sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Jazz em Cena apresenta sábado, 11/11, no CCBNB, show inédito Tributo a Charlie Parker, com Bob Mesquita e grupo. Entrada franca

Um dos maiores nomes da cena musical cearense, o saxofonista Bob Mesquita apresenta no Jazz em Cena, no Centro Cultural Banco do Nordeste, sábado, 11/11, às 19h, com entrada franca, um show especialmente preparado para o projeto: Tributo a Charlie Parker. Uma homenagem ao grande mestre do bebop, considerado por muitos o maior saxofonista da história e um dos três maiores gênios de todas as épocas no jazz.

Elogiado por mestres como Ivan Lins, Bob Mesquita preparou um show inédito, especialmente para o Jazz em Cena. Na companhia de outros grandes nomes da música jazzistica no Ceará - Hugo D´Leon (trompete), Thiago Almeida (piano), Nélio Costa (contrabaixo acústico) e André Benedecti (bateria), Bob Mesquita mostrará ao público temas de várias fases da carreira de "Bird", o grande mestre que se despediu jovem demais, mas deixou uma obra até hoje influente, estudada e apreciada.

"Conheci melhor a obra do Charlie Parker em 2000, no Festival de Música de Campos do Jordão, por meio de um professor norte-americano, David Richards. E já conheci sendo obrigado a transcrever os solos dele. Tive que estudar. E isso me influenciou bastante", destaca Bob Mesquita. "Boa parte das frases do Charlie Parker veio pro meu repertório, se somaram à minha improvisação. Então minha relação com a obra dele é muito próxima", detalha.

"O público do Jazz em Cena no Centro Cultural Banco do Nordeste pode esperar um show bem didático, com muita informação, e um show alegre, como o bebop tem que ser. Aquela sonoridade do bebop, bem característica, com músicos de muita qualidade, tocando arranjos o mais próximo possível dos originais", antecipa. "Além de uma participação de dois saxofonistas muito talentosos: Artur Cavalcanti e Cleilson Bezerra, um menino, que veio de Croatá e é um virtuoso. Um dos melhores saxofonistas do Ceará, tecnicamente falando", ressalta, sobre a oportunidade de abrir espaço para revelar dois instrumentistas de grande qualidade, novos nomes para a cena jazzística cearense.

Repertório: "Bird" entre Miles e Gillespie

Entre os clássicos imortalizados por Charlie Parker que receberão releituras de Bob Mesquita e grupo estão "Donna Lee" (composta por Miles Davis em 1947, mas muitas vezes creditada a Parker, que a registrou com seu quinteto, incluindo o próprio Miles, em maio daquele ano). E "Scrapple from the apple", também de Charlie Parker, composta sobre mudanças de acordes retirados de outros temas, "Honeysucle Rose" e "I got rythm", como era comum em obras desta fase da trajetória do saxofonista.

"Moose the mooche", composta em 1946, na California, também sofre referências à progressão de acordes do clássico "I got rythm", será outro destaque do show, assim como 'Hot house" (escrita em 1945 por Tadd Dameron e tornada um sucesso por Parker e Dizzy Gillespie), "Just friends" (do disco "Bird with Strings"), "Ornithology" (parceria de Parker com o trompetista Benny Harris e mais uma referência ao apelido "Bird", sobre acordes de "How high the moon", de Morgan Lewis), além do super standard "A night in Tunisia", de Dizzy Gillespie, composta no início dos anos 40 e também uma marca registrada da big band de bebop de Gillespie.

"Para escolher o repertório me baseei em dois critérios: a notoriedade da música, escolhendo as mais conhecidas pelos músicos e pelo público, e as músicas que o Charlie Parker tocou com o Miles Davis e com o Dizzy Gillespie. A maioria da obra dele foi em parceria com o Gillespie, mas algumas foram com o Miles. Fiz essa separação no repertório, pra ficar bem didático pro público", ressalta Bob Mesquita.

Mais sobre Bob Mesquita

Saudado por Ivan Lins como"um dos grandes novos talentos da música brasileira”, Bob Mesquita iniciou-se no saxofone nas bandas do Colégio Piamarta, da Assembleia de Deus Bela Vista e do Colégio Júlia Jorge. Em 1999 foi aprovado na rigorosa seleção para saxofonista no 30º Festival de Campos do Jordão (SP), concorrendo com músicos de todo o País a apenas cinco vagas. Na ocasião, teve seu primeiro contato com a improvisação, através de um dos grandes nomes do saxofone mundial, o americano David Richards, que o premiou como destaque do festival.

Nos anos seguintes participou de diversos projetos e eventos musicais, em Fortaleza e Brasil afora. Destaque para o Festival de Música Eleazar de Carvalho, em que foi professor do curso de improvisação junto com o professor Peter Woodart (Hateford-College-EUA) em três edições.

Em 2004 ganhou uma das quatro  bolsas de estudos da Berklee College of Music cedidas pelo conservatório Souza Lima (SP) concorrendo com músicos de toda a América latina, sendo o único representante do Nordeste brasileiro a ser premiado.

Participou de nada menos do que 11 edições do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga (Guaramiranga-CE), sendo a mais recente em 2017. Já dividiu palcos e estúdios com artistas como Rosa Passos, Hélio Delmiro, Arthur Maia, Roberto Sion, Ednardo, Amelinha, Pedro Mariano, dentre vários outros.

Atualmente, está compondo e arranjando as músicas do seu primeiro disco, “Incomum”. Bob segue o rumo de uma carreira prodigiosa, amadurecendo sua concepção musical e explorando seu virtuosismo, sempre em busca de novos sons e experiências que engrandeçam sua arte. Mais recentemente, vem atuando com frequência ao lado dos jovens e virtuosos músicos do Por Um Trio, formado por Hermano Faltz, Iury Batista e André Benedecti, dando uma grande contribuição à renovação e à consolidação da cena jazzística em Fortaleza, no atual momento de crescimento da música jazz na capital cearense.

Mais sobre o Jazz em Cena

Entre os objetivos do projeto "Jazz em Cena" estão contribuir para atender a grande demanda de público por mais shows de jazz em Fortaleza, apresentar a novos ouvintes a obra de grandes mestres da música, ressaltar o talento, a criatividade e o virtuosismo dos instrumentistas cearenses, de grande produção autoral, mas também capazes de recriar, a seu modo, trabalhos musicais históricas por sua beleza e sua importância.

O novo projeto se soma a outros que vêm sendo mantidos na capital cearense, como o Ceará Jazz Series, realizado desde 2015 no Teatro Dragão do Mar, o tradicional Festival Jazz & Blues (promovido em Guaramiranga e Fortaleza desde 2000), o Jeri Choro Jazz(desde 2009), os festivais instrumentais do Centro Cultural Banco do Nordeste e os shows promovidos em diversas casas noturnas, bares, restaurantes, teatros, centros culturais e espaços alternativos, formando uma rede crescente de opções para o público amante do jazz, com produções se ampliando ao longo de todo o ano. O Centro Cultural Banco do Nordeste fica na Rua Conde D´Eu, 560, Centro de Fortaleza.
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