quarta-feira, 26 de julho de 2017

Alan Mendonça e Leo Mackllene lançam em SP, junto a outros artistas, livros e o selo "Radiadora Cultural", nesta quinta, 27/7




Os poetas cearenses Alan Mendonça e Leo Mackllene lançam nesta quinta-feira, 27/7, em São Paulo, o selo independente "Radiadora Cultural". Os artistas também lançam, na ocasião, os livros "Como gota de óleo na superfície da água" (romance de Leo Mackllene) e "O silêncio possível" (poemas de Alan Mendonça). O evento acontece às 20h, na livraria e café Patuscada (Rua Luís Murat, 40 - Pinheiros), e contará com o pocket show "Música em Prosa", com participação de outros artistas, entre eles Soledad Brandão, Laya Lopes, Rafael Haluli, Demétrius Carvalho, Carlos Gadelha e Thiago Romaro.
Ir pro sudeste pra tentar a vida como artista é um movimento comum desde a década de 60. Belchior, Fagner, Ednardo, Renato Aragão, Chico Anysio são alguns dos exemplos de que podemos lembrar para ilustrar esse movimento arte-migratório. Da nova geração dos cearenses, Fernando Catatau, Jonnata Doll, Soledad, Laya, Vitor Colares, Nayra Costa, os Danieis (Medina, Groove e Peixoto) são os exemplos mais frutíferos. Mas esse quase êxodo nordestino não é restrito à área da música.

A editora "Radiadora Cultural", que será conhecida em São Paulo, foi lançada em abril, na programação da XII Bienal Internacional do Livro no Ceará, já com quatro títulos disponíveis: Como cavalos fatigados abrindo um mar (poemas), do limoeirense Dércio Braúna; Luz (poemas), do capistranense Evaristo Filho; O silêncio possível (poemas), de Alan Mendonça, de Russas; e Como gota de óleo na superfície da água (romance), do fortalezense radicado em Sobral há treze anos, Léo Mackellene.

“A ideia é que a gente irradie a literatura feita no Ceará grande, além da capital. E para que, com a estrutura da editora, a gente possa abrir espaços e encontrar leitores pelo Ceará, pelo Nordeste, pelo Brasil e pelo mundo”, comenta Alan Mendonça.

“A arte é um pretexto para o encontro, na verdade”, arremata Alan Mendonça. E São Paulo parece ser o ambiente ideal para isso. A cidade que nunca pára se formou a partir do entrelaçado de todos os caminhos daqueles que desejavam, desde sempre, desbravar o Brasil. A história se repete, só que nova!


O livro musical de Mackellene

Com prefácio de Laya Lopes, cantora e compositora cearense radicada em São Paulo desde 2004, o primeiro romance do poeta e músico Léo Mackellene, Como gota de óleo na superfície da água, insere-se numa espécie de gênero híbrido que o autor chamou de “Música em prosa”.

“É um livro musical”, conta o Mackllene. “Trabalhei as frases do livro pra que tenham uma certa cadência, um certo ritmo, justamente pra facilitar essa leitura em voz alta, e numa dicção muito própria do falar genuinamente brasileiro, quiçá nordestino”, comenta o autor fortalezense radicado em Sobral-CE desde 2004.

Também é um livro musical pelas referências musicais, que abundam no livro, a começar pelo prefácio, escrito pela cantora e compositora cearense Laya Lopes, que, em janeiro, lançou seu primeiro CD solo. As cenas do "Como gota de óleo na superfície da água" estão acompanhadas de música: Caetano Veloso, Daniel Groove, Fagner, Maria Bethânia, Belchior... “É um livro com trilha-sonora! (risos)”, brinca Leo. Ele revela que os nomes de alguns lugares e personagens da história fazem referência a canções: “‘Medida do Bonfim’ é referência a "Trocando em miúdos", do Chico Buarque. ‘Pracabá’, à música do Marcelo Jeneci. ‘Leila’, uma das personagens da trama, é título de uma música do Renato Russo”. “Os vinis”, lembra o autor, “aparecem no livro como uma metáfora da própria vida: eles ficam ali girando, girando e a gente tem que prestar atenção no momento certo pra baixar a agulha”, conclui.

Um livro assim não poderia ter um lançamento focado apenas na questão literária. Por isso, vem acompanhado de um pocket show que leva o nome do gênero em que se insere o livro, "Música em prosa". Este é um show lítero-musical onde são cantadas canções autorais do escritor e onde ele conversa sobre o processo de construção do livro, sua produção e sua divulgação; além, claro, de fazer a leitura dramática de trechos do livro.

Mais sobre o "Como gota de óleo..."

Em tempos de amor líquido, este é um livro sobre a impossibilidade e a possibilidade de amar. Também é um livro sobre amores possíveis e sobre desamores. No fim, é um livro que pergunta: afinal, estamos preparados para o amor livre? Antes, é um livro que pergunta: o que é o amor livre?
Promessa tem ares de cidade grande, onde as pessoas se relacionam na liquidez típica dos grandes e anônimos centros urbanos. Pracabá, cidade portuária em vias de se modernizar, conserva ainda muitos traços da época em que seus moradores ainda tinham nos barcos a vapor o principal meio de transporte. Medida do Bonfim é entranhada no grande sertão desse Brasil fictício multitemporal e simultâneo, onde a eletricidade acabou de chegar, modificando toda a estrutura social do lugar.

É nesse cenário que Júlio, Leila e Madalena vivem um triângulo amoroso pouco convencional, onde a chave é a busca pela libertação de si no respeito aos limites do outro, ao mesmo tempo em que se deparam com a incompletude essencial de sermos humanos.

Seguindo a estrutura narrativa típica do romance contemporâneo, o autor nos apresenta uma fragmentação peculiar no entanto, própria do contador de memórias que, vira e volta, vai e vem no tempo da narrativa conforme vem contando, transitando entre os quatro focos narrativos que compõem o livro, o que dá ao livro característica de um exercício de compreensão do outro. Por ser uma narrativa construída em conjunto, a quatro vozes, a partir de quatro narradores que vão intercalando a condução da narrativa e mostrando percepções particulares do enredo que vivem; entrelaçando-se a partir do que percebem de si e do outro.

Em seu romance de estreia, o autor recupera o fôlego vertical – agora horizontal – de seu primeiro livro, demonstrando, como diz a certa altura, que “tudo tem história, e as histórias pulsam pra serem contadas”.

O Silêncio possível, de Alan Mendonça
O livro "O silêncio possível", de Alan Mendonça, autor Prêmio Martins Filho, da Academia Cearense de Letras, é composto poemas numa pequena amostra da poesia deste escritor, um corte na obra, mas com a intenção de mostrar sua amplitude. Os poemas que fazem parte desta seleção de textos foram escolhidos seguindo temáticas voltadas às semânticas do abstrato, do disforme, do amor, do humano... na inventividade deste autor. A concepção prima pelo diferente, por um certo disforme, acompanhando, até o máximo possível, em seus formatos e fontes de sua diagramação, elementos antigos e presentes, fortes, com destaque para a oralidade e a memória, sem pontos finais... dentro de muitas facetas e possibilidades poéticas. O livro contém em seu corpo poemas que falam necessariamente do essencialmente humano e as marcas disto no homem que se transformou nestes seus versos, dentro das densidades dos temas propostos, um grande exercício poético onde se escuta os silêncios.  

Sobre os autores

LEO MACKELLENE é poeta, músico e professor de argumentação jurídica, teoria literária e análise do discurso. É editor-chefe do Setor de Publicações da Faculdade Luciano Feijão, em Sobral-CE. Mestre em “Literatura e Práticas Sociais” pela Universidade de Brasília (UnB), é colunista do site Ceará Mais, onde escreve a coluna “Arte&Cena”; é editor da revista Brabo! Revista de Cultura e Arte Cearense e do informativo de crítica de mídia O outro lado da coisa. Estreou como poeta com O livro dos mais pequenos silêncios (2006), participando de antologias de contos e poesia premiadas por editais estaduais de incentivo à cultura, como a Antologia Massanova – poesia brasileira contemporânea (2007), Encontos e desencontos (2007) e O cravo roxo do diabo – o conto fantástico no Ceará (2011). Em 2015, recebeu o prêmio Destaque no VI Prêmio Nacional Ideal Clube de Literatura. Entre 2009 e 2012, coordenou projetos de pesquisa donde se originaram três livros: Carinhanha: entre rosas e veredas (2010), Carinhanha: entre o sabor e o saber (2011) e Carinhanha: entre rios de histórias (2012), este último financiado pelo Centro Cultural Banco do Nordeste. Em 2013, publicou A cigana analfabeta lendo a mão de Paulo Freire: considerações sobre alfabetização e letramento, financiado pela CAPES/CNPq. Em 2016, lançou o livro Língua e Poder na sala de aula: novas tendências para o Ensino de Língua Materna em formato digital, para EaD, a convite das Faculdades INTA. Em 2017, recebe o prêmio Menção Honrosa pelo conto “Encantado”, no XIX Prêmio Ideal Clube de Literatura, Prêmio José Telles. Em 2017, estreia como romancista com Como gota de óleo na superfície da água e participa da coletânea Penas, fluidos e bisturis, com poetas, cronistas e contistas de várias partes do país. Ainda em julho desse ano, publicará Ínfimus, um livro de “ditados pessoais” pela editora Rubra Cartoneira, de Londrina-PR.

ALAN MENDONÇA nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1977. É escritor, compositor e dramaturgo. Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará. Publicou Varandas (poesias, 2004); [Des]caminhos da arte-educação (artigos, 2006, org.); Angústias, álcool e cheiro de cigarro (poesias, 2006); A desmedula da seta (poesias, 2011); Palavra russas (vários, 2011, org.); De peixes e aquários (poesias, 2015); O silêncio possível (poesias, 2017); e lançou os cds Enquanto a cidade dorme (músicas, 2007); Coração cinzeiro (poesias, 2008), Mesmo que seja tarde (musicas, 2015) e Do tempo faltando um pedaço (músicas, 2015), além de participar de várias antologias literárias e musicais.
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