#audioinclui

quarta-feira, 27 de março de 2019

Publieditorial - Guerra dos Farrapos: o que aconteceu entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai


A história da humanidade é recheada de conflitos, batalhas e guerras. Por isso, se você está fazendo um cursinho on-line medicina, não deixe de revisar o conteúdo relacionado à Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, como também é conhecida essa guerra.

Esse conflito durou dez anos, começando no ano 1835 e terminando no ano 1945. Durante parte desse período, o Império não era chefiado por Dom Pedro II, uma vez que o monarca ainda não tinha atingido a idade ideal para assumir o trono.

Portanto, estamos falando de uma crise que começou no chamado Período da Regência. Vamos entender um pouco mais sobre o contexto dessa guerra.

Aspectos econômicos e políticos

Naquela época, o Brasil não era dividido em unidades federativas, como é hoje. O Império era um estado unitário organizado em províncias que não tinham autonomia política. Existia um único governo, que era o governo imperial. Esse governo indicava um presidente para cada província.

Sendo assim, nem sempre os cidadãos se sentiam representados por esses presidentes. Naquela região, as pessoas que eram leais ao governo eram pejorativamente chamadas de “caramurus”, palavra de origem indígena que era usada para se referir aos europeus colonizadores.

Do outro lado, estavam as pessoas contrárias ao governo, chamadas “farroupilhas” Inicialmente, o termo era usado para ofendê-las, insinuando que eles usavam trapos como roupas.

Os “caramurus” apoiavam o Partido Conservador enquanto os “farroupilhas” eram ligados ao Partido Liberal. 

Do ponto de vista econômico, é importante esclarecer que a principal atividade econômica dos gaúchos estava ligada à criação de gado, sendo que os principais produtos comercializados eram o charque, o couro e o sebo.

O problema é que os uruguaios e os argentinos também eram grandes produtores desses artigos e vendiam seus produtos para as províncias brasileiras.

Ao passarem pelas alfândegas, argentinos e uruguaios pagavam impostos menores do que os valores pagos pelos gaúchos. Saía mais barato para um brasileiro comprar charque estrangeiro do que nacional.

Isso levou os estancieiros gaúchos a pedirem medidas econômicas diferenciadas para os produtos, tornando mais caro os itens estrangeiros. Isso não ocorreu. Em seguida, os gaúchos reivindicaram mais autonomia política, sendo que eles foram, novamente, ignorados pelo Império.

O desenrolar da Guerra

Em setembro de 1835, tropas farroupilhas tomaram a cidade de Porto Alegre, expulsando as tropas imperiais. No dia seguinte, o comandante da Guarda Nacional e do movimento, Bento Gonçalves, declara a independência da região. Nascia a República Rio-Grandense.

Para conter a crise, o regente imperial, Diogo António Feijó, nomeou José de Araújo Ribeiro como novo presidente da província. Tempos depois, Bento Gonçalves foi capturado e levado para a Bahia, de onde conseguiu fugir com a ajuda de maçons.

Em setembro de 1837, Gonçalves é eleito presidente da República Rio-Grandense. Nesse mesmo ano, os farroupilhas ganham um novo membro, o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi.

A pressão causada pela falta de resolução do problema fez com que Feijó renunciasse o posto de regente, dando lugar a Araújo Lima. No ano de 1939, Davi Canabarro invade a cidade catarinense de Laguna e proclama a República Juliana (a batalha ocorreu em Julho), estendendo a influência dos farroupilhas.

Em 1840, Dom Pedro II assume o comando do Império. O governo oferece anistia aos rebeldes, mas eles não aceitam. Os farroupilhas acumulam derrotas e precisam mudar sua capital constantemente.

Em 1843, Luís Alves de Lima e Silva, futuramente conhecido como Duque de Caxias, assume o comando das tropas brasileiras. Após muitas derrotas, os rebeldes aceitam a proposta do Império.

Consequências da Guerra

O Tratado de Ponche Verde garantiu anistia aos rebeldes, cobrança de 25% de taxas sobre o charque estrangeiro, a integração dos soldados farroupilhas ao exército imperial (mantendo suas patentes) e a libertação dos escravos gaúchos que lutaram na Guerra.

Esse último item da lista merece um destaque: mais de 800 negros morreram na Batalha de Porongos. Eles lutaram desarmados contra o exército imperial. Essa batalha acelerou o processo de paz.

Alguns historiadores acreditam que essa batalha foi combinada entre farroupilhas e o Império com o objetivo de evitar que os escravos se rebelassem, pois o governo não estava disposto a negociar a liberdade desses homens.

Esses são os aspectos principais sobre a Revolução Farroupilha, um dos conflitos mais importantes da nossa história.

0 comentários:

Postar um comentário

Expresse aqui a sua opinião sobre essa notícia.