domingo, 18 de junho de 2017

TJA recebeu grande público durante todo o dia, na comemoração de seus 107 anos, neste sábado, 17/6

O dia foi de festa no Theatro José de Alencar, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), que completou 107 anos, neste sábado, 17/6. Ícone da cultura e da história cearense, o Theatro foi inaugurado em 17 de junho de 1910. Para comemorar a data, durante toda a tarde e noite, o TJA trouxe uma programação intensa, com entrada franca. O "Arraia do Zé", foi uma festa temática que reuniu um grande público no jardim do Theatro e nos espaços do Anexo do TJA, contando com uma programação infantil e apresentações de quadrilhas, grupos musicais e grupos populares. O encerramento ficou por conta do show da cantora e compositora cearense Marivalda Kariri.

A abertura da programação ficou por conta da Banda de Música da Base Aérea de Fortaleza, no saguão do TJA. Logo em seguida entrou em cena o "Arraiá Infantil da Cumade Iracema", com atividade voltadas ao público infantil, no jardim do Theatro, onde o tema foi São João, com direito a comidas típicas. O local foi espaço também brincadeiras e jogos, animando a criançada, inclusive com a apresentação da quadrilha junina infantil Cai Cai Balão e do Grupo de Tradições Folclóricas Raízes Nordestinas.

Abertura da Exposição do Grupo Iluminuras
Durante a programação especial de aniversário do Theatro José de Alencar, em clima de São João, o público conferiu a abertura da exposição "Iracema: Além do Ceará", na Galeria Ramos Cotoco, no Anexo do TJA. A exposição, composta por 21 quadros bordados, inspirados na obra de José de Alencar, é uma promoção do Grupo Iluminuras em parceria com o TJA.

Na ocasião, a professora Neuma Cavalcante, coordenadora do curso de extensão da Universidade Federal do Ceará de incentivo à leitura, que deu origem ao grupo Iluminuras, fez a abertura junto à professora Maria Ednilza Oliveira Moreira, do Departamento de Letras Vernáculas da UFC, que fez uma palestra de apresentação.

"A iniciativa como culmiância do curso de incentivo à leitura é por demais memorável, tanto pelos 150 anos da obra de José de Alencar, como pela data de hoje, em que o Theatro José de Alencar comemora 107 anos", destacou a professora Ednilza.

"Esse trabalho é a prova de que a obra de José de Alencar está viva. Os quadros são revelação concreta de uma leitura apurada da obra. Podemos retomar a história de Iracema através dos quadros", complementou.
Encerramento com muita música e teatro
O início da noite durante a programação de 107 anos do TJA também foi marcado por grandes atrações. A Hora do Angelus, tradicionalmente realizada a cada dia 17 no Theatro foi marcada pela voz de Marivalda Kariri, no jardim do TJA. Já a Orquestra de Câmara Villa-Lobos, em seguida, no mesmo local, apresentou o concerto "Clássicos Nordestinos". 

Paralelamente, o público pôde conferir a montagem do espetáculo Geração Trianom, na Praça Mestre Boca Rica e Teatro Morro do Ouro, espaços do Anexo do TJA, em um projeto liderado pelo dramaturgo e ator Pedro Domingues.
O público dançou ao som de Marivalda Kariri no jardim do TJA, com o melhor do forró pé-de-serra, encerrando a programação. 
Mais sobre o TJA
A pedra fundamental do prédio que seria o Theatro foi lançada em 1896, no centro da praça Marquês do Herval, hoje praça José de Alencar. Mas o projeto não foi concretizado e dois concursos públicos foram realizados. No entanto, a obra realmente construída pouco tem das linhas apresentadas nos concursos. A ideia de construir um teatro jardim foi concebida através do projeto do capitão Bernardo José de Melo. Em 1904, na segunda administração de Nogueira Acioli, é oficialmente autorizada a construção do Theatro José de Alencar através da lei 768, de 20 de agosto.

Porém, passaram-se ainda quatro anos para as obras começarem, exatamente no dia 06 de junho de 1908, quando toda a estrutura metálica já se encontrava em Fortaleza e foi apresentada em praça pública numa grande exposição. As peças metálicas vieram de Glasgow, na Escócia, importadas pela Casa Boris e fundidas pela Walter Mac Farlane & Companhia.

O Theatro José de Alencar foi inaugurado oficialmente no dia 17 de junho de 1910, com a banda sinfônica do Batalhão de Segurança, regida pelos maestros Luigi Maria Smido e Henrique Jorge. Na praça, rodas de fogo, morteiros, foguetes e girândolas num verdadeiro milagre pirotécnico, abrilhantavam a festa. No início do século, ao fazer o projeto arquitetônico do Theatro José de Alencar, o capitão Bernardo José de Mello imaginou um teatro – jardim. Mas o jardim mesmo só foi construído anos depois da festa de inauguração, na reforma de 1974 a abril de 1975. Ele ocupa todo o espaço vizinho ao Theatro, pelo lado leste, onde havia antes um prédio que primeiro abrigou o Quartel de Cavalaria e em seguida o Centro de Saúde. Foi demolido em 1973.

Um novo prédio foi incorporado ao Theatro José de Alencar na reforma de 1989 a 1990. Identificado como anexo, o prédio situa-se no lado oeste, logo atrás da antiga sede da Faculdade de Odontologia. Possui 2.600 metros quadrados e dois pavimentos, com acesso independente pela rua 24 de Maio. Referência artística e turística nacional, o Theatro José de Alencar desempenha importantes papéis na vida cultural cearense. Na qualidade de Teatro Monumento oferece não só a mais seleta programação cênica do Estado, mas, também, a mais ativa e diversificada pauta de atividades socioculturais e artísticas do eixo central de Fortaleza.

Com a dinâmica possibilitada pelo Centro de Artes Cênicas do Ceará (CENA) – unidade multifuncional anexa, o Theatro José de Alencar se afirma como espaço aglutinador de pesquisa, formação, produção e difusão artística, se transforma em palco de inclusão social e firma seu compromisso com o futuro.

Curioso exemplar da arquitetura eclética no Brasil, o Theatro José de Alencar, além da sala de espetáculo em estilo art noveau, dispõe de auditório de 120 lugares, foyeur, espaço cênico a céu aberto e o prédio anexo, com 2.600 metros quadrados, que sedia o Centro de Artes Cênicas (CENA), o Teatro Morro do Ouro, com capacidade para 90 pessoas, a Praça Mestre Pedro Boca Rica, com palco ao ar livre e capacidade para 600 pessoas, a Biblioteca Carlos Câmara, a Galeria Ramos Cotoco, quatro salas de estudos e ensaios, oficinas de cenotécnica, de figurino e de iluminação, abrigando ainda a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e o Curso Princípios Básicos de Teatro e Circo.

Além destes palcos propriamente ditos, vários modos de ser teatro se cruzam no dia a dia do TJA, concebendo para cada cena, outros espaços cênicos como a calçada voltada para a Praça José de Alencar, o saguão e o pátio interno (entre o primeiro e o segundo blocos), o porão sob o chamado palco principal, o espaço expositivo da Galeria Ramos Cotôco, o palco da sala de espetáculos, a área dos jardins e as demais salas de ensaio: Sala de Canto Paulo Abel, Sala de Dança Hugo Bianchi e Sala de Música Jacques Klein, as oficinas de Iluminotécnica Álvaro Brasil, de Cenotécnica Helder Ramos e de Figurino Flávio Phebo.
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