quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MPCE comemora 18 anos do Programa Núcleos de Mediação Comunitária

É preciso amar para mediar…” foi o tema da palestra motivacional ministrada pela jornalista, escritora, terapeuta nativa e blogueira, Kareemi, que marcou o Dia Estadual do Mediador Comunitário, promovido pelo Programa Núcleos de Mediação Comunitária do Ministério Público do Estado do Ceará. Instituído pela Lei nº 14620/2010, o Dia Estadual do Mediador Comunitário é comemorado em 13 de setembro com homenagens aos valorosos voluntários que se dedicam à promoção da paz social e ao pleno exercício da cidadania. O início dascomemorações foi realizado, na manhã desta quarta-feira, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ).

Além da palestrante, participaram da mesa diretora dos trabalhos a vice-governadora do Estado do Ceará, Izolda Cela; a vice-procuradora geral de Justiça, Vanja Fontenele; a promotora de Justiça Iertes Gondim; o secretário-chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Fortaleza, Francisco Queiroz; a vice-ouvidora do MPCE, Maria Magnólia Barbosa; a representante da Associação Cearense do Ministério Público, Liduína Martins; a presidente da Comissão Especial de Mediação, Conciliação e Arbitragem da Ordem dos Advogados do Brasil, Maria Darlene Monteiro; o presidente do Sindicato de Transportes de Passageiros (Sindiônibus) Dimas Barreira; e a mediadora do Núcleo de Mediação da Parangaba, dona Pedrina de Araújo.

promotora de Justiça Iertes Gondim agradeceu a todos os parceiros, mediadores e a todos os integrantes da rede que forma o sistema de garantia de direitos que contribuem para o funcionamento do Núcleos de Mediação. Ela registrou seu reconhecimento ao pioneirismo da implantação do trabalho pela ex-procuradora geral de Justiça Socorro França e pelo promotor de Justiça Edson Landim. “O trabalho de mãos dadas é que nos impulsiona a seguir em frente, com mediadores de 18 a 83 anos. Temos que ter fé, porque o nosso Deus é o do impossível”, disse, ao acrescentar a importância do projeto de mediação escolar encampado pelos promotores de Justiça Hugo Lucena (da Infância e Juventude) e Elizabeth Oliveira (de Defesa da Educação).

A vice-procuradora geral de Justiça, Vanja Fontenele, destacou que o trabalho de mediação era caro não só para o Ministério Público, mas para toda situação mundial, em que se constata toda forma de conflito. Ela recordou a inauguração da primeira Casa de Mediação no bairro Pirambu. “Tenho muito orgulho de ter participado daquele momento histórico. Éramos 18 mediadores e a metade desistiu, porque não é fácil. Só ficaram os que se identificaram. Hoje, somos 135 mediadores. Isso significa que a luta valeu a pena. Que a mediação reproduza a mensagem de amor e de paz que tanto precisamos”, comemorou.

A vice-governadora, Izolda Cela, mostrou-se honrada em participar daquele momento tão relevante para o MPCE. Para ela, a expectativa é a de que o programa de mediação seja expandido cada vez mais, uma vez que havia tantas pessoas compromissadas com a causa. “Vocês estão prestando um serviço relevante à pátria e à cidadania. Os mediadores já fazem uma prestação de contas à sociedade pelo seu trabalho. Não tenho dúvida de que estamos fazendo uma melhoria ao tecido social”, disse. Ela declarou que não temos como enfrentar a violência se não melhorarmos a promoção do diálogo respeitoso, o qual faz parte da mediação de conflitos.

Por meio da sua história e do seu corpo, a palestrante Kareemi provou que grandes tragédias podem se transformar nas maiores oportunidades para a realização pessoal e profissional. A jornalista, que atuava como executiva de mídia em grandes redes de comunicação do país, teve sua vida transformada no Réveillon de 2012, quando sofreu um grave acidente que a deixou entre a vida e a morte e ocasionou a amputação de seu braço direito.

Buscando a interatividade com a plateia, Kareemi enfatizou que sua conversa era sobre vida, que é feita de fatos encadeados e de conflitos nas relações interpessoais. Mas, o entendimento e o diálogo para a boa convivência estão embasados na paciência, como ciência da paz, para ouvir os lados conflituosos. Para ela, o segundo passo, também de igual importância, está na capacidade de cada um sentir empatia, que significa colocar-se no lugar do outro. “Portanto, a mediação voluntária é um trabalho de grande valor, nobreza e disposição, tendo que ter muito amor, paciência e empatia para desempenhá-lo”, considerou.

Porém, Kareemi demonstrou preocupação com a possibilidade de o prazer de ser reconhecido como uma referência para a comunidade se transforme num prazer maior do que o serviço prestado, deixando de ser um trabalho voluntário para se tornar um trabalho por interesse pessoal. Além disso, ela pediu que as pessoas não usassem mais a expressão “ter um problema”, preferindo mencionar que ocorreu um fato. “Quando conotamos um fato como problema, isso se torna um fardo, tencionando-o como uma dificuldade. Quero que instituam que a palavra problema etá excluída do dicionário da vida de vocês”, disse.

Para ela, viver é resolver fatos e a arte de se lidar com as adversidades. Kareemi afirmou que o pensamento positivo dá comando às atividades funcionais de nossas células, uma vez que as doenças teriam origens emocionais. “A limitação das nossas capacidades está na mente. O nosso padrão mental pode ser mudado a favor de uma vida fluida, capaz, hormônica e em paz, concretizando as boas intenções”, entende.

Através da sua vivência ela argumenta a possibilidade de ressignificar fatos difíceis da vida e desenvolver resiliência e aceitação, contagiando os espectadores ao transmitir suas experiências e fazendo com que as pessoas consigam transportar para as respectivas vidas a maneira leve que Kareemi tem de ver e viver fatos tão inusitados desde a infância.

O Programa Núcleos de Mediação Comunitária do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), a partir da Coordenação do Programa Núcleos de Mediação Comunitária, pelos promotores de Justiça Iertes Meyre Gondim Pinheiro, Saulo Moreira Neto e Ana Claudia Uchoa de Albuquerque Carneiro, tem por finalidades a transformação e o empoderamento do cidadão para, através da mediação, dos seus princípios e metodologia, protagonizarem na missão da promoção da paz a partir do diálogo de maneira responsável e cooperativa na busca das melhores soluções que satisfaçam a todos e, dessa forma, emanciparem-se do Estado, gerando autonomia e empoderamento nas suas ações na resolução de seus conflitos.

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