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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Agenda cultural - “Autômato” chega no Dragão do Mar com a magia do circo, do riso e da música


Aplaudido e prestigiado em vários estados do Brasil como Santa Catarina, Mato Grosso, Rio de Janeiro, vários municípios cearenses e Rosário (ARG), o espetáculo “Autômato” do multiartista Orlângelo Leal, chega em temporada gratuita no Espaço Rogaciano Leite, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, dias 09, 10 e 30 de novembro e 1º de dezembro, sempre às 18h30. GRATUITO!


Intitulado como uma “palhaçaria musical” (Eduardo Bruno), o espetáculo Autômato chega ao palco Rogaciano Leite, no Dragão do Mar, a partir do próximo sábado (9), 18h30, com uma combinação de linguagens como a música, o teatro, a pantomima, a dança e o circo para compartilhar um universo multifacetado de cores e sons.

Contracenado pelo artista Orlângelo Leal, o espetáculo trata do local para o nacional, a partir da noção de conectivos cruzados em estado permanente de atualidade transterritorial que borra fronteiras e deixa uma dúvida no ar: “Ele é um palhaço? Um músico? Tais convenções parecem escapar da cena... e as duas definições parecem dizer parte do que a cena realmente foi”, acrescenta Orlângelo explicando que a ideia é representar um ser compulsivo, esquizofrênico musical, compondo e gravando músicas em cena com instrumentos exóticos.

Assim, o personagem excêntrico vai criando sua trilha como pano de fundo para sua diversão, prazer e gozo e, aos poucos, vão surgindo instigações para dançar, manipular objetos, andar de skate e para um diálogo visceral com o público numa divertida brincadeira irreverente.

Musical e transversal
Autômato é encenado pelo multiartista Orlângelo Leal, interprete/criador e diretor artístico do grupo Dona Zefinha. O caráter inovador do trabalho está na transversalidade de linguagens e na execução de instrumentos exóticos como o marimbal, a flauta nasal e a “bota bum”, (sapato que produz frequências graves em contato com o piso; criação de Orlângelo); todos plugados num setup de pedais de efeitos, samplers e loops.

Os instrumentos são tocados ao mesmo tempo, abrindo espaço para diversas experiências sonoras, tendo como elo de ligação o humor refinado, descontraído e despretensioso. Seguindo uma dramaturgia não linear, narra a saga de um criador multitarefas, compulsivo, esquizofrênico em momentos de delírio e devaneio, fragmentos de sua rotina habitual em pleno processo inventivo.

O projeto de montagem partiu de uma prática empírica movida pela intuição do artista, e vem ganhando carinho do público e destaque pela inovação, surpresa e a capacidade de emocionar através da sinergia, na incessante pesquisa do binário cena x som, ponto de inquietação e convergência que move este projeto.

O final do espetáculo é uma apoteose, o personagem executa ao mesmo tempo três instrumentos excêntricos, gravando no loop o tema de despedida e começa a jogar com o chapéu de manipulação para fazer o último número participativo, convocando um expectador para dividir a cena em plena comunhão interativa antes de sua partida triunfal deslizando pela cidade num skate.

Concepção cênica
A obra Autômato segue a mesma linha dos espetáculos montados pelo grupo Dona Zefinha, primando pela qualidade, mostrando a força da inovação inventiva e poética, exibindo para o mundo, uma amostra do teatro brasileiro produzido em Itapipoca, trazendo um olhar humorado sobre o povo do Ceará, moleque e brincalhão, que habitando um território inóspito (semiárido) utiliza o riso como aplicativo para manutenção da esperança.

Autômato reflete ainda o homem contemporâneo (homo evolutis) e sua fusão maquinal entre o digital e o físico, entre automático e autonomia, escravidão e liberdade criadora, produtivo e improdutivo, trabalho e ócio, patrão e servo. “Os autônomos são autômatos programados para chicotear a si mesmos” segundo o filósofo Coreano Byung-Chul Han, que analisa o “ser multitarefa” como um “retrocesso a natureza humana selvagem”. 

Com avanço exponencial das tecnologias no nosso cotidiano, a vida tem se tornado cada vez mais sintética, acelerando a simbiose do transumanismo. O futuro aponta para um mundo, cada vez menos analógico, onde os indivíduos que se auto exploram, sentem  angustia movida pela ansiedade consumidora  e vem tonando-se opressores de si mesmo, perdendo assim o senso da consciência de dominação. Fazemos o que queremos ou atendemos as demandas do que nos é imposto/ofertado?

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