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Licenciatura Intercultural Indígena Kuaba é reconhecida com conceito 4 pelo MEC; índice define o curso como de excelência

 O Curso de Licenciatura Intercultural Indígena Kuaba, vinculado ao Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará, foi reconhecido com conceito final 4 em relatório de avaliação do Ministério da Educação. O material foi produzido após análise documental e visita virtual às instalações físicas do curso, feita por comissão do Ministério, de 27 a 29 de abril. Com essa classificação – obtida a partir de uma escala de notas que vai de 0 a 5, segundo parâmetros do MEC – a graduação alcança o patamar de curso de excelência.

Imagem: alunos reunidos em círculo
A Licenciatura Kuaba abrange 12 etnias do Ceará: Gavião, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Kanindé, Pitaguary, Potiguara, Tabajara, Tapeba, Tapuia-Kariri, Tremembé, Tupinambá e Tupiba-Tapuia (Imagem: Divulgação)

Para o reconhecimento, os avaliadores analisaram aspectos como organização didático-pedagógica, qualificação do corpo docente e tutorial e infraestrutura. “As consequências são muito positivas porque, além de abrir oportunidade real de termos uma segunda turma do Kuaba, em virtude da ótima nota alcançada, o reconhecimento oficial do MEC comprova a excelência das dimensões pedagógicas e didáticas, do corpo docente e da estrutura da UFC. Tudo isso colabora com a qualificação dos indígenas para atuarem como docentes em suas aldeias”, analisa o Prof. Kleber Saraiva, coordenador  do curso. 

A Licenciatura Kuaba abrange 12 etnias do Ceará: Gavião, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Kanindé, Pitaguary, Potiguara, Tabajara, Tapeba, Tapuia-Kariri, Tremembé, Tupinambá e Tupiba-Tapuia. Ao longo do curso, as aulas foram realizadas no formato tempo-escola, com atividades na Capital, no Centro de Humanidades; e tempo-comunidade, ocorrendo em escolas indígenas situadas em aldeias das etnias participantes. Além de Fortaleza, sediaram aulas do Kuaba as cidades de Caucaia, Itapipoca, Aquiraz, Pacatuba, Maracanaú, Canindé, Aratuba, Monsenhor Tabosa, Poranga, Crateús, São Benedito, Tamboril, Itarema e Novo Oriente.

Na UFC, a Licenciatura Kuaba iniciou as atividades em 2017, com 135 estudantes. Foi criada como fruto de uma parceria com a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e com o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (PROLIND). A denominação Kuaba significa “lugar de conhecimento” em tupi-guarani, nome atribuído pelos próprios estudantes na época de elaboração do curso, em 2016. 

FORMAÇÃO – Dispondo de um corpo docente composto por 23 professores, sendo 22 com título de doutor e um com título de mestre, a Licenciatura Kuaba totaliza 3.306 horas de curso, com duração mínima de oito semestres. Possui uma seleção própria e estrutura-se em cinco núcleos de formação (Culturas Indígenas e Antropologia; Ciências Humanas; História; Língua Portuguesa e Matemática), tendo como objetivo responder à demanda do movimento indígena cearense por formação de professores em nível superior. 

Imagem: alunos e professor em frente a escola indígena
Os egressos do curso estarão aptos a atuar tanto nos anos finais do ensino fundamental quanto no ensino médio, em escolas indígenas e não indígenas (Imagem: Divulgação)

“O Kuaba contempla em sua integralização curricular saberes tradicionais das culturas indígenas do Ceará, associados a conhecimentos acadêmicos e científicos, proporcionando uma formação intercultural com vista a uma educação diferenciada e, ao mesmo tempo, correspondente aos campos educacionais da sociedade contemporânea”, explica o coordenador. 

Os egressos do curso estarão aptos a atuar tanto nos anos finais do ensino fundamental, ou seja, 5º ao 9º ano, quanto no ensino médio, em escolas indígenas e não indígenas. “Essa parceria histórica entre o movimento indígena do Ceará e a UFC vem amadurecendo políticas públicas e educacionais inclusivas, que qualificam os indígenas do estado para uma docência exemplar em suas escolas diferenciadas”, avalia o Prof. Kleber Saraiva. 

APRENDIZADOS – A colação de grau da primeira turma da Kuaba está prevista para dezembro de 2022, após quatro anos de aprendizados e práticas coletivas entre integrantes de diversas aldeias. Professora de História e Geografia para turmas do ensino fundamental e médio na Aldeia Cajueiro, situada a 42 quilômetros da cidade de Poranga, Eliane Gomes pertence ao povo Tabajara. Aluna do Kuaba, ela destaca o aperfeiçoamento de sua atuação como professora a partir da experiência no curso. “Sou professora há algum tempo e o Kuaba vem fortalecendo as minhas práticas em sala de aula, porque é realmente a formação de educação escolar indígena que queremos. O curso nos  mostra vários caminhos de aprendizagem trazendo sempre realidades e vivências”.

Imagem: graduandos da licenciatura Kuaba
Alunos da Licenciatura Intercultural Indígena Kuaba, Itamar Tremembé e Eliane Gomes destacam a integração entre aldeias através do curso (Imagem: Divulgação)

A aluna ressalta ainda os ganhos coletivos advindos das atividades da licenciatura. “Cada disciplina nos trouxe momentos de reflexões tanto pessoal como profissional, e nos motivou a continuar sempre na luta em prol dos nossos direitos já garantidos na Constituição Federal de 1988. Através do Kuaba fortalecemos nossa história de luta e de saberes tradicionais, compartilhamos experiências e conquistamos novos espaços”, declara.

Professor há 18 anos das disciplinas de História e Matemática para alunos do ensino fundamental 2 em Itarema, Itamar Tremembé também integrou a primeira turma do Kuaba. Para ele, o fato de a Licenciatura Kuaba ser intercultural possibilitou que integrantes de aldeias de todo o Ceará pudessem entrar em contato com realidades e lutas diversas. “Conviver com esse pessoal, fazer parte dessa caminhada, foi muito legal, pois conhecemos como vivem, as demandas e os desafios. É um curso que não discute só a questão do aprendizado, mas também da política em torno dessa demanda que são as demarcações. Vem para fortalecer as comunidades e o que a gente compreende como educação bilateral, que é uma educação que não é só nossa, mas pertence ao nosso povo. A expectativa é da gente colar grau no final do ano e fazer uma festa bonita”, comenta.

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