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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Dia a dia - Edifício na Maraponga: Polícia Civil indicia proprietários do local após laudos da Pefoce indicarem que o prédio desabou após falhas de projeto e execução


A Polícia Civil do Estado do Ceará, por meio do 19º Distrito Policial, concluiu o inquérito policial que investigou as causas do desabamento parcial do edifício Benedito Cunha, localizado na Travessa Campo Grande, bairro Maraponga, ocorrido no dia 01 de junho. Quatro meses após a ocorrência, a PCCE indiciou os proprietários do local pelos crimes de desabamento e dano qualificado. Os detalhes da investigação policial e do trabalho da Perícia Forense (Pefoce) são divulgados na manhã desta terça-feira (01), em coletiva de imprensa na sede da Pefoce, no bairro Moura Brasil.

O laudo técnico produzido pelos peritos do Núcleo de Perícias em Engenharia Legal e Meio Ambiente (Npelm), da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), revelou que uma associação de fatores corroboraram para que o edifício Benedito Cunha desabasse parcialmente no dia 1 de junho deste ano. A perícia solicitada pelo delegado Paulo Renato Felix, titular do 19º Distrito Policial e responsável pelas investigações, resultou em uma série de constatações lastreadas em exames e estudos, os quais indicaram que o prédio fora construído sobre um solo com características colapsíveis (sensíveis à presença de água) e com erros de projeto e de execução.

De acordo com os engenheiros do Npelm, Josevaldo Felinto e Fernando Viana, os solos colapsíveis apresentam grande sensibilidade à água, e sofrem significativa redução de volume (recalque) quando umedecidos, com ou sem aplicação de carga adicional. Deste modo, o desabamento foi potencializado na medida em que ocorria o encharcamento do solo, tendo em vista a presença de efluentes de um sumidouro (estrutura construída abaixo do prédio), construído na área anterior do terreno da edificação, junto às sapatas dos pilares. Também foi identificado um vazamento de água, oriundo de uma tubulação do imóvel adjacente, situado na parte posterior do edifício examinado. Somados a estes fatores, constatou-se elevado índice pluviométrico (precipitações das chuvas) que ocorreu em Fortaleza nos meses que antecederam ao desabamento, que contribuiu para elevação do nível do lençol freático naquela área, atingindo a camada colapsível. A Pefoce também constatou, além das falhas apontadas na execução da obra, a ausência de alvará de construção.

Uma comissão composta por sete peritos criminais da área de Engenharia Civil analisou os vestígios e realizou os levantamentos periciais. A equipe de peritos realizou todo o acompanhamento dos processos de demolição e escavação, junto a Defesa Civil de Fortaleza e ao Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE). As evidências coletadas foram submetidas a análises laboratoriais, cálculos e estudos. Os profissionais engenheiros da Pefoce também utilizaram um drone para realização do levantamento topográfico, bem como o mapeamento da área do sinistro.

Famílias
No momento em que a estrutura do Edifício Benedito Cunha desabou parcialmente, as 16 famílias que moravam no prédio haviam desocupado suas residências minutos antes, após ouvirem barulhos estranhos e desconfiarem que o prédio pudesse cair. No total, cerca de 30 famílias foram prejudicadas diretamente e indiretamente, pois as residências do entorno do prédio precisaram ser interditadas até que fosse concluída a demolição completa do prédio que foi realizada em etapas e funalizada no início do mês de julho.

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