segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Jazz em Cena: sexteto feminino cearense lotou o CCBNB sábado, 7/10, no Tributo a Rosa Passos, com rosas para o público. Próximo show é dia 11/11, com Bob Mesquita tocando Charlie Parker

Um show que destacou o talento musical de seis jovens mulheres cearenses, reunidas para homenagear uma das artistas brasileiras mais reconhecidas no cenário internacional do jazz, e celebrou o samba, o samba-jazz, a bossa, a sutileza, o protagonismo feminino, com direito a rosas para o público e lacinhos da campanha Outubro Rosa. Assim foi a estreia do "Tributo a Rosa Passos", na noite de sábado, 7/10, lotando o Centro Cultural Banco do Nordeste, pelo projeto Jazz em Cena. O espetáculo foi transmitido ao vivo pelo Facebook do Jazz em Cena, tendo na audiência a própria Rosa Passos, em Brasília, sempre mandando mensagens de incentivo para o grupo, como foi ao longo de todo o trabalho de preparação do show.

O show ressaltou a luta por maior presença feminina no jazz e na música instrumental com um todo, destacando novíssimos nomes da cena cearense: Adália Raquel (voz), Theresa Rachel (violão), Joana Lima (piano), Mirele Alencar (contrabaixo), Raquel Lopes (percussão) e Daniele de Azevedo (bateria). Na direção musical, Yago Fernando de Castro, também um jovem músico cearense, que subiu ao palco antes da apresentação para falar sobre o show e chamar as artistas para entrar em cena, no espetáculo que estreou ampliando o debate sobre as questões de gênero no cenário musical e a "invisibilidade" das mulheres que se dedicam à carreira de instrumentista. Foi também uma forma de incentivar mais musicistas a atuar na cena jazzística e instrumental.

A noite contou com distribuição de 200 rosas, presente da Tomoé Floricultura, celebrando a homenageada do show e reforçando a campanha Outubro Rosa, de conscientização e prevenção contra o câncer de mama. Também dos lacinhos da campanha, por representantes do movimento no Ceará, além da presença da coordenadora de Políticas para as Mulheres, do Governo do Estado do Ceará, Camila Silveira.

De Caymmi a Jobim, de Gil a Djavan

E foram muitos os aplausos, desde o clássico "Vatapá", de Dorival Caymmi, canção escolhida pelo sexteto para abrir a noite já colocando o público pra cantar. O samba continuou dando o tom com a contagiante "Samba sem você", de Rosa Passos e Fernando de Oliveira, em uma releitura inspirada das jovens musicistas cearenses, com a elegância do baixo de Mirele Alencar e da bateria de Daniele de Azevedo chamando atenção de imediato. A voz de Adália Raquel foi acompanhada no refrão pela plateia que lotou o centro cultural. "A conversa vai mal, mas não é bem assim... Eu só quero dizer: venha logo pra mim".

Outro clássico, "É luxo só", de Ary Barroso e Luis Peixoto, que deu nome ao disco que Rosa Passos dedicou especialmente a homenagear Elizeth Cardoso, também ganhou muitos aplausos, com direito a destaque especial para a percussionista Raquel Lopes, brilhando no pandeiro. Já o maestro soberano Tom Jobim, atual homenageado de Rosa com um show que vem girando o País, foi celebrado pelas jovens musicistas cearenses com duas canções: "Só danço samba", com direito a introdução pelo contrabaixo de Mirele e participação especial da flautista Sara Rebeca, e "Outra vez", com arranjo inspirado, costurado pela delicadeza de Adália, do violão de Theresa Rachel e do piano de Joana Lima, para muitas palmas. "Essa canção foi escolhida pela própria Rosa Passos, para estar neste show", revelou Adália, para mais aplausos.

Samba-jazz e delicadeza

Outro clássico, "Diz que fui por aí", de Zé Kéti e Hortêncio Rocha, ganhou uma leitura mais cadenciada, com espaço para a melodia e as instrumentistas brilharem. E todo mundo voltou a cantar junto com Adália: "Tenho meu violão pra me acompanhar, tenho muitos amigos, eu sou popular, tenho a madrugada como companheira..."

Outros destaques da noite foram as canções mais conhecidas de autoria de Rosa Passos e Fernando de Oliveira: todo o lirismo e a poesia a um tempo contemplativa e transformadora, escapista e hipnótica de "Dunas" ganharam uma versão diferenciada, em um dueto de vozes e violões com Adália Raquel e Theresa Rachel. Um dos momentos mais aplaudidos do show, pelo talento das jovens musicistas, pela destreza no violão, pela riqueza dos timbres contrastantes de voz,  pela beleza da canção e pelo sentimento com que a ela se entregaram. "Mês de março em Salvador, o verão está no fim...".

Aplausos para elas

Com todo o sexteto de volta ao palco, outra jóia mais do que preciosa do repertório de Rosa e Fernando, "Juras" foi também aplaudidíssima, com sua modulação harmônica e sua letra que demonstra quanta intensidade pode caber em uma canção de amor (ou desamor?). Um arranjo especialmente trabalhado por Yago Fernando de Castro para "Azul", de Djavan, também em referência a outro disco gravado por Rosa, homenageando o grande compositor alagoano, deu espaço para as musicistas brilharem, com direito à improvisação. E mais aplausos para todas.

Fechando a noite, todo o suingue de "Ladeira da preguiça", puxada pelo piano de Joana e reforçada pelo violão de Theresa, pelo baixo de Mirele, pela percussão de Raquel e pela bateria de Daniele, novamente muito aplaudida. O show teve ainda dois "bis", com "Vatapá" e "Samba sem você" novamente embalando a plateia, que fez questão de abraçar as artistas nesta estreia marcada por dedicação, entusiasmo, beleza. Inspiração.

Público lotou o CCBNB

Entre os espectadores que lotaram o Centro Cultural Banco do Nordeste para a estreia do show, muitos músicos e professores de música, reforçando a importância de um espetáculo realizado exclusivamente por musicistas. A professora Lu Basile, o maestro Poty Fontenele, a cantora Idilva Germano e o compositor e arranjador Maurício Matos, além de seu colega do programa "Encontro com o Jazz", da Rádio Universitária FM, Carlos Couto, elogiaram a apresentação. O jornalista Marcos Sampaio também fez questão de cumprimentar as musicistas após o espetáculo.

Próximos shows: Charlie Parker e Pat Metheny

Os próximos shows do Jazz em Cena, sempre aos sábados, 19h e com entrada franca, no Centro Cultural Banco do Nordeste, acontecerão nos dias 11 de novembro, com o grande saxofonista cearense Bob Mesquita e grupo prestando tributo a Charlie Parker, um dos maiores nomes da história do jazz.

Em outra vertente jazzística, o mestre Pat Metheny será homenageado no show do dia 2 de dezembro pelo guitarrista Mimi Rocha, outro nomes de forte destaque na cena musical cearense. Os nomes de Charlie Parker e Pat Metheny estiveram entre os mais destacados em sugestões e pedidos para novos shows do projeto, no Facebook do Jazz em Cena.

Mais sobre o Jazz em Cena

Entre os objetivos do projeto "Jazz em Cena" estão contribuir para atender a grande demanda de público por mais shows de jazz em Fortaleza, apresentar a novos ouvintes a obra de grandes mestres da música, ressaltar o talento, a criatividade e o virtuosismo dos instrumentistas cearenses, de grande produção autoral, mas também capazes de recriar, a seu modo, trabalhos musicais históricas por sua beleza e sua importância.

O novo projeto se soma a outros que vêm sendo mantidos na capital cearense, como o Ceará Jazz Series, realizado desde 2015 no Teatro Dragão do Mar, o tradicional Festival Jazz & Blues (promovido em Guaramiranga e Fortaleza desde 2000), o Jeri Choro Jazz(desde 2009), os festivais instrumentais do Centro Cultural Banco do Nordeste e os shows promovidos em diversas casas noturnas, bares, restaurantes, teatros, centros culturais e espaços alternativos, formando uma rede crescente de opções para o público amante do jazz, com produções se ampliando ao longo de todo o ano. O Centro Cultural Banco do Nordeste fica na Rua Conde D´Eu, 560, Centro de Fortaleza.
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