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Natura promove diálogo sobre governança corporativa para o impacto positivo




Painel Decisões pelo Planeta encerrou ciclo de conversas pelo Mês da Amazônia. Encontro foi marcado pela discussão sobre a importância de métricas que aferem impactos socioambientais aos balanços financeiros, assim como as expectativas para a COP26


O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, divulgado em agosto deste ano, evidencia que as emissões de gases - principalmente as que são geradas através do desmatamento - estão ameaçando o planeta, colocando a vida a bilhões de pessoas em risco e afetando a economia no mundo todo. Diante desse contexto de emergência climática, o painel on-line “Decisões pelo Planeta”, realizado pela Natura nesta quinta-feira (23), e que encerrou o ciclo de debates promovidos em comemoração ao Mês da Amazônia, discutiu práticas do capitalismo regenerativo, o papel das empresas e os objetivos baseados em ciência e conduzidos por novas métricas, além das expectativas para a COP26.


Com a mediação da jornalista Sandra Boccia, a conversa contou com a participação de Guilherme Leal, cofundador da Natura e integrante da concertação pela Amazônia, João Paulo Ferreira, CEO de Natura &Co América Latina e presidente da Natura, e Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. O evento contou, ainda, com as presenças internacionais de Margarita Ducci, diretora-executiva da rede do Pacto Global, do Chile e Maria Laura Tinelli, fundadora da Acrux Partners.


Guilherme Leal iniciou sua fala reforçando a necessidade de consciência no posicionamento de empresas de setores do capitalismo global e dos grandes blocos econômicos, reafirmando o compromisso de cooperar em torno dos problemas climáticos já constatados, seja pela ciência ou pelos relatórios do IPCC. Para o executivo, é urgente “colocarmos em prática medidas efetivas para conter os impactos da crise. Junto com o discurso deve haver a mudança de postura. A crise é séria, mas a esperança consciente mobiliza, aumenta a nossa capacidade de cooperação em comum e ajuda a nos reconectarmos com a natureza”, enfatizou.


O debate fomentou também a importância da construção de redes de cooperação e transformações, trazendo como exemplos os movimentos Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura e Concertação pela Amazônia, além do Conselho Empresarial Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). “Temos a crença profunda de que não fazemos nada sozinhos, ainda mais quando se trata de problemas sistêmicos globais e de regiões com a complexidade da Amazônia. Por isso, defendo e tento agir no sentido de construir essas redes. Quando juntamos os diferentes atores que compõem o problema, sejam ambientalistas, empresários, governo ou comunidades ribeirinhas, a gente começa a vislumbrar soluções”, acrescenta Leal.



Uma das iniciativas que confirmam as ações efetivas de responsabilidade ambiental e impacto social de uma empresa é a certificação de empresa B. Para João Paulo Ferreira, essa é uma forma de aprendizagem coletiva que possibilita o desenvolvimento das melhores práticas. “A sociedade aprendeu a medir os efeitos econômicos, mas para as externalidades socioambientais, o progresso foi mais lento. Então, é muito saudável ver movimentos, como o das Empresas B, que indicam caminhos e valorizam as empresas que já estão trabalhando para a conciliação econômica, social e ambiental. Todo mundo aprende junto. Agora, eu realmente acredito que o próximo passo virá da valorização dessas externalidades no balanço das empresas”, destaca o CEO.


Ainda sobre a importância das  empresas conhecerem e medirem o impacto gerado, olhando para além do aspecto financeiro, Maria Laura Tinelli, da Acrux Partners, reforçou que atualmente o mundo empresarial enfrenta dois problemas que estão vinculados: a falta de transparência em como são relatados esses impactos e também de oportunidades de investimento em companhias que estão mensurando esses dados corretamente. “Atribuir valor a uma empresa simplesmente por seu desempenho financeiro sem olhar as questões ambientais ou sociais, significa que o valor atribuído a ela é imensurável e não está vinculado à realidade do seu verdadeiro custo de produção, seja de um bem ou serviço”.


Remuneração do conhecimento tradicional como instrumento para a preservação


Durante o painel, Adevaldo Dias contou como a política de repartição de benefícios e o pagamento pelo acesso ao conhecimento tradicional ajudam a manter a floresta em pé e de que forma essas outras remunerações, além do pagamento pela venda por insumos, apoiam o desenvolvimento sustentável. “Hoje está muito claro que as comunidades têm um papel muito estratégico na conservação dos territórios e na promoção de um meio de vida que converse com a economia sustentável. O acesso das comunidades à repartição desses benefícios é como uma oportunidade que elas têm de usufruir de direitos que não são fornecidos por políticas públicas, por exemplo”.


O trabalho realizado pelas comunidades também mencionado por João Paulo, quando o assunto foi a COP26 (26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU), que acontecerá em outubro e novembro na cidade escocesa de Glasgow. De acordo com o executivo, as expectativas em torno da conferência giram em torno da influência das companhias nas decisões públicas do governo, principalmente contribuindo na criação de regras para o mercado de carbono. “A regulamentação é importante no que se refere ao valor dos serviços ambientais que, no final das contas, precisa beneficiar quem está prestando esse serviço, que são as comunidades, as pessoas que estão na floresta e não servir como instrumento de especulação financeira”, defende João Paulo.


Impactos da pandemia antecedem alerta para as mudanças climáticas


Falando dos retrocessos causados pela Covid-19, não apenas no cenário da fome e da desigualdade social, mas no meio ambiente, Margarita Ducci explica que ainda há muito a ser feito. Para a especialista, as notícias diárias sobre barragens, incêndios e desastres - que são considerados incomuns - nos tornam plenamente conscientes de que depois do que vivemos, e do que ainda estamos passando com a pandemia, pensar que a próxima ameaça global é a mudança climática já é uma realidade. “O relatório do IPCC dá um alarme vermelho ao mundo, mostrando-nos já com evidências de como será difícil cumprir a meta de chegar em 2050 com o nível de aquecimento entre 1,5 graus. Precisamos nos tornar mais ativos nesse sentido, além de tomar decisões importantes para seguir em frente”, alerta.

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