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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Internet e crianças: uma relação que requer cuidados para dar certo


Recente estudo aponta que o Brasil é o 8° país com maior exposição de crianças a sites de conteúdo adulto. Quase 60% delas já teve acesso a conteúdo pornográfico, e a origem desse problema está no uso desregrado, afirma psicóloga

“O uso exagerado da internet e sem restrição de conteúdos para uso das crianças, é um problema que deve ser enfrentado com seriedade e responsabilidade pelos pais. A exposição desregrada à internet pode acarretar problemas de diversas ordens, no equilíbrio emocional e no processo de desenvolvimento da criança”, afirma a psicoterapeuta perinatal e parental, Camila Alves. A fala da psicóloga adianta que o assunto é delicado em virtude do cenário em que se observa que as tecnologias perpassam quase todos os âmbitos de existência humana: social, profissional e até espiritual.

A discussão em relação ao frequente acesso das crianças aos computadores e smartphones é um problema atual. Até pouco tempo eram os brinquedos que ocupavam e distraiam os pequenos, mas hoje esse tipo de divertimento concorre com jogos eletrônicos, redes sociais e vídeos do YouTube.

“O brincar infantil tem funções que vão além de divertir as crianças. Durante uma brincadeira, desenvolvem-se habilidades sociais, capacidades motoras, noção espacial, controle das emoções, dentre outros. O tempo excessivo diante de telas pode gerar sérias dificuldades para a criança se relacionar com outras pessoas e para resolver os problemas que a vida real lhe apresentará diariamente".

Exposição das crianças a conteúdos impróprios

Essa discussão poderia não ser tão urgente se ela não estivesse associada ao acesso de conteúdos adultos, por parte das crianças. Recente estudo realizado pela empresa especialista em segurança online, Kaspersky Lab, aponta que o Brasil está entre os 10 países com mais constatações de uso de conteúdo impróprio, na internet, por parte de crianças. Ao Brasil, que ocupa o 8° lugar nessa lista, são atribuídos outros números elevados. A pesquisa aponta que 68% desses usuários já viram algum tipo de conteúdo impróprio, que são em sua maioria, jogos ou sites que propagam a violência, armamento e ameaça ou conteúdo adulto.

Os dados apontam ainda que 59,5% das crianças já viram sites pornográficos e que 26,5% foram direcionados a sites com jogos de azar ou linguagem degradante. Frente a esse fato, a psicoterapeuta Camila Alves afirma que “estas ameaças contra a saúde mental das crianças têm, também, por responsáveis os pais e cuidadores. É comum a muitos de nós oferecermos tablets e celulares às crianças para acalmá-las e então podermos descansar ou realizar outra atividade.

Nesse cenário, a internet é uma válvula de escape. Ela nos dá a falsa garantia de que as crianças estão se divertindo de forma segura e que assim ficam mais calmas. As crianças correm riscos diante do conteúdo exposto quanto há forte relação entre uso excessivo de telas e elevação do nível de ansiedade. Portanto não devemos crer que as crianças estão mais calmas porque estão paradas diante de jogos e filmes. Há uma agitação interna difícil de ser percebida por muitos adultos até que gere consequências na vida da criança ".

Liberdade e limite

Privar as crianças do uso da internet talvez não seja o mais adequado, afinal, a tecnologia está inserida na vida delas, inclusive nas escolas, é o que reflete a psicoterapeuta Camila Alves. “Limite. Essa é a palavra chave para equilibrar a sede de descobrir, que todas as crianças possuem, e o compromisso dos pais no tocante ao crescimento delas, em todas as suas faculdades. Estabelecer regras para o uso de telas é válido e necessário. Acordos sobre os dias, tempo de uso e esclarecimento sobre conteúdos permitidos e proibidos, fazem parte das orientações a ser adotadas pelos pais. É importante que os adultos conheçam também ferramentas de controle de conteúdo na internet.

Para que as orientações sejam compreendidas pelas crianças é fundamental que os adultos sejam exemplo. "De nada adianta falar sobre os prejuízos do uso excessivo de celulares, por exemplo, se os próprios cuidadores passam a maior parte do tempo com o aparelho nas mãos e não destinam tempo de qualidade às suas crianças".

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