sexta-feira, 22 de setembro de 2017

No Hospital de Messejana, cirurgia cardíaca é realizada em meio a fungos e lagartixa


Imagine ser submetido a uma cirurgia cardíaca em uma sala repleta de fungos e réptil?! Tal cena foi gravada, esta semana, no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em Fortaleza, referência no diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas e pulmonares. A unidade, do Governo do Estado, também se destaca por ser o único centro médico do Norte e Nordeste do País na realização de transplante de pulmão.

O vídeo foi enviado ao Sindicato dos Médicos do Ceará, através do aplicativo Canal do Médico, em mais uma denúncia dos profissionais sobre as condições adversas que enfrentam, rotineiramente, no exercício da Medicina. Nas imagens, um médico demonstra preocupação ao descrever as condições do ambiente em que acabou de fazer uma cirurgia de revascularização do miocárdio, também conhecida como ponte de safena, um procedimento longo e complexo, que já oferece alguns riscos em circunstâncias normais, pois é necessário abrir o tórax do paciente e interferir no funcionamento do coração.


“Ó [olha] aqui eu tô [estou] filmando a sala 1, onde eu acabei de realizar uma cirurgia...cirurgia cardíaca...colocamos duas pontes [de safena], certo? E o detalhe interessante é a condição da parede aqui da sala...mas, como é do Governo [Estadual], isso não tem problema...e que interessante a educação daquela lagartixa, olha!? Se manteve quietinha lá. Ok pessoal. Espero que tudo corra bem”, relata o profissional cuja voz foi distorcida, visando a preservação de seu anonimato.

Para a presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dra. Mayra Pinheiro, “o vídeo é o retrato chocante da realidade da imensa maioria dos serviços de Saúde no Ceará. Um centro cirúrgico com paredes repletas de fungos agravam os riscos de infecção para o paciente – já exposto à complexidade do procedimento. A presença de qualquer inseto e de réptil em ambiente hospitalar, é inadmissível pela possibilidade de veiculação de doenças. Em ambiente cirúrgico, então, onde deve haver a mais completa assepsia e antissepsia, visando evitar a infeção hospitalar, torna a cena deplorável, lamentável. Estamos todos expostos: pacientes e profissionais da Saúde”.

Ofício a Parlamentares

Nesta quinta-feira (21), o Sindicato dos Médicos do Ceará oficiou deputados estaduais e vereadores médicos e ou com ligação a entidades representativas de profissionais da Saúde, solicitando que estes busquem, junto aos Governos do Estado e Município (Fortaleza), garantias à saúde da população, “que tem sofrido grave violação dos direitos assegurados pela Magna Carta”.

No documento, a entidade destaca: persistente falta de equipamentos e medicamentos nas unidades de saúde; não realização de cirurgias; precariedade das instalações das unidades de saúde; atrasos superiores a 90 (noventa) dias dos repasses das remunerações dos profissionais que prestam serviços à Secretaria Estadual de Saúde (SESA) através das cooperativas médicas, com risco de encerramento da prestação do serviço à população; falta de segurança nas unidades de saúde; manutenção de pacientes em corredores de hospitais; demora na realização de exames complementares; manutenção de pacientes, em estado grave e que necessitam permanecer em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs); elevada taxa de mortalidade no Hospital Infantil Albert Sabin, decorrente da falta de leitos de UTI pediátrica; elevado número de profissionais trabalhando, através de vínculos precários (Recibo de Pagamento Autônomo-RPA), para a Prefeitura Municipal de Fortaleza; cancelamento da contratualização, para a realização de cirurgias cardíacas, na rede conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) por parte da SESA; ausência de profissionais para atendimento à população nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); além da falta de ambulâncias na rede de urgência e emergência estadual e municipal.

Os ofícios foram enviados aos parlamentares: Antônio Pinheiro Granja; Bruno Barros Gonçalves; José Sarto Nogueira Moreira; Carlos Felipe Saraiva Bezerra; Silvana Oliveira de Sousa; Fernando Hugo da Silva Colares; Heitor Correia Férrer; Leonardo Franklin Nogueira Pinheiro; Lucílvio Girão Sales; Manoel Raimundo de Santana Neto; Plácido Sobreira Filho e Priscila Costa.

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