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Secult divulga selecionados do Edital Tesouros Vivos da Cultura, com nove mestres e dois grupos contemplados

A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) divulga a relação de selecionados pelo Edital Tesouros Vivos2014/2015. Através do edital foram selecionados novos mestres da cultura popular tradicional e grupos representativos para a área, que, após finalizado o processo seletivo, concluído o prazo para recursos e publicado o resultado final , passarão a contar com reconhecimento oficial pelo Governo do Estado e a integrar a política pública de preservação e difusão do patrimônio imaterial, da história e da identidade, atuando no repasse de seus saberes e fazeres às novas gerações.
A Comissão Especial de Seleção do Edital Tesouros Vivos foi composta pelo historiador e professor da UFC Antonio Gilberto Ramos Nogueira, pela historiadora e servidora do Iphan Ítala Byanca Morais da Silva, o historiador, pesquisador e professor da Unifor José Clerton de Oliveira Martins, a pesquisadora, brincante e professora do IFCE Maria de Lourdes Macena de Souza e pelo pesquisador, escritor, teatrólogo e compositor Raimundo Oswald Cavalcante Barroso. A coordenadora de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult, historiadora Carolina Ruoso, secretariou os trabalhos da comissão.
Entre os 91 inscritos no edital, foram selecionados, de acordo com os critérios, nove novos mestres da cultura e dois novos grupos. A diversidade dos selecionados na atual etapa do edital é destacada pela coordenadora de Patrimônio da Secult, Carol Ruoso. “A Comissão leva em conta a diversidade tanto de regiões do Ceará representadas, quanto de habilidades, de saberes e fazeres dos mestres”, ressalta a coordenadora. “O processo é muito discutido e, neste edital, trouxe algumas novidades, como a presença de um representante das tradições juninas entre os contemplados”, destaca.
A coordenadora também aponta que no Encontro Mestres do Mundo, evento da Secult que acontecerá na primeira semana de dezembro, no município de Limoeiro do Norte, serão discutidas novas formas de contribuição dos mestresao repasse de saberes e fazeres, buscando uma maior qualificação na política de transmissão de conhecimentos, incluindo mais registros das atividades dos mestres e grupos.
Mais sobre os Tesouros Vivos
Os “Tesouros Vivos da Cultura” são pessoas, grupos e comunidades reconhecidamente detentoras de conhecimentos da tradição popular do Estado. Através de edital público, a Secult identifica e recebe inscrições para o processo seletivo que confere o título e um auxílio financeiro vitalício aos selecionados no valor de um salário mínimo.
O programa de reconhecimento e apoio aos artistas que tem suas artes ou ofícios ligados à cultura imaterial foi reconhecido no ano de 2007, pelo Ministério da Cultura, com o prêmio Culturas Populares. Diplomado “Tesouro Vivo”, omestre ou grupo tem seu nome inscrito no Registro dos Mestres da Cultura Tradicional Popular, livro próprio da Secretaria da Cultura, específico, sob a guarda da Coordenação de Patrimônio Artístico, Histórico e Cultural.

Confira os novos mestres e grupos selecionados:

Mestres:
- Pedro Coelho da Silva. Vaqueiro aboiador. Acopiara.
- Francisco Dias de Oliveira (Mestre Françuli). Artesanato em flandes. Potengi.
- Maria de Lourdes da Conceição Alves (Cacique Pequena). Cultura Indígena. Aquiraz.
- José Pinheiro de Morais. Penitente. Assaré.
- Maria Deusa e Silva Almeida. Lapinha. Assaré.
- Maria José Costa Carvalho (Mazé Costa). Tradições Juninas/festejo do ciclo junino. Caucaia.
- Maria Quirino da Silva (Dona Tarina). Cerâmica. Cascavel.
- Geraldo Ramos Freire. Artesão de relojoaria de torre, coluna e sinos e Igreja. Juazeiro do Norte.
- Francisco Felipe Marques. Reisado. Juazeiro do Norte.

Grupos:
- Grupo de Caretas Reisado Boi Coração. Reisado. Quixadá.
- Penitentes do Genezaré. Penitência. Assaré.

SAIBA MAIS sobre os mestres e grupos selecionados pelo Edital Tesouros Vivos da Cultura 2014/2015, da Secult:


TESOUROS VIVOS:

Francisco Dias de Oliveira, Mestre Françuli
Francisco Dias de Oliveira, Mestre Françuli, nasceu em 1942 no município de Potengi- CE. Desde a infância o menino da pequena cidade do Ceará era um sonhador. Construía pequenas coisas e sua imaginação lhe dava asas. Assim se profissionalizou como flandeiro mais conhecido da cidade. Suas produções são diversas, como chaminés, fornos, pás, baldes, latas, tubos de armazenar legumes, caandeiros, funis dentre outros. Para ajudar seu povo, do sertão, construiu até um equipamento de flandes de borracha que traz do fundo do poço o equivalente a uma lata de água. Mas o sonho de criança nunca ficou pra trás, e, com isso, no meio de seus inventos, Francisco Dias de Oliveira fabricava também suas miniaturas de aviões, que somam em média 32 modelos. O sonho foi mais além: surgiu uma vontade de construir um museu em sua cidade. E assim o fez. Hoje suas peças viajam para serem comercializadas por todo o Ceará. Algumas foram expostas em diversos museus, inclusive em outros estados. Teve sua obra retratada em documentários. Hoje Mestre Françuli continua em Potengi, vivendo da aposentaria, de agricultura de subsistência e, é claro, de seus trabalhos na oficina.

 Francisco Felipe Marques, Mestre Tico
Natural do Crato, onde começou nas brincadeiras de reis, Mestre Tico hoje atua no Crato e em Juazeiro do Norte. Um dos mais antigos mestres atuantes, com 91 anos, tendo praticamente nascido no reisado, é dono de uma belíssima voz e de um repertorio imenso de canções ligadas às tradições dos reisados antigos. Muitos mestres já passaram pelas mãos de MestreTico e por seu reisado “Sagrado Coração de Jesus”. Mestre Tico, que hoje mora em Juazeiro do Norte, continua lutando com o apoio dos amigos que o incentivam a continuar com sua tradição.

Geraldo Ramos Freire
Nascido em Juazeiro do Norte, em 1938, desde os 14 anos trabalhava com seu pai, que exercia a função de ferreiro e fundidor. Com ele aprendeu a arte. Aos 18 anos seguiu carreira militar por algum tempo, em seguida tornando-se mecânico. Ajudou a divulgar a região do Cariri pelo Brasil com a fabricação e restauração de relógios mecânicos e sinos de igreja. A convite do Padre Gino, ajudou a reativar a antiga fábrica de relógios mecânicos dos salesianos, fundada por Pelúsio Macêdo com o apoio do Padre Cicero, uma das primeiras do Brasil. Apaixonado por aviação, foi também um dos iniciantes a praticar voos de ultraleve na região do Cariri.

José Pinheiro de Moraes, mestre Deca Pinheiro
Nasceu em Cedro-CE, em 2 de maio de 1935. A vocação de penitente começou por volta de 1945, com a morte de seu pai, também penitente. Mestre Deca afirma que ser penitente é “vocação”. “Sua origem é baseada no sofrimento de Jesus, por isso usam as tranças de couro com os cachos de lâminas que os jogam nas costas até escorrer sangue”. Há dez anos MestreDeca Pinheiro assumiu a liderança do Grupo da Irmandade de Nossa Senhora como “Decurião”. Com isso tem contribuído para a continuidade do grupo, convocando e ensinando aos filhos e netos dos membros do grupo a filosofia e as diretrizes para ingresso na irmandade.

Maria de Lourdes da Conceição Alves, Cacique Pequena
Tem 69 anos e dedicou sua vida ao movimento de resistência dos povos indígenas cearenses. Seu nome indígena é Tigresa, mas é comumente conhecida como Pequena. Pequena hoje se tornou grande diante dos feitos, rompeu costumes ainda hoje presentes nos idios cearenses e se tornou a primeira mulher na função de cacique. Pequena também é convidada constantemente a participar de palestras, rodas de conversas e vivências, compartilhando, assim, todo o conhecimento dacultura indígenas que carrega. Sempre rodeada de misticismo e encantamento, Pequena torna-se, a cada dia, um referencial da cultura cearense.

Maria Deusa e Silva Almeida, Dona Deusa
Grande devota religiosa, é mestre da cultura popular de Assaré, sendo uma referência no município, promovendo atividades religiosas e repassando seus conhecimentos às novas gerações, com o intuito da preservação e da memóriacultura. Desde pequena, aos 8 anos, ajudava o padre na Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Assaré. Paralelamente, começou a fazer a Lapinha e a Coroação de Nossa Senhora, tradições na cidade. Foi protagonista do ciclo natalino de Assaré, produzindo e dirigindo a Lapinha, que é recital, dramatização em louvor ao nascimento de Jesus com a participação de crianças, jovens e adultos da comunidade. atualmente, em virtude de sua saúde, repassou seus conhecimentos a terceiros, inclusive uma cunhada e sua filha, Deusimar, que mantém a tradição da Lapinha, como coordenadora.

Maria José Costa Carvalho, Dona Mazé da Quadrilha
Destaca-se na tradição dos festejos aos santos juninos. Seu incansável trabalho de cultivo e manutenção das tradições juninas em seu formato mais legítimo, fiel às origens desta tradição no Ceará, já tem mais de 40 anos. Seu trabalho com quadrilhas adultas e infantis compostas por familiares e outros moradores da comunidade da Cigana, em Caucaia, mantido exclusivamente com as “economias“ de Dona Mazé, lhe rendeu diversos prêmios por reconhecimento à promoção dacultura popular, em especial da cultura junina no Ceará. Sendo integrante da Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce) e também filiada à União Junina do Ceará, Dona Mazé se tornou referencia no cenário junino do estado.

Maria Quirino da Silva, Dona Tarina
Nasceu em 7 de março de 1939, em Cascavel, mais precisamente no povoado de Moita Redonda, local onde há várias gerações se trabalha com cerâmica e onde aprendeu sua arte, na qual começou a trabalhar aos 8 anos de idade, ensino passado de mãe para filha, seguindo a tradição de família. Trabalha o barro usando técnicas ancestrais em um processo completamente artesanal, desde a colheita do barro à quebra feita manualmente. Depois o barro é amassado com os pés e moldado com as mãos contando com ferramentas como sabugos de milho, pedaços de cabeça e sementes. Posteriormente, é feita a queima, que dura em torno de 7 horas em forno a lenha. Todo o trabalho é feito em família. As peças de Dona Tarina são expostas na feira de Cascavel e na feira de Beberibe. Também participa de festas religiosas de São Sebastião em Aquiraz, Nossa Senhora dos Remédios em Fortaleza, Natal e ano novo em Beberibe. Dona Tarina é reconhecida como Griô no Ponto de Cultura Lampião da Arte e da Cultura, onde ministrou aulas em escolas públicas em Cascavel e Moita Redonda.

Pedro Coelho da Silva
Com trabalho reconhecido nas regiões centro-sul, sertão central e sertões do Inhamuns, é poeta nato e vaqueiro aboiador. Ao longo dos seus 51 anos de profissão, teve sua história e trabalhos publicados, apresentados e divulgados em rádio e TV.

GRUPOS:

Grupo de Caretas Reisado Boi Coração (Mestre Assis Rufino)
O grupo teve origem na comunidade Bo`água, distrito de Cipó dos Anjos, em Quixadá. No início as atividades de reisado eram feitas apenas nos terrenos locais ou nas redondezas, por onde os brincantes mascarados e vestidos com trajes rasgados feitos de palha carregavam o boi nas costas por longas travessias, espalhando encantamento. Hoje o grupo ocupa novos espaços, faz apresentações em escolas da região e em outros municípios cearenses, mantendo sempre o espírito da brincadeira, como havia sido iniciado pelo Vaqueiro Caboco, pelo Capitão, o Velho e a Velha, a Dama, o Ispáia Brasa, os Urubus, a Caipora e os Caretas.

Penitentes de Genezaré
O grupo reúne renomados penitentes e traz consigo 40 anos de história. Atua na região do Cariri, na cidade de Assaré. Além das ações em eventos, o grupo vem trazendo a proposta, em forma de projeto, de uma reflexão acerca das relações entre os Penitentes do Genezaré e a gestão publica municipal, através das ações desenvolvidas pela Secretaria da Cultura do município.

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