quarta-feira, 10 de maio de 2017

Museu do Ceará: exposição sobre a saúde mental e a luta antimanicomial teve abertura nesta terça, 9/5

Integrando a programação da Semana de Museus, a mostra trata da leitura sobre o universo da saúde mental e da loucura a partir da perspectiva de mulheres e homens, usuários do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) e de artistas convidados

O Museu do Ceará, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), abriu a exposição "A Resistência e Luta: por um novo olhar para a loucura", com pinturas e esculturas de artistas como J. W. Crispim, Ernesto Sal, Marina Rodrigues, Camila Santos Sousa, Carlos Bandeira, Helena Karla e Francisco Lima, na tarde desta terça-feira, 9/5, reunindo um grande público. Integrando a programação da Semana de Museus e em parceria com o Fórum cearense da Luta Antimanicomial , a mostra trata da leitura sobre o universo da saúde mental e da loucura a partir da perspectiva de mulheres e homens, usuários do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) e de artistas convidados, que registraram, através de linguagens artísticas distintas, como pinturas e esculturas, suas angústias, esperanças e resistências cotidianas. A abertura contou com a presença de artistas como J. W. Crispim, Ernesto Sal e Camila Santos, que realizou uma performance.

Segundo a curadora da exposição e professora de história da Univerisade Federal do Ceará, Claúdia Oliveira, as artes, no contexto da exposição, tornam-se importantes instrumentais transformadores, tanto na perspectiva individual como coletiva. "É bom destacar que esse museu é um lugar de memória, de reconstituição histórica e nós temos aqui sujeitos que às vezes são visibilizados e outros que são silenciados. A gente observa que aqueles e aquelas que foram um dia chamados de loucos são historicamente sujeitos invibilizados. Por isso é muito gratificante trazer a temática sobre a loucura e a saúde mental para um espaço como este. É uma forma de ratificar e consolidar a ideia de que as mesmas pessoas que têm transtorno mentais e sofrimentos podem e devem ressiginifcar as angustias diárias. As obras de arte são uma forma de poder dar sentido à vida", comentou.

A exposição, acolhida pelo Museu do Ceará, faz parte das comemorações em torno do 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, data em que se discute a necessidade da construção de uma sociedade em que elabore outras formas de lidar com a saúde mental. A data coincide com a 15ª Semana de Museus, promovida pelo  Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), de 15 a 21 de maio.

"Para nossa grata surpresa, o mês de maio é um mês que dedicamos à Luta Antimanicomial - fazendo uma reflexão sobre quais são as políticas públicas em relação à saúde mental - e ao mesmo tempo o mês de maio é quando se comemora os museus, refletimos sobre o papel dos museus na contemporaneidade. Temos um mês promissor de diálogos", destaca a curadora.

Percepções sobre a arte

Durante a abertura da exposição, o professor Raimundo Lima, que também compartilha a curadoria da mostra com a profª Cláudia Oliveira, falou sobre a percepções dos artistas retratadas nas obras. "Ao entrar na galeria, pode-se perceber a persona, a história e até mesmo a elaboração de conteúdos reprimidos dos artistas", comentou.  

Já o artista J. W. Crispim, que tem suas obras reconhecidas nacionalmente, aproveitou para agradecer pela oportunidade de expor. "Agradeço o Museu do Ceará por nos dar oportunidade de mostra a importância da arte na saúde mental. Nas obras podemos ver mensagens. São sentimentos de tristeza e dor passados como alegria através de telas e esculturas", ressaltou. 

Palestra

Complementando a programação da exposição, no dia 18/5, às 15h, o Museu do Ceará recebe a palestra "18 de Maio: dia de luta por uma sociedade sem manicômios, no passado e no presente", durante o projeto "Diálogos em História". "Vamos trabalhar um pouco sobre como surge a institucionalização da loucura, como surgem os hospitais psiquiátricos historicamente. Articularemos essa ideia com os tempos atuais, no sentido de dar voz ao sofrimento feminino, à violência contra a mulher e combatê-lo", destaca a professora Cláudia Oliveira. 

Serviço 
Exposição "A Resistência e Luta: por um novo olhar para a loucura"
Em cartaz até o dia 9 de junho, no Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51 - Centro)
Visitação: De terça-feira a sábado, de 9h às 17h
Entrada Franca.
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