sábado, 3 de março de 2018

Vamos ao teatro! “Maquinista”, novo espetáculo do grupo Pavilhão da Magnólia, estreia em março no Teatro Dragão do Mar

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 Partindo das relações de poder, o jogo se estabelece para “contar” a história do
ator-cangaceiro Antônio Maquinista; o texto é de Astier Basílio e a direção de Herê Aquino.

A história de um “ator” trambiqueiro que entrou para o bando de Lampião, com a promessa de montar uma peça de Shakespeare, transita nos versos e narrativas de dois cantadores repentistas. Realizado pelo grupo Pavilhão da Magnólia, com texto do paraibano Astier Basílio e dirigido por Herê Aquino (do grupo Expressões Humanas), o espetáculo “Maquinista” estreia em março, estando em cartaz nos dias 8, 9, 10, 11, 15, 16, 17, 18 ,23, 24 e 25 (de quinta a domingo) no Teatro Dragão do Mar, sempre às 20h. O valor dos ingressos é R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). É relevante destacar que o espetáculo não teve nenhum incentivo de editais culturais, mas conseguiu muitos parceiros e amigos que colaboraram diretamente na construção dessa obra.

O espetáculo se desenvolve em quadros que se alternam por meio da dramaturgia, música e dança, que dão ênfase ao principal foco da encenação: os jogos entre os micros e macros poderes estabelecidos nas relações humanas. A encenação mergulha, principalmente, na raiz da cultura popular e no filósofo Bakhtin para extrair elementos que permitem uma ampliação e uma ressignificação das cenas. O intuito é parodiar o mundo dos poderosos e as artimanhas que os mantém no poder. Para isso, achamos em Bakhtin e nas festas e ritos populares, o riso folclórico e ambivalente. Aquele riso que não é apenas negativo, mais renovador. Não é unicamente individual, mas comunitário, pois se dirige à todos, inclusive aos que  riem. 

O espetáculo nasce a partir do texto “Maquinista”, de Astier Basilio, premiado no Prêmio Funarte de Dramaturgia/2014. Explora não só a atmosfera temporal da história contada, mas, principalmente, a atmosfera atemporal sugerida pela narrativa dos cantadores. É nesse universo, pontuado pela poesia, musicalidade, figurino, cenário e adereços, que pretendemos atingir o rico imaginário popular e extrair das entrelinhas das relações humanas a complexidade de um “sertão” que ora é particular e ora é universal e infinito, pois dentro da gente, como diz o escritor Guimarães Rosa.

A encenação também se permitiu a uma licença poética na tentativa de transversalizar a obra e provocar uma reflexão sobre a “atual” situação política brasileira.

Ficha Técnica
Direção: Herê Aquino - Texto: Astier Basilio
Elenco: Alessandra Eugênio - Beethoven Cavalcante - Denise Costa - Eliel Carvalho - Jocasto Britto - Jota Júnior Santos - Marina Brito - Nelson Albuquerque - Silvianne Lima
Cenário: Criação Coletiva do grupo - Adereços: Beethoven Cavalcante
Cenotécnico: Ricardo Barroso e Auricélio(Coca Cola) - Figurinos: Rodrigo Ferreira e Joaquim Sotero
Consultoria de Figurino “Prologo”: Marina Carleal - Assistente Figurino: Denise Costa e Beethoven Cavalcante
Maquiagem e Caracterização: Rodrigo Ferreira - Iluminação: Wallace Rios
Musica e Sonoplastia: Jocasto Britto e Eliel Carvalho - Musica Final: Orlângelo Leal, Jocasto Britto e Eliel Carvalho  - Letra: A partir do Livro “O Poemas dos Abraços: O sistema/1 Os funcionários não…” de Eduardo Galeano - Cantores: Erivan Produtos do Morro, Orlângelo Leal e Jocasto Britto
Designer Gráfico: Carol Veras (Quintal Studio de Criação)  - Comunicação: Jota Júnior Santos e Alessandra Eugênio
Preparação Corporal: Marina Brito e Edivaldo Batista  - Preparação Vocal: Carlos Valle
Orientação Danças Populares: Vanildo Franco e Circe Macena
Coordenação de Produção: Nelson Albuquerque - Produção Executiva: Silvianne Lima
Assistente de Produção: Beethoven Cavalcante
Parceria: Grupo Expressões Humanas  - Realização: Grupo Pavilhão da Magnólia


Sobre o Grupo
Fundado em 2005, em Fortaleza no Ceará, o grupo Pavilhão da Magnólia vem desenvolvendo uma pesquisa da linguagem teatral que realiza articulações com profissionais instigados pelas diversas possibilidades cênicas que as artes podem proporcionar. Com produções diversas para o palco, rua e para o público infanto juvenil.

O Grupo também realiza e produz festivais, mostras, projetos de formação e poéticos. Atuando com ações para além de suas próprias produções interagindo desta maneira, socialmente e culturalmente com a cidade. Surgido dentro de uma escola de teatro, o grupo tem em suas atividades o foco na formação, acreditando ser essa uma ferramenta forte de trocas que permitem o fortalecimento da cultura e da cidadania.     

Em 2016, com 11 anos de estrada o grupo Pavilhão da Magnólia passa a sediar um espaço Cena Casarão - Teatro de Grupo, na região central da cidade de Fortaleza uma parceria com 03 grupos importantes. Uma sede que abriga um serie de ações culturais públicas e que potencializa o seu entorno, tornando-se num espaço de fruição, fomento e formação, sendo um centro teatral da cidade. Espaço que funciona a Escola de Investigação Teatral dentro do projeto Escolas da Cultura da Secretaria Estadual da Cultura.

Aspas da Direção:

“Para chegar ao resultado desejado os atores passaram por treinamento musical e corporal com parceiros como Orlângelo Leal, Vanildo Franco, Carlos Valle e Circe Macena. Essa escolha pela música ao vivo vem também de uma pesquisa que venho desenvolvendo em vários outros espetáculos e que investiga esse cruzamento de linguagens artísticas no teatro visando, sobretudo, o próprio ato teatral e o encontro/rito entre ator e espectador.  O cenário, adereços e figurinos seguem essa mistura e essas referências que beiram um sertão barroco e as belas criações contemporâneas de Mestre Expedito Celeiro. A ideia é beber na tradição para extrair a raiz de cada novo experimento.
O Maquinista convida o público para um mergulho teatral que sintetiza o nordeste e o universal, o erudito e o popular, a tradição e a vanguarda. Um desafio que traduz muito bem a trajetória de buscas e desafios de todos os envolvidos.”
Herê Aquino

Serviço:
MAQUINISTA (Temporada de estreia) - 08 a 11|15 a 18 | 23 a 25 de março/2018
20h - Teatro Dragão do Mar - Classificação Indicativa: 14 anos
Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00

Link fotos/ensaio: goo.gl/DxaLko 
Link para release em formato Word e pdf: goo.gl/vTN5Vn 

Contato para Entrevista:
Silvianne Lima – Atriz e produtora (85) 98890 6439 - producao@pavilhaodamagnolia.com.br
Nelson Albuquerque - (85) 9 8607 5502 – nelsonteatro@yahoo.com.br
Herê Aquino - (85) 99629 6744 - hereaquino@yahoo.com.br




Maquinista
por Astier Basilio

É possível conferir licença especial a alguém para transgredir? Um policial, que é pago pelo estado para proteger os cidadãos, pode, no exercício de sua atividade, agir à margem da justiça? Um artista, que cultiva o belo, pode, ao mesmo tempo, fazer algo eticamente indefensável, dar desfalques financeiros nos outros? Eu não estava interessado em fazer uma peça sobre cangaço. Aliás, esta não é uma peça sobre cangaço. Foram aquelas perguntas que me motivaram a escrever Maquinista. O texto foi resultado de uma oficina de dramaturgia, realizada em 2012, ministrada pelo encenador e dramaturgo, Márcio Marciano, do Coletivo Alfenim.

As lições que recebi do teatro épico me ajudaram a cimentar a estrutura de composição cênica.  Em relação ao conteúdo,  me vali de um episódio real e de uma tese, ambos retirados do livro Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano de Mello.  É verídico o episódio do ator, Antonio Maquinista, que dava pequenos trambiques em cidades do interior do Nordeste até que, para se proteger de uma surra, entrou no bando de Lampião. As poucas linhas nas quais se apresenta este personagem ilustram o que o autor chamou de "cangaço como meio de vida". 

A tese do escudo ético, na qual uma sociedade alijada pelo braço do estado, admite que alguém, até cumprir com sua vingança, haja à margem da lei, orientou a composição do universo ficcional criado. Foi por esta razão que, mais de uma vez,  Lampião evitou matar o assassino de seu para não ter sua narrativa de injustiça desmantelada. Na cena em que o fantasma do pai surge, em meio a uma encenação de Macbeth, as falas  ditas por Lampião, no texto, são citações ipsis litteris  de uma entrevista que ele deu a um jornal. 

Não participei diretamente de nenhuma etapa do processo de montagem, a não ser de algumas conversas iniciais, nem sempre fáceis, é justo registrar, porque um teatro vivo tem de ser um palco onde contradições, visões de mundo opostas e pontos de vistas que se entrecruzem, se justapõem e se constroem coletivamente. O que foi imperioso? A confiança, o respeito e a certeza de que a encenadora Herê Aquino faria o seu trabalho. A mim cumpriu dizer que ela tivesse liberdade plena para isso. 

Escrever para teatro é tecer incompletudes. É ordenar um fio que será completado pela feito do encenador e transformado em vida pela voz do ator.
É neste teatro que eu acredito. 

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