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SSPDS promove encontro entre representantes da comunidade judaica e autores de comentários racistas em rede social

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) promoveu, na última sexta-feira (31), um encontro entre representantes da comunidade judaica no Brasil e os quatro autores de comentários racistas direcionados aos judeus em uma rede social. As partes se reuniram para uma conversa sobre arrependimento, empatia, compreensão e bastante aprendizado sobre a cultura judaica com os representantes do Movimento Sinagoga Sem Fronteiras, que representa 25 comunidades judaicas no Brasil. Ao final do bate-papo, os estudantes, com idades entre 20 e 23 anos e acompanhados dos pais, compreenderam que eles tinham muito mais semelhanças do que diferenças. Participaram da reunião o secretário da SSPDS, André Costa, a delegada Patrícia Sena, o rabino Gilberto Ventura, a rabinit Jacqueline Ventura, o presidente da comunidade judaica de Fortaleza, Ribamar de Almeida, e o presidente da comunidade judaica de Tibau, no Rio Grande do Norte, Fabiano Cavalcante.
A distância que separou os insultos postados em uma rede social e os ofendidos ganhou um novo significado após o encontro. Papo vai, papo vem. A conversa tomou um rumo inusitado quando o rabino começou a relembrar costumes nordestinos que foram herdados do convívio com os primeiros judeus que chegaram ao Brasil, fugindo da perseguição na Europa. Apontar o dedo em direção à Lua dá verruga? De acordo com o rabino, não. O costume deriva de uma das tradições da comunidade judaica de apontar o dedo em direção as três estrelas que surgem no céu tão logo o Sol se põe. Esse evento caracteriza o fim do “Shabat” ou “Sabá”, o sábado em que os judeus descansam, seguindo as tradições da Torá, escrituras sagradas da religião que trazem os livros do Velho Testamento.
Um dos estudantes que esteve no encontro revelou que o episódio lhe serviu para abrir os olhos em relação ao outro. “Ao mesmo tempo em que eu me sinto profundamente arrependido e aliviado, eu sinto que essa foi uma conversa extremamente necessária para me elucidar em várias questões, como a questão do estereótipo e das minhas próprias origens. Até para rever um pouco o quão nocivo pode ser o nosso comportamento na internet. Essa falsa sensação de liberdade, que lá é terra sem lei, que ninguém está olhando. Isso é pura ilusão. Você tem que ter plena convicção que você é completamente responsável por seus atos. Você tem que disseminar a empatia, você tem que pensar no próximo, independente do que for fazer. É preciso ter mais empatia, pensar mais em quem está ao meu redor”.
Questionado sobre qual foi o momento mais marcante da conversa, um segundo estudante respondeu que foi o fato de ele perceber que não era tão diferente dos judeus. “Como ser humano, eu percebi que nós não somos tão diferentes assim como eu pensava. Somos muito parecidos. A gente sofre, a gente sente boas emoções. E é isso que estamos fazendo aqui”. Um terceiro garoto admitiu que não conhecia a cultura judaica e que o caso lhe serviu de lição. “Isso tudo serviu não só para abrir minha cabeça, mas para me desafiar a melhorar como pessoa e progredir sempre mais. Não repetir os mesmos erros, procurar melhorar meu convívio social e ter mais empatia para chegar aonde eu quero me tornar, uma pessoa maravilhosa, que todo mundo gosta”, disse. “Vou tentar extrair o máximo do que foi dito aqui para carregar para a vida inteira”, concluiu o quarto jovem.
Para selar a proximidade entre a comunidade judaica e os nordestinos, o Rabino Gilberto Ventura e os demais representantes entoaram uma versão de um cântico judeu ao ritmo de “Asa Branca”. Considerada hino do nordestino, a canção foi imortalizada na voz do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

O caso

O episódio de racismo e ameaça na internet ganhou repercussão após a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) iniciar uma investigação de comentários racistas em uma rede social, nos quais os estudantes cearenses direcionavam ameaças, citando um atentado a uma sinagoga localizada em Fortaleza. O caso foi divulgado no último dia 21 de janeiro, data que marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil. O trabalho de investigação foi conduzido por policiais civis do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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