sexta-feira, 28 de julho de 2017

Livro O Cearense, de Parsifal Barroso, será relançado no próximo dia 08 de agosto, em Fortaleza 



Muito se fala do jeito de ser do povo cearense, a chamada “cearensidade”. As características particulares e formação da gente do “Siará” foram estudadas ao longo dos anos, mas muitas obras a esse respeito se perderam ou sofreram por esquecimento. Com esse intuito, o Instituto Myra Eliane relança um dos mais importantes livros sobre o assunto: “O Cearense”, de José Parsifal Barroso, originalmente publicada em 1967. A publicação é editada pela Escrituras Editora. A segunda edição do livro será lançada em Fortaleza, no próximo dia 08 de agosto, às 19 horas, na Assembleia Legislativa do Ceará. Antes disso, a obra será lançada na Livraria Travessa Ipanema, no Rio de Janeiro, em 03 de agosto. 
"Embora o cearense se pareça com o brasileiro a muitos respeitos, sua presença sempre se assimila por uma modalidade própria de ser, de falar, de agir e de afirmar-se, que se não confunde com qualquer outra”, diz Parsifal Barroso no livro. A obra aborda a “civilização cearense”. A conformação geográfica do Estado, em forma de ferradura, deixando o estado como se fosse insular, segundo o autor, já seria uma característica que teria influência no modo de ser do cearense, na nossa formação cultural e política. 

A segunda edição manterá o prefácio original da primeira, produzido pelo intelectual e escritor cearense Djacir Menezes, também acrescido de um prefácio de Igor Queiroz Barroso, presidente do Instituto Myra Eliane e neto de Parsifal. À época do lançamento, o livro teve grande repercussão, inclusive na imprensa nacional, com reportagem na revista O Cruzeiro, a mais relevante do país. 

"Não é somente a pesquisa de fontes históricas e sociais que realça o valor deste livro. É também o amor radical à gente do nordeste das secas. E sobretudo à terra, que está circundada [...] por uma vasta ferradura pétrea de serras, que a configuram de modo específico, diferenciando o trecho nordestino como 'Ceará'", destaca Djacir Menezes no prefácio da edição original. 

Para Igor Queiroz Barroso, a obra é uma das maiores demonstrações de carinho e paixão de Parsifal Barroso por sua terra natal. Além disso, lança pioneiramente um conceito bastante difundido atualmente "Pioneiramente, Parsifal desenvolve o conceito de 'cearensidade' considerando, inclusive a geografia das chapadas em forma de ferradura e, ao norte, o litoral. Também especula sobre as etnias bases de nossa raça e inclui, entre elas, a figura do cigano mediterrâneo”, destaca. 

Em 1976, Parsifal Barroso falou sobre a obra à professora Luciara Silveira de Aragão, para o projeto de História Oral produto do Convênio da Universidade Federal do Ceará com o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. "Considero o livro ‘O Cearense’, que publiquei quando ainda estava como professor de Sociologia da Universidade Federal do Ceará, um roteiro básico para o entendimento do Ceará e do cearense. [...] Quando provei a uns e outros a necessidade de nos conhecermos melhor a nós mesmos. A nossa realidade telúrica e a nossa realidade humana, para entendermos então o que é o problema social em nosso Estado. O livro 'O Cearense" foi o toque de clarim, a primeira abertura para que viessem outros na mesma direção em busca dessas fontes que ainda estão por ser pesquisadas”, explicou. 

Sobre Parsifal Barroso 
José Parsifal Barroso nasceu em Fortaleza no dia 5 de julho de 1913. Era casado com Raimunda Olga Monte Barroso, com quem teve cinco filhos. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Ceará, atuou como advogado, professor, jornalista e político. 

Exerceu importantes cargos na vida pública, como deputado classista (1936-1937), deputado constituinte (1945-1949), deputado federal (1951-1955 e 1971-1977), inistro do Trabalho (1956-1958), senador (1958-1959), governador do Ceará (1959-1963) e presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (1979). 

Além de "O Cearense", Parsifal Barroso publicou diversas obras como Pedro, nosso irmão, Na casa do barão de Studart, Um francês cearense (1973), e Senador Pompeu, um cabeça-chata autêntico (separata da Revista do Instituto do Ceará), Vivências Políticas e Uma história política do Ceará.

Lançamento do livro “O Cearense” 
Data: 08 de agosto
Horário: 19h
Local: Assembleia Legislativa do Ceará – Plenário 13 de Maio (Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro: Dionísio Torres – Fortaleza)
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