Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram que os Crimes de Maio de 2006 foram uma grave violação de direitos humanos. Em comunicado de imprensa divulgado na última sexta-feira (29), eles também cobraram do Estado brasileiro que haja responsabilização em relação ao caso. Ocorridos há 20 anos, os Crimes de Maio começaram com rebeliões em mais de 700 presídios do estado de São Paulo, após a transferência de mais de 760 detentos – dentre os quais alguns líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) – para um presídio de segurança máxima. Nos dias seguintes a essa megatransferência, a ofensiva chegou às ruas com uma série de ataques entre o PCC e agentes do Estado. Os conflitos resultou na morte de mais de 500 pessoas em todo o estado. Grande parte dessas mortes ocorreu com indícios de execução praticadas por policiais. >> Clique aqui e leia mais sobre os 20 anos dos Crimes de Maio na Agência Brasil Segundo o relatório Análise dos Impactos dos Ataques do P...
*OAB envia ofícios para secretários de segurança de todo o país para garantir conversas reservadas entre advogados e presos*
A partir desta segunda-feira (23), a Ordem dos Advogados do Brasil vai enviar ofícios a todos os secretários de segurança pública do país cobrando o cumprimento da lei federal que prevê espaço adequado e reservado para diálogo entre presos e seus advogados.
O presidente da OAB Ceará, Erinaldo Dantas, foi quem sugeriu que a Ordem adotasse essa medida. A ideia foi aprovada durante a reunião do colégio de presidentes das Seccionais, realizada em Goiânia, na última sexta-feira (20).
De acordo com Erinaldo Dantas, essa prerrogativa do advogado garante ao cidadão o direito de ampla defesa. “A prerrogativa garante condição de igualdade aos acusados durante o juri. Se essa conversa acontece em um ambiente público, alguma informação pode vazar para a acusação. Isso vai ser usado contra a parte”, argumentou.
Ainda segundo Dantas, as delegacias do Ceará, assim como de todo o País, não estão adequadas para garantir o cumprimento da lei. "Na prática, os encontros acontecem com um policial atrás do preso. Acusado e advogado ficam cochichando”, afirmou.
O ofício que será enviado pela OAB deve servir como o início de um trabalho de interlocução entre a entidade e as secretárias de segurança para garantir o cumprimento da lei federal. A proposta é de que sejam criados espaços exclusivos para o diálogo entre a defesa e os acusados. Para a adequação física dos locais, a OAB sugere a disponibilização de salas para a realização dos encontros de presos com advogados.
Aqui no Ceará, o presidente da Seccional, Erinaldo Dantas, irá pessoalmente entregar o ofício ao titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), André Costa. “A expectativa é de que o encontro ocorra ainda nesta semana. É um momento para que todos os secretários da segurança possam encontrar uma solução para esse caso", diz.
*O que diz o Estatuto da Advocacia:*
O artigo 7º da lei 8.906/94, garante aos advogados "comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis".
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