Exposição Luciano Carneiro: um olhar cearense na revista “O Cruzeiro’’em cartaz no Dragão do Mar





 
Em cartaz, no Centro Dragão do Mar, a exposição inédita “ Luciano Carneiro: o olho e o mundo” traz centenas de fotografias de um dos mais importantes correspondentes da revista O Cruzeiro.  A exposição é uma parceria entre o Instituto Dragão do Mar e o Instituto Moreira Salles.

A exposição “Luciano Carneiro: o olho e o mundo” será aberta ao público a partir desta quinta-feira (22/02), às 19h, no Museu da Cultura Cearense, no centro Dragão do Mar. Sob curadoria de Sergio Burgi, coordenador de Fotografia do IMS, a mostra pretende difundir a visão de um talento ainda pouco conhecido na história da fotografia brasileira, a partir do olhar do correspondente cearense, permitindo um denso recorte sobre o início do moderno fotojornalismo no país.

Luciano Carneiro: O Olho e o Mundo" irá ocupar dois andares do Museu da Cultura Cearense, exibindo um acervo de mais de 300 fotografias e outros documentos como matérias de época, revistas e fac-símiles de matérias. Outros destaques são: um vídeo sobre a importância da revista O Cruzeiro do ponto de vista de fotógrafos, com depoimentos de Luiz Carlos Barreto e Flávio Damm, que trabalharam na revista, e Walter Firmo e Evandro Teixeira, que nela encontraram a mais forte inspiração no início da carreira; e um minidocumentário produzido para a montagem original da exposição sobre Luciano Carneiro, com entrevistas de Ziraldo e Luciano Carneiro Filho, entre outros.

Lançada em 1928 por iniciativa de Assis Chateaubrian a revista O Cruzeiro se tornou nas décadas de 50 e 60 um grande veículo de comunicação de abrangência nacional e internacional que contou com a genialidade de jornalistas e fotógrafos cearenses. ‘’Há sem dúvida uma contribuição dos cearenses na construção dessa revista, na documentação e ilustração das notícias, tinha um diferencial dessa geração que era o compromisso com a informação’’, afirma Sérgio Burgi, curador da exposição.


Cearenses na Cruzeiro

Uma geração de cearenses colaborou com a revista. A escritora Rachel de Queiroz, por exemplo, publicou crônicas durante trinta anos, entre 1940 e 1970 que eram escritas na seção “última página’’. Com viés político, seus textos traziam regionalismos, memória e fatos da ditadura. Já  Luiz Carlos Barreto, nascido em Sobral, começou como repórter da revista, mas em pouco tempo trocou a reportagem pela fotografia, e foi correspondente da revista em Paris, onde estudou cinema e literatura. Depois que conheceu Glauber Rocha, “Barretão” como é conhecido, iniciou a carreira no cinema, estreando o cinema novo no Brasil.

Indalécio Wanderley foi outro ícone da fotografia brasileira, na revista ‘’O cruzeiro’’, seu nome consta nos créditos de todas as matérias sobre os concursos de Misses dos anos 50 e 60, ele foi um dos brasileiros que mais fotografou as mais belas mulheres do mundo.

O Instituto Moreira Salles vem ao longo dos últimos anos dedicando-se à pesquisa sobre o fotojornalismo no Brasil, principalmente a partir da produção dos fotógrafos que atuaram na revista. “Apesar de ter sido  uma revista editada no Rio de janeiro, capital na época, ela aglutinou gente de todo país e formou uma geração de fotojornalistas mais engajados e humanistas e que imprimiam relevância para a notícia e no meio de todos eles tinha a estrela maior que foi Luciano Carneiro”. Conclui Sérgio.


O Instituto Moreira Salles


Fundado em 1992 pelo embaixador e banqueiro Walther Moreira Salles (1912-2001), o Instituto Moreira Salles é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade exclusiva a promoção e desenvolvimento de programas culturais. O IMS possui um rico acervo de fotografia (2 milhões de imagens), música (cerca de 20 mil discos de 78 rotações e 6 mil de 33 rotações), iconografia (10 mil desenhos e gravuras e arquivos pessoais de artistas gráficos) e literatura (com cerca de 150 mil itens de biblioteca e arquivos pessoais de autores), que estão apropriadamente abrigados em reservas técnicas no Rio de Janeiro. Entre as coleções, destacam-se as fotografias de Marc Ferrez, Marcel Gautherot e José Medeiros, as discotecas de Humberto Franceschi e J.R.Tinhorão, o acervo de Pixinguinha e as bibliotecas de escritores como Ana Cristina Cesar, Otto Lara Resende e Carlos Drummond de Andrade.


Parte deste acervo, bem como a programação das unidades, podem ser consultadas em ims.com.br. Além deste site, o IMS abriga também mais de uma dezena de endereços virtuais, como a Rádio Batuta, com programas especiais e streaming 24h, os sites dedicados a Pixinguinha, Clarice Lispector e Ernesto Nazareth, o Correio IMS, com cartas de personalidades brasileiras, e o Blog do IMS, uma revista digital de cultura com conteúdo exclusivo. Na área editorial, além de livros e catálogos, publica as revistas serrote, de ensaios, e ZUM, de fotografia, que também contam com sites próprios.

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