terça-feira, 27 de junho de 2017

Através da ONG Bailarinos de Cristo, Amor e Doações, FENDAFOR transforma vidas de crianças e adolescentes de Fortaleza


A trajetória surpreendente de transformação social dos alunos da BCAD, que brilham nos palcos do mundo a partir da ONG e do Festival Internacional de Dança de Fortaleza

Transformar vidas: um dos pontos positivos do maior festival de dança do Ceará. Além de ser um grande evento cultural, poucas pessoas sabem a importância do Festival Internacional de Dança de Fortaleza para crianças e adolescentes carentes de diversos bairros da capital cearense que ingressaram na ONG que produz o FENDAFOR.

A instituição Bailarinos de Cristo, Amor e Doações – BCAD, fundada em 1994, é proponente do FENDAFOR, responsável pela criação, produção e direção geral do evento. O BCAD partiu da experiência de trabalho desenvolvido pela Companhia de Dança Jane Ruth, criada em 1985. Instalada no bairro Bela Vista, em Fortaleza, a  BCAD beneficia um total de 440 crianças e adolescentes, na faixa etária de 7 a 17 anos desenvolvendo ações relacionadas à arte, cultura, esporte e educação. Também são beneficiados idosos e adultos das 1.100 famílias inscritas no BCAD, através da realização de aulas de alfabetização, de palestras, atividades lúdicas e artesanais, qualificação em corte e costura e outras, entre outras atividades.

O FENDAFOR nasceu no ano 2000 e, desde sua criação, tem como principal objetivo a popularização da Dança no Estado do Ceará, unir talentos e oportunidades, promover as Companhias, Bailarinos e Escolas de Danças, desde o amador até o profissional, do Ballet Clássico ao Popular de apresentarem seus trabalhos e produções artísticas, com todos apreciando o melhor da Dança nacional e internacional, principalmente na troca de saberes e experiências, conhecimentos e intercâmbios, fazendo vistas à formação de plateia por onde ele passa. O Festival oferece ainda palestras cursos de diversas disciplinas promovendo um grande nível de conhecimento, discussões, conferências, lançamentos de livros, exposições e exibições de filmes e vídeos.

“Conheci o BCAD quando tinha 14 anos. A minha tia conheceu o projeto e me inscreveu. Sou morador da Bela Vista e eu sempre me interessei muito por arte”, afirma Alex Silva, bailarino que é uma das revelações do Festival e do BCAD e que estará dançando na noite de abertura do FENDAFOR o novo espetáculo “O Quinze – A Escassez da Alma”. Depois de ter essa oportunidade, Alex ampliou seus horizontes: “Primeiro espetáculo que fiz se chamava “Milagre”, e logo depois vieram outros como “No Nordeste é Assim”, “Califon”, “Neura”. Minha primeira viagem de avião já foi para a Europa, com “Califon”. Viajei por muitas cidades do Brasil com a BCAD Cia. De dança como Recife, Natal, Belo Horizonte, Florianópolis, São Luiz, Teresina. No exterior conheci a Espanha, a Suíça, Colômbia”, afirma. “A sensação de pisar em outros palcos e estar mostrando minha arte e o que sei fazer é inexplicável. Acho que todo bailarino tem um sonho de poder levar o nome da sua cidade para outros lugares e isso me deixa muito feliz”, completa Alex, que agora também trabalha como produtor do FENDAFOR. “Além de ser bailarino da Companhia, tenho uma ótima relação com Janne Ruth. Trabalhar com ela, aprender com Janne diariamente, é muito gratificante. O BCAD, de uma certa forma, mudou minha vida. Se hoje o Alex Silva bailarino existe é por conta do BCAD. Sou extremamente grato pela instituição. Se não fosse o BCAD acredito que nada disso aconteceria”, disse Alex.

Outro bailarino, que agora já é professor, e fez história no Grupo BCAD é Felipe Souza. Seu interesse pela dança surgiu quando ele tinha 10 anos, e entrou em grupo de teatro do bairro, onde participou do espetáculo “Paixão de Cristo”. “As partes dançantes sempre me chamavam muita atenção, foi aí que comecei a pesquisar e aprender por conta própria a dança do ventre”, explicou seu interesse inicial. “Digamos que o BCAD me conheceu. A Janne Ruth estava reunida com alguns amigos e parentes quando um dos presentes resolve mostrar uma coreografia dançada por sua enteada e eu. Ela de cara se apaixonou por nós e logo entrou em contato falando sobre sua ONG e sua escola. Foi quando tudo começou”, disse Felipe. “Meu primeiro espetáculo com o BCAD foi “As Muitas Candelárias do Brasil”, e logo em seguida emendei com “Neura”. Atualmente estou no espetáculo “O Quinze”. Dancei no Rio De Janeiro, Belém, Paraíba”, completou. “O BCAD e todos os outros grupos de teatro que passei me deram um horizonte diferente, me tornaram literalmente uma pessoa melhor. O Fendafor parece um filho que está crescendo, aparecendo e dando muita visibilidade ao Nordeste e aos guerreiros que aqui se encontram”, celebra Felipe.

Felipe Souza também conta, emocionado, como se tornou professor de dança do BCAD: “Primeiro me tornei professor de teatro do BCAD, pelo fato de já ter passado por outros grupos. Em seguida comecei a estagiar como professor de dança dando algumas aulas e logo após que me formei no curso técnico em dança, sendo chamado como professor efetivo. Montei meu primeiro espetáculo no ano de 2016, no qual foi muito emocionante pra mim, pois me via o tempo todo como aquele garotinho desajeitado que levava muitos “carões”. Aquele garotinho agora é um profissional da área e conseguiu se formar, se profissionalizar. Atualmente sou o coordenador artístico do BCAD. Os meus desejos não são nada simples. Mas e sonho com o dia em que a arte seja olhada e valorizada com outros olhos, que a arte seja vista como uma medicina. Ao entrar no consultório, ao receber seus medicamentos, você sai com uma nova esperança, com novas dúvidas, você sai acreditando em si. Ao entrar em um teatro e assistir a um espetáculo, a sensação não é diferente. A arte salva tantas vidas quanto a medicina”, analisa Felipe.

 Da “nova geração”, Vitória e Bianca, de 9 e 10 anos respectivamente, já freqüentam as aulas de balé do BCAD fazem dois anos, e souberam da escola através de amigos. “Eu fazia balé no colégio e minha mãe me cadastrou no BCAD”, diz Bianca, que faz aula duas vezes na semana. “Acho o Fendafor muito bonito, um aprendizado”, diz Bianca, que, inclusive participou da Mostra Competitiva ano passado, e também irá participar este ano. Vitória nunca foi ao festival, e irá conferir esse ano, inclusive participando das competições: “Gostaria muito de ganhar alguma bolsa de estudo para dançar, viajando e aprendendo fora do Ceará”, revelou seu sonho a pequena bailarina Vitória.

FENDAFOR – FESTIVAL INTERNACIONAL DE DANÇA DE FORTALEZA 2017
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