas governamentais nos últimos 25 anos, deixando a categoria atualmente com o pior salário do Nordeste e um dos três piores do país.

"O crime organizado no Estado é resultado de uma Polícia Civil desmotivada e desestruturada. Diariamente sofremos duros golpes. Escrivães e inspetores, que investigam e combatem o crime organizado, estão esquecidos”, avalia Ana Paula, que destaca: "O crime organizado encontra aqui um terreno fértil”.

Para a vice-presidente do Sinpol, "a situação na qual os policiais civis se encontram possibilitou a entrada das facções criminosas no Estado, tendo elas se aproximado por meio de núcleos compostos por bandidos como o irmão do Marcola (Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, criminoso considerado líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital), preso aqui", diz.

Segundo Ana, esses criminosos foram se unindo e estruturando o crime organizado no Ceará, se aproximando de grupos como o Comando Vermelho e o próprio PCC. "Os presos estão divididos por facções nos presídios, para evitar confrontos. E sem uma Polícia Civil forte, valorizada, dificilmente serão alcançados resultados concretos. Há a necessidade de valorização para que o policial civil consiga fazer o trabalho de inteligência e combater o crime organizado. Só com atividade investigativa é que alcançaremos os líderes dessas facções”, aponta Ana.

A vice-presidente do Sinpol informa que, no entanto, o Sindicato mantém as esperanças de reconhecimento por parte do Governo do Estado. "Apesar do cenário difícil,  acreditamos que o governador Camilo Santana terá um olhar sensível à nossa categoria, dando uma justa valorização, como foi dada a outros agentes de segurança. Os  policiais civis são tão importantes quanto as demais categorias no combate ao crime, em especial ao crime organizado", conclui Ana.
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