quinta-feira, 27 de julho de 2017

Teste da linguinha evita desmame precoce de bebês no Hospital César Cals

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O exame foi feito junto à cama da mãe no dia seguinte, após o nascimento. Henry Lourenzo respondeu bem aos estímulos da fonoaudióloga, que constatou não haver nenhum problema relacionado ao frênulo da língua, ou seja, o freio da língua. O procedimento é mais conhecido como teste da linguinha ou ainda Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês e tem o objetivo de detectar as possíveis alterações no mecanismo anatômico da boca. No Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), da rede pública do Governo do Ceará, todo bebê que nasce passa pelo teste e, os que apresentam alguma alteração, são encaminhados para o acompanhamento no ambulatório e soltura do frênulo.

“O teste é muito importante para o nosso filho, porque a gente já sai do hospital sem preocupação, sai mais segura”, afirma Kilvia de Lucena Bezerra, mãe de Lourenzo. O resultado não podia ser melhor. Após o primeiro exame, Henry, do município de Morada Nova, nascido de parto normal, com 34 semanas, está mamando bem, pois começou a pegar a mama de maneira correta. Para o teste, é realizada uma triagem em todos os bebês nascidos no César Cals e permanecem no Alojamento Conjunto, ao lado da mãe, e não apresentam alterações craniofaciais. Os que ficam na Unidade Neonatal são avaliados posteriormente, à medida que vão se desenvolvendo e apresentam condições de emitir as respostas orais necessárias para a realização do exame.
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O teste da linguinha, que deve ser feito a partir de 24 horas após o nascimento da criança, está diretamente voltado para evitar, primeiramente, o desmame precoce do bebê. Além disso, com a verificação da alteração do frênulo, é possível detectar se haverá prejuízos na sucção e deglutição, o que ocasiona o desmame precoce e o bebê para de mamar. “Como Hospital Amigo da Criança, o desmame precoce é o principal elemento considerado, porém o teste também previne sobre problemas relacionados à fala”, esclarece Edna Maria dos Santos Lopes, fonoaudióloga responsável. No Hospital César Cals, o teste acontece em duas etapas.

A fonoaudióloga explica que no “primeiro momento, é realizado o exame clínico, que testa a parte anatomofuncional, na qual é avaliada toda a cavidade oral do recém-nascido. Em seguida é feita a sucção não nutritiva, com dedo enluvado, que consiste no teste para saber como está a sucção da criança. Logo após, é feita a sucção nutritiva, ou seja, a criança mamando no peito da mãe. É neste momento que é observada a maneira correta da amamentação, como a pega, a posição certa, a forma como criança está sugando o leite”. É nessa etapa que são identificadas as possíveis dificuldades. Com isso, as mães recebem orientações quanto à forma correta de amamentar, coordenação de sucção, deglutição e respiração.
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Se os resultados forem favoráveis, é dada a alta do bebê. Caso contrário, eles são encaminhados para uma avaliação mais específica. “A segunda etapa, que acontece no ambulatório, consiste em uma avaliação geral seguindo o protocolo que aborda quesitos como a avaliação geral do recém-nascido, se ele está sonolento, reposta neurológica aos estímulos, avaliação anatomofuncional, alimentação, sucção nutritiva e não nutritiva e as principais queixas”, diz Edna. Conforme o resultado, de acordo com o somatório dos pontos definidos no protocolo, o bebê é encaminhado para realizar a soltura do frênulo, que é feito por um médico ou odontopediatra.

​Neste caso, os pais não precisam se preocupar. O Hospital César Cals tem parceira com os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), também da Secretaria da Saúde do Ceará, que realizam o procedimento de soltura, pequena incisão feita abaixo da língua. Só então a mãe e o bebê retornam ao ambulatório do HGCC, após oito dias, para uma nova avaliação e posterior alta. Se algum problema persistir, assim como as queixas sobre a irritabilidade, respiração e amamentação, a mãe é orientada, conforme cada caso, para o acompanhamento específico.
Bernardo Lourenço, que nasceu de 34 semanas, precisou passar por todas as etapas. A mãe, Érica Maria da Silva, moradora de Caucaia, conta que o exame proporcionou um conhecimento melhor sobre os problemas apresentados pelo filho e, com isso, soube o que precisava ser feito. Após a soltura do frênulo, ela trouxe o filho para mais uma avaliação. Mesmo não conseguindo o resultado esperado, devido ter uma anatomia alterada, muitos avanços foram conquistados. “Ele não conseguia mamar direito, chorava muito, era muito irritado. Depois do procedimento, ficou mais confortável. Eu achava até que meu leite era pouco”, relata Érica, mais aliviada. O acompanhamento de Bernardo será continuado por conta da especificidade do caso.

Quem voltou para casa, em Itapajé, no interior do Ceará, mais tranquila, foi Francimary Bezerra Martins. O filho Isaac, que nasceu prematuro de sete meses, passou por mais uma avaliação. De acordo com o resultado, ele está bem, com todas as funções normais e respondendo aos estímulos corretamente. “Eu estou bem e tranquila porque está tudo bem com o meu filho”, comemora Francimary. Durante a consulta, a fonoaudióloga ressalta que, além de alimentar, a amamentação exercita toda a musculatura da boca.
Atendimento
O Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebês passou a ser obrigatório com a publicação da Lei 13.002. No HGCC, o teste é realizado desde 2015. Além da avaliação hospitalar, há ainda o retorno ambulatorial que é feito sempre às segundas-feiras, de 7 às 11 horas. Semanalmente, 15 a 20 bebês são atendidos no César Cals. Por mês, em torno de 80 são avaliados. De janeiro a junho desse ano, quase 500 bebês foram atendidos no ambulatório do Hospital Geral Dr. César Cals.
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