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Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu, nesta quinta-feira (21), manifestações das partes e de entidades admitidas na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 80, que discute a validade da autodeclaração de hipossuficiência econômica para a concessão da gratuidade de justiça. O julgamento será retomado em data ainda não definida. A Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) alterou os parágrafos 3º e 4º do artigo 790 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passou a estabelecer que o benefício pode ser concedido de forma automática apenas a quem recebe salário igual ou inferior a 40% do teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Nos demais casos, é preciso comprovar a insuficiência de recursos. Na ACO 80, a Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif) sustenta que magistrados trabalhistas vêm aplicando o Código de Processo Civil (CPC) e a Súmula 463 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), segundo os quais basta a declaração de hipossuficiência econômica para obtenção da assistência judiciária gratuita. Para a entidade, esse entendimento esvazia as mudanças promovidas pela reforma e contraria o artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, que assegura assistência jurídica integral e gratuita apenas “aos que comprovarem insuficiência de recursos”. Com base nesse entendimento, a Consif pede que o STF declare constitucionais os dispositivos da CLT e suspenda a aplicação da Súmula 463 do TST , para assegurar a exigência de comprovação da hipossuficiência financeira para concessão do benefício. Ampliação Na leitura do relatório, o presidente do STF e relator do caso, ministro Edson Fachin, afirmou que o julgamento ultrapassou a discussão inicialmente restrita à Justiça do Trabalho. Após divergências apresentadas no Plenário Virtual, o debate foi ampliado a todos os ramos do Judiciário, incluindo a definição de parâmetros objetivos para concessão do benefício e a necessidade de comprovação efetiva da insuficiência de recursos. Por esse motivo, o relator pediu destaque no processo, e o julgamento foi reiniciado no plenário físico. Litigância predatória A advogada Grace Mendonça, representante da Consif, sustentou que a Reforma Trabalhista passou a exigir comprovação efetiva da insuficiência de recursos para concessão da gratuidade da justiça, em conformidade com a Constituição. Segundo ela, a Justiça do Trabalho vem afastando reiteradamente os critérios previstos na CLT ao admitir apenas a autodeclaração de hipossuficiência, o que teria ampliado excessivamente a concessão do benefício e estimulado a litigância predatória. Ela também defendeu a adoção de critérios objetivos de renda e afirmou que a exigência de comprovação deve alcançar todos os ramos do Poder Judiciário. Aumento da judicialização O advogado-geral da União substituto Ivan Bispo dos Santos manifestou apoio à tese apresentada pela autora da ação ao defender que a Constituição exige comprovação da insuficiência de recursos para concessão da gratuidade da justiça. Segundo ele, as alterações promovidas pela Reforma Trabalhista estabeleceram critérios objetivos para evitar abusos, litigância predatória e aumento excessivo da judicialização, entendimento que, também para a AGU, deve ser aplicado a todos os ramos do Poder Judiciário. “Aventuras jurídicas” O advogado Francisco José Ferreira de Souza Rocha da Silva, em nome da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Serviço Móvel Celular e Pessoal, sustentou que os dispositivos da CLT apenas reproduzem a exigência constitucional de comprovação da insuficiência de recursos. Para ele, a Reforma Trabalhista buscou coibir “aventuras jurídicas” e racionalizar o número de ações trabalhistas, motivo pelo qual defendeu a inconstitucionalidade dos entendimentos firmados pelo TST. Barreiras O advogado Ricardo Quintas Carneiro, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que a central não questiona a constitucionalidade dos dispositivos da CLT, mas se opõe à criação de barreiras econômicas para acesso à Justiça. Segundo ele, a autodeclaração de hipossuficiência deve continuar sendo admitida como forma inicial de comprovação, sujeita à impugnação e ao controle judicial, sem transformar o trabalhador em “suspeito de falsidade” desde o início da ação. Escolha legítima Em nome da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o advogado Eduardo Albuquerque Santana defendeu que a flexibilização dos critérios para concessão da gratuidade incentivou demandas temerárias e aumentou os custos do sistema judicial. Segundo ele, a exigência de comprovação da hipossuficiência foi uma escolha legítima do legislador para desestimular abusos e garantir maior racionalidade ao acesso à Justiça. Premissas equivocadas O advogado Mauro de Azevedo Menezes, representando a Federação Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços e Telecomunicações, argumentou que a ação parte de premissas equivocadas ao afirmar que a Justiça do Trabalho concede gratuidade de forma automática. Ele defendeu a manutenção da autodeclaração prevista no CPC e destacou que ela parte de um pressuposto de veracidade, mas pode ser contestada e afastada mediante prova em contrário. Segundo ele, impedir esse mecanismo comprometeria o acesso constitucional à Justiça. Instrumento de equilíbrio O defensor público federal Gustavo Zortéa da Silva sustentou, pela Defensoria Pública da União (DPU), que a pretensão da Consif na ação pode excluir do acesso à Justiça trabalhadores que recebem acima de 40% do teto do INSS, mas que ainda não têm condições de arcar com os custos do processo. Para ele, a autodeclaração é compatível com o sistema jurídico e funciona como instrumento para equilibrar a desigualdade econômica existente nas relações de trabalho. Acesso à Justiça Ilton Norberto Robl Filho, advogado da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), afirmou que eventual procedência da ação poderá gerar impacto negativo no acesso à Justiça em todos os ramos do Judiciário. Segundo ele, a interpretação dos dispositivos da CLT deve ser integrada ao CPC, preservando a autodeclaração de hipossuficiência, sujeita à impugnação e à exigência de documentos complementares quando houver indícios de irregularidade. (Cezar Camilo//CF) Leia mais:

  Alece publica edital para realização de concurso público com 200 vagas imediatas; inscrições abertas Por Pedro Emmanuel Goes e Ariadne Sousa 21/05/2026 16:50 | Atualizado há 4 horas Compartilhe esta notícia:   - Arte: Célula de Publicidade e Marketing da Alece A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) publicou, na tarde desta quinta-feira (21/05), o edital para realização de concurso público para provimento de 200 vagas imediatas e formação de cadastro de reserva. As inscrições para o certame, o maior a ser realizado pelo Poder Legislativo cearense, já estão abertas e seguem até o dia 22 de junho no site da banca organizadora .  A aplicação das provas objetiva e discursiva, organizadas pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan) e destinada ao preenchimento inicial de vagas nos cargos de Analista Legislativo (nível superior) e Técnico Legislativo (nível médio), acontece no dia 16 de agosto, pela manhã (técnico legis...

CPI ouve ex-diretores sobre movimentações financeiras da APS

 CPI ouve ex-diretores sobre movimentações financeiras da APS

Foto: Máximo Moura
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investiga as associações militares do Estado recebeu, nesta terça-feira (19/04), o policial militar e ex-diretor financeiro da Associação dos Profissionais de Segurança (APS), Rêmulo Silva de Oliveira. Também foi incluído o depoimento do policial militar e ex-diretor financeiro da APS Elton Regis do Nascimento, que pediu para ter sua oitiva adiantada em razão de ameaça sofrida no último dia 23 de março.

O presidente da CPI, deputado Salmito (PDT), comunicou já ter solicitado ao secretário de Segurança Pública do Estado do Ceará, Sandro Caron, proteção ao depoente Elton Nascimento. “Na condição de presidente da CPI, nos somamos todos em solidariedade. É inadmissível qualquer tipo de ameaça ou constrangimento”, destacou.

O policial militar Rêmulo Silva de Oliveira, primeiro a depor, informou ter sido diretor financeiro da APS de outubro de 2017 a setembro de 2020. Ele negou ter participado, pela APS, de qualquer mesa de negociação com o Governo do Estado, mas disse lembrar de convite feito pelo deputado Soldado Noelio (Pros), em meados de 2019, para discutir a reestruturação salarial dos profissionais de segurança pública na Assembleia Legislativa.

Rêmulo também declarou que a média do valor mensal movimentado – em espécie – na APS para pequenos pagamentos era de cerca de R$ 40 mil. Quando questionado pelo relator da CPI, deputado Elmano Freitas (PT), sobre o valor de R$ 89 mil movimentado em fevereiro de 2020, ele explicou que o saque da quantia foi devido ao então presidente da APS, Sargento Reginauro, ter acenado sua saída da associação.

“Eu fiquei preocupado porque ia causar um problema em relação ao banco. A gente passou por experiência de troca de nomes, e demorava dois, três meses para ajustar. Na saída dele, eu fiquei preocupado de não conseguir fazer saques e não ter como fazer pagamentos, pagar fornecedor. Como medida de precaução, eu realizei o preenchimento desses valores. Se não me engano, não teve mais saques a partir daí, a gente ficou utilizando esse dinheiro por um bom tempo”, elucidou.

Rêmulo também respondeu a questionamentos dos parlamentares Soldado Noelio (Pros), Augusta Brito (PT) e Marcos Sobreira (PDT) sobre sua atuação na APS como diretor financeiro e movimentações financeiras realizadas na associação.

Já o policial militar e ex-diretor financeiro da APS em 2020 Elton Regis do Nascimento declarou que observou solicitação para diretores e funcionários da APS participarem de campanhas eleitorais. “Eu percebi uma vez, chamei a atenção do problema, e isso estava por escrito”, pontuou. Em resposta ao questionamento do relator da CPI, deputado Elmano Freitas (PT), sobre ter sido afastado da diretoria da associação por critério político, partidário ou ideológico, ele disse ter sido devido às suas críticas a um determinado político com o qual os associados se identificam.

Sobre as movimentações financeiras em espécie para pequenos pagamentos praticadas pela associação, ele afirmou que a quantia ficava em torno de R$ 20 mil mensais, durante seu período como diretor financeiro da APS. Ele também informou que havia duas casas – nos bairros Rodolfo Teófilo e Parquelândia – que foram adaptadas para se tornarem a sede da associação e, como alguns associados alegavam que o movimento do bairro deixava a entidade insegura, alguns valores eram levados para casa, pelo então diretor financeiro à época, Ferreira Araújo.

O depoente respondeu ainda questionamentos dos deputados Marcos Sobreira (PDT), Augusta Brito (PT), Tony Brito (Pros), Soldado Noelio (Pros), Queiroz Filho (PDT) e Nizo Costa (PT).

DADOS SIGILOSOS

Durante a reunião, também foi debatida a garantia do sigilo de determinados documentos em posse da CPI. O deputado Soldado Noelio criticou a divulgação de dados sigilosos pela CPI e apresentou decisões do STF que garantem a não divulgação desses dados pelas CPIs. “O acesso a dado sigiloso não é acesso para jogar em rede social, para que se corra o risco de se macular a imagem de uma pessoa que lá na frente, ao final da investigação, pode se identificar que não teve culpa de nada”, opinou.

O presidente da CPI, deputado Salmito (PDT), rebateu que, na reunião passada, Soldado Noelio pediu a cópia em meio físico ou digital dos dados sigilosos, ressaltando que a comissão sempre teve a preocupação de preservar esses dados. O deputado Heitor Férrer (SD) defendeu que o devido processo legal deve ser rigorosamente seguido na CPI.

A CPI das Associações Militares volta a se reunir na próxima terça-feira (26/04), às 9h, quando ouvirá o presidente da Associação das Praças do Estado do Ceará, Sargento Eliziano Queiroz.

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