segunda-feira, 24 de julho de 2017

Agenda cultural - Segue em cartaz - Espetáculo teatral celebra 100 anos da Revolução Russa


“Asja Lacis já não me escreve” entrou em temporada no último dia 15 de julho fazendo referência à personagem da primeira metada do século XX, a obscura atriz, diretora teatral e militante de esquerda Asja Lacis. O espetáculo será encenado aos sábados e domingos pelo Grupo Terceiro Corpo.

            O Grupo Terceiro Corpo encena seu segundo espetáculo, agora inspirado naatriz, diretora e militante de esquerda Asla Lacis, que militou a favor do proletariado e das crianças orfãs de guerra, na Rússia do início do século XX.
O escritor argentino Ricardo Piglia fala de Asja Lacis: "Em 1923, em Berlim, Brecht conhece a diretora teatral soviética Asja Lacis, e é ela que o põe em contato com as teorias e experiências da vanguarda soviética". Com essas informações, diz a diretora Maria Vitória (Terceiro Corpo), veio o desejo de conhecer mais a biografia e a força dessa mulher.
Ricardo Piglia afirma ainda que: "por intermédio de Asja Lacis, Brecht conhece a teoria da ostranenie elaborada pelos formalistas russos e por ele traduzida como efeito de estranhamento. É notável o deslocamento operado por Brecht para mostrar a origem russa de sua teoria do distanciamento.”

Montar o espetáculo “Asja Lacis já não me escreve” representa a consolidação e o compartilhamento de uma pesquisa que se desenvolve há mais de dois anos, movida pela realização de um sonho que a cada encontro se concretiza, onde a montagem é o resultado de um processo natural, decorrente de laboratórios de criação. A peça teve o apoio do  Programa de produção e publicação em artes 2016 de Fortaleza – Instituto Bela Vista/ SECULTFOR, e participou do Laboratório de Pesquisa Teatral do Porto Iracema da Artes em 2015, com a consultoria dramatúrgica de Vadin Nikitin e a interlocução artística de Héctor Briones.

O espetáculo traz imagens que estão atreladas e interligadas pela dramaturgia (que emerge dessa pesquisa), mas que, para além dela, entrelaçam-se e interligam-se na vida. A transcrição dramatúrgica e a direção ficam a cargo de Maria Vitória e no elenco Juliana Carvalho, Marcos Paulo e Nádia Fabrici.

Grupo Terceiro Corpo – Trajetória de pesquisa
O Grupo Terceiro Corpo, formado por Jéssica Teixeira, Juliana Carvalho, Marcos Paulo, Maria Vitória, Nádia Fabrici e Sara Síntique, surgiu de uma vontade latente de pesquisar o trabalho do ator. Desde fevereiro do ano de 2014, o Grupo Terceiro Corpo se reúne sistematicamente e vem dando vida aos laboratórios de criação em torno do trabalho do ator a partir da premissa do Solo-coletivo.
A primeira peça escolhida para montagem, Tudo ao Mesmo Tempo Agora,escrita por Maria Vitória, foi agraciado pelo Prêmio de Dramaturgias Femininas e foi a base para o primeiro laboratório de ator desenvolvido pelo Grupo Terceiro Corpo.
A ideia do Solo-coletivo trabalha com o conceito de personagem partilhada, na qual temos apenas uma personagem em cena e mais de um ator para representá-la. A nova empreitada do grupo gira em torno da figura de Asja Lacis, a obscura atriz, diretora teatral e militante de esquerda da primeira metade do século XX.

Paixão
Pelo que consta em algumas citações do escritor argentino Ricardo Piglia, Asja foi uma atriz e diretora de teatro que influenciou de forma significativa o meio teatral, em especial, o alemão Bertolt Brecht. Asja Lacis foi também colaboradora de Meyerhold e de Eisenstein, próxima do grupo de Maiakóvski.
Asja é uma grande paixão de Walter Benjamin, e por intermédio dela Brecht e Benjamin se conhecem. Em fim dos anos 30, Asja Lacis desaparece num campo de concentração stalinista. “Asja Lacis já não me escreve”, registra Brecht em seu diário de janeiro de 1939. 

Sinopse – Asja Lacis já não me escreve

Asja Lacis, mola propulsora da peça “Asja Lacis já não me escreve”, era uma revolucionária, atriz e diretora de teatro russa. Mulher apaixonada que acreditava no poder revolucionário do teatro, Asja desenvolveu incansavelmente um teatro com operários e com crianças órfãs de guerra.

Foi colaboradora de Meyerhold e de Eisenstein, próxima do grupo de Maiakóvski. Asja foi amante e parceira intelectual de Walter Benjamin; por intermédio dela, Benjamin e Brecht se conheceram.Em fim dos anos 30, Asja Lacis desaparece num campo de concentração stalinista e Brecht registra em seu diário de janeiro de 1939: “Asja Lacis já não me escreve”. A peça traz às luzes da ribalta, no ano em que se comemora o centenário da Revolução Russa,  a vida dessa mulher que foi eclipsada pela história do teatro Ocidental.

Ficha técnica
Direção e transcriação dramatúrgica: Maria Vitória.
Elenco: Juliana Carvalho, Marcos Paulo e Nádia Fabrici.
Figurino: Maria Vitória
Iluminação: Maria Vitória e Rami Freitas
Realização: Grupo Terceiro Corpo

Serviço
Local: Teatro Dragão do Mar.
Datas/horários: de 15 a 30/07, aos sábados e domingos, às 20h.
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia).
“Projeto apoiado pelo Porto Iracema das Artes – Escola de Formação e Criação do Ceará  e pelo Programa de produção e publicação em artes 2016 de Fortaleza – Instituto Bela Vista/ SECULTFOR".
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