sexta-feira, 28 de julho de 2017

Educadores de escolas públicas do interior do estado recebem formação sobre as Práticas e Tecnologias de Convivência com o Semiárido

“As formações serão realizadas durante todo o mês de agosto nos 20 municípios de abrangência do Projeto Contexto: Educação, Gênero, Emancipação”

Com a proposta de trazer para dentro de sala de aula as temáticas que refletem o contexto e a realidade de professores e alunos que vivem no sertão do Ceará, o Projeto “Contexto: Educação, Gênero, Emancipação”, inicia suas atividades de formação para mais de 1000 professores da rede pública de ensino, com o tema “Modelos de Convivência com o Semiárido”. As formações que acontecem durante todo o mês de agosto, contará com participação de professores, gestores escolares e técnicos das secretarias de educação dos 20 municípios de abrangência do projeto.

Co-financiado pela União Europeia e a ONG We World Onlus, o projeto reúne uma rede de organizações com expertises em educação contextualizada, pedagogia da alternância, práticas restaurativas e cultura de paz, além de assuntos voltados para o gênero e combate à violência contra a mulher, representando os temas que serão trabalhados dentro das escolas no início de cada semestre, durante os 4 anos de realização do projeto.
Dentro de suas especialidades, cada parceiro terá papel importante no processo de sensibilização nos municípios para a construção de um novo modo de pensar o ensino, que permita uma educação emancipadora, contextualizada a realidade de cada região, com uma população consciente dos valores de sua terra e de como utilizar os potenciais do semiárido dentro e fora do âmbito escolar.

Além da afiliada no Brasil, da We World Onlus, participam como realizadores do projeto as organizações Cáritas Diocesana de Crateús, Instituto Maria da Penha, Associação de Cooperação Agrícola do Ceará (ACACE), ESPLAR, Associação de Escola Família Agrícola Dom Fragoso (EFA) e a Pastoral do MenorNE1, sendo a maior iniciativa projetual já realizada envolvendo a mobilização e aplicação da educação contextualizada nas escolas públicas municipais no Estado do Ceará.

“Uma educação que tem a nossa cara, mas sem se fechar no local onde está, nós vamos apresentar um semiárido que tem dificuldade como qualquer outra região, mas cheio de possibilidades”, enfatiza, Cecília dos Reis, Coordenadora do Projeto pela Cáritas Diocesana de Crateús, que estará à frente dos módulos de formação sobre a educação contextualizada e convivência com o semiárido. Segundo a Coordenadora, a ideia é adaptar as disciplinas já ministradas em sala de aula para um novo olhar sobre o semiárido. “Nós sempre tivemos um material escolar que não nos representa, queremos mostrar um novo jeito de ensinar, um jeito que dá sentido aos alunos, que eles se reconheçam, se apropriem desse material”, disse.

Temas como a água, sementes, identidade, gênero, processos de produção agrícola, ecossistema, são alguns dos assuntos já previstos para as próximas formações com os educadores. Segundo o Coordenador do Projeto, Rosângelo Marcelino, a formação envolve toda a comunidade escolar, desde os educadores, os profissionais responsáveis pela merenda escolar, aos técnicos das secretarias de educação municipais. “Todos os assuntos que serão abordados nas escolas estão dentro da realidade dos alunos que convivem com o semiárido e cada tema está interligado, eles serão complementares a cada etapa da formação, por isso é importante que todos participem, queremos abrir possibilidades de debates para os educadores, alertar aos responsáveis pela merenda escolar sobre os hábitos alimentares, valorizando alimentos saudáveis, típicos de nossa região, esses são só alguns exemplos do que pode ser trabalhado dentro da escola”, disse o Coordenador.

Para além das formações, o projeto prevê ainda um acompanhamento pedagógico com profissionais que farão visitas para assessorar os professores na implementação dos temas em sala de aula. No decorrer do semestre, eles contarão com o apoio dos pedagogos(as) do projeto, para orientar caminhos que podem facilitar a didática dentro das disciplinas.

Para Rosângelo Marcelino, a receptividade dos gestores públicos dos municípios para a implementação do projeto, traz otimismo com relação aos resultados logo nessa primeira etapa. “Estamos trazendo uma formação voltada para as pessoas, para valorização desse bioma tão rico que é o semiárido, e a forma como estamos sendo recebidos pelas secretarias de educação dos municípios me deixa muito otimista com os resultados que o projeto pode alcançar”, disse.

Fortalecendo a importância de aproximar alunos, professores e familiares para os assuntos que são essenciais para toda a comunidade local, ao final de cada semestre, serão realizadas culminâncias, onde os estudantes poderão expor seus trabalhos e o aprendizado adquirido durante todo o semestre dentro da temática proposta em sala de aula.


Política Pública

Um dos pontos mais importantes do projeto “Contexto: Educação, Gênero, Emancipação”, é tornar essa metodologia de ensino, desenvolvida pela Rede de Educação do Semiárido Brasileiro – RESAB, uma política pública para todas as escolas dos municípios participantes do projeto.

Atualmente, os municípios de Ipaporanga, Tamboril, Quiterianópolis e Nova Russas, já desenvolvem esse trabalho pedagógico como política pública, onde foi possível universalizar a educação contextualizada em toda a rede de ensino da região. Incluindo esses três municípios, o projeto conta com a participação de mais 17 cidades, são elas: Ararendá, Boa Viagem, Crateús, Dep. Irapuan Pinheiro, Ipueiras, Madalena, Milhã, Mombaça, Nova Russas, Novo Oriente, Pedra Branca, Piquet Carneiro, Poranga, Quiterianópolis, Quixeramobim, Senador Pompeu, Solonópole, Tamboril e Tauá.

De acordo com o Coordenador do Projeto, Rosângelo Marcelino, a base para alcançar uma transformação social efetiva, passa pela estruturação de uma educação emancipatória e o fortalecimento das organizações sociais dentro dos municípios. “É muito importante o fortalecimento das organizações que são representativas para a sociedade, seja o diálogo com os órgãos públicos, aos conselhos de mulheres, associações, sindicatos, por isso pensamos na construção de um Grupo de Trabalho Municipal, que possa mobilizar e engajar essas instituições a estarem juntas, comprometidas em dar continuidade a esse trabalho iniciado com o projeto”, reforça o Coordenador.


Confira o calendário das Formações

28 de julho – Quixeramobim
31 de julho – Mombaça
04 de agosto – Pinheiro, Milhã e Senador Pompeu
05 de agosto – Madalena, Boa Viagem e Piquet Carneiro
08 e 09 de agosto – Ipaporanga
08 a 10 de agosto – Tamboril
11 de agosto – Solonópoles
17 de agosto – Pedra Branca
18 de agosto – Poranga, Ararendá e Ipueiras
22 e 23 de agosto – Quiterianópolis
24 de agosto – Tauá, Novo Oriente e Nova Russas
25 de agosto – Crateús
Enviar

Deixe seu comentário: