sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Entrevista: Nós do PT temos clareza do nosso papel contra retirada de direitos, diz Pimentel

O primeiro secretário da mesa diretora do Senado, senador José Pimentel (PT-CE), concedeu entrevista, nesta quinta-feira (2/2), em Brasília, sobre a eleição para o cargo. Pimentel afirmou à rádio O Povo/CBN, de Fortaleza, que sua indicação respeita o critério da proporcionalidade e resulta dos votos obtidos pelo PT nas eleições para o Senado, em 2010 e 2014.
O senador também falou sobre a importância de os três senadores cearenses assumirem funções de destaque no Senado. Eunício Oliveira foi eleito presidente do Senado e Tasso Jereissati é cotado para assumir a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Leia a íntegra da entrevista de Pimentel
O que motivou o senhor a compor a mesa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)?
Pimentel: Primeiro não é a mesa do senador Eunício, é a mesa do Senado Federal.  Em segundo lugar, o preenchimento da mesa do Senado é resultado das urnas de 2010 e 2014, que assegura no Regimento Interno do Senado Federal e na Constituição Federal o princípio da proporcionalidade. Portanto, em respeito àqueles que votaram na esquerda, em respeito ao voto do cidadão cearense e brasileiro, desde quando o Partido dos Trabalhadores tem assento no Senado Federal, participa da mesa. E este resultado das urnas que o PMDB teve é que assegura ao PMDB a indicação do primeiro nome. Portanto, é um equívoco dizer que é o Senado do Eunício Oliveira. O Eunício representa o PMDB com os votos que ele teve e eu represento o Partido dos Trabalhadores com os votos que o PT teve.
Sobre o papel do primeiro secretário da mesa diretora do Senado no debate da reforma da Previdência Social.
Pimentel: O papel do secretário da mesa é executivo. O papel do senador José Pimentel é outro. Quem constrói a agenda de votação é o colégio de líderes, presidido pelo presidente do Senado, e nós do Partido dos Trabalhadores temos muita clareza da nossa função nesse momento de retirada de direitos. Nós defendemos um projeto de crescimento econômico com inclusão social e distribuição de renda. Fizemos isso durante 13 anos e eu tive o privilégio, no governo Lula, de ser ministro da Previdência Social. Na minha gestão nós montamos um processo para atender bem as pessoas. E, acima de tudo, a previdência pública urbana do INSS, que é a contributiva, teve saldo positivo de 2008 a 2015. O desastre do resultado da Previdência é de 2016 para cá, resultado de um governo conservador e ilegítimo.     
Sobre a proposta de reforma da Previdência.
Pimentel: A minha posição é muito clara. Vamos defender tudo que nós desenvolvemos durante o governo Lula e Dilma e quando fui ministro da Previdência Social. É com este olhar, de “nem um direito a menos”, que nós vamos conduzir esse debate. E é verdade, o golpe de estado dado em 2016 foi feito para retirar as poucas conquistas que a classe trabalhadora teve no Brasil, que é da tradição conservadora do estado nacional.
Sobre a presença de três senadores do Ceará em cargos relevantes do Senado Federal.
Pimentel: O preenchimento de espaços no estado nacional foi uma luta permanente das cinco regiões brasileiras. Eu vejo aqui a imprensa do Sul, do Sudeste, quando eles emplacam um ministro nas cortes do poder Judiciário, quando eles conquistam um espaço aqui no parlamento e até através de um processo ilegítimo e de golpe que os leva para a Presidência da República, eles divulgam e valorizam. Lamentavelmente, nós da região Nordeste, não temos essa capacidade política de compreender, [que] se os vários extratos sociais estiverem no papel do Estado, a possibilidade de diminuir as desigualdades regionais, como aconteceu no governo Lula, de melhorar a qualidade de vida do povo cearense e nordestino, é muito maior. Infelizmente, a compreensão de setores da imprensa do Nordeste não chegou ainda a esse ponto. Por isso, a gente sofre bastante.     
Sobre o trabalho conjunto do senador Pimentel, do PT, com senadores do PMDB e do PSDB.
Pimentel: O primeiro registro é que a ida do Partido dos Trabalhadores para a primeira secretaria é resultado das urnas de 2010 e 2014 que assegura o espaço na mesa do Senado Federal. O segundo fator é que os três senadores do Nordeste pela bancada do Ceará trabalham juntos na defesa dos interesses do Nordeste e do Ceará. Dois exemplos concretos dessa atuação: no final de 2015, o governador Camilo Santana manda para cá (Senado) um empréstimo de 800 milhões de dólares que é exatamente as rodovias do Programa Ceará Ponta a Ponta. Em 48 horas, este senador e os dois outros do Ceará votamos essa matéria por unanimidade, apesar da resistência de senadores das regiões Sul e Sudeste. Veio para cá, no mês de agosto de 2015, o Projeto São José III, no valor de 300 milhões de dólares, que é exatamente o programa de convivência com a seca e um conjunto de ações voltadas para o agricultor familiar e as regiões mais pobres do Ceará. Em 48 horas, o projeto foi aprovado por unanimidade, através do trabalho de José Pimentel, Eunício Oliveira e Tasso Jereissati. Portanto, os três senadores têm posição clara que o nosso papel é defender os interesses do Ceará e do Nordeste. 
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