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Conceito multicanal para vendas pode ser alternativa à crise provocada pela Covid-19



O Brasil e o mundo estão passando por um período de grandes desafios por conta da pandemia da covid-19. De perspectivas de mercados mais prósperos e de uma economia em ascendência para 2020, passamos para um cenário de incertezas. E são nesses momentos de reviravolta econômica que inovação e criação de novos hábitos se tornam necessários para a retomada.

“A economia está passando por uma mudança muito forte, em especial, na gestão de compra”, diz o professor da Faculdade CDL, Christian Aquino Avesque, que tem quase 20 anos de estudo em consumo e varejo.

Segundo ele, antes da pandemia era esperado um crescimento no varejo de uma forma geral, em torno de 4% a 4,5% ao final do ano, mas o que se espera agora com a pandemia é uma queda de 6% do PIB em 2020, no setor varejista. Durante essa crise, com a adoção de medidas de isolamento e a perda de renda das pessoas, polos produtivos, como supermercados e farmácias, que mantiveram as vendas por se tratar de empresas de serviços essenciais, estão tendo uma renda média de 30% a 35%.

Um levantamento feito pela MindMiners, empresa de tecnologia especializada em pesquisa digital de São Paulo que mapeia o comportamento do varejo, as mudanças ocorreram através de ondas que são determinadas por meio das medidas de confinamento e a quantidade de expansão de casos por estado. O estudo aponta que da segunda onda - até o dia 15 de março - para terceira - situação atual -, setores como restaurantes estabilizaram, porque rapidamente migraram suas atividades para o delivery. Já para os outros setores que não adotaram soluções para esse período, a perspectiva é que em pouco tempo fechem as portas.

Christian Avesque aponta que o varejo que conseguir se tornar multicanal mais rápido vai sobreviver. Como exemplo, cita a rede de lojas Magazine Luiza como empresa que está adaptada a esse novo contexto de mercado. Como forma de ajudar o pequeno varejo, ela criou uma plataforma digital de vendas, para que eles pudessem obter renda durante o isolamento social. “O varejo que fizer parte do ambiente online e off-line, fizer venda com entrega em curto prazo, construir um marketplace com parceiros, que investir pesado no universo digital, vai ter uma chance muito maior de sair dessa crise. Essa é a única solução. Quem não estiver trabalhando nesse formato vai sofrer bastante”, explica.

Nesse contexto de mercado multicanal, os setores que mais se destacam são os supermercados, padarias, farmácias, profissionais autônomos que prestam serviços em domicílio, moda e cosméticos. Dentre as empresas cearenses estão a Normatel, Pinheiro Supermercado, Mercadinhos São Luiz, Acal, Pague Menos e Ordones. Já os serviços de bens-duráveis, que possuem um valor mais expressivo e precisam de crédito para serem adquiridos, terão uma dificuldade maior.

Para as pequenas empresas, o professor sinaliza uma saída que empresas da Itália, da Alemanha e da França estão utilizando para reduzir os surtos em até 30% e atender em um raio de até 5km. “Os pequenos empresários, que atendem em bairros ou em uma área de até 3km, devem se reunir, criar uma pequena join center, uma pequena associação, para juntos comprarem insumos, gerarem estoque, e, por fim, realizarem a entrega do produto”, aponta. 

A análise foi feita com base em dados de pesquisas disponibilizados pela MindMiners (empresa de tecnologia especializada em pesquisa digital de São Paulo), Cielo (empresa brasileira de serviços financeiros) e Google (empresa multinacional de serviços online e software dos Estados Unidos) sobre os impactos da pandemia na rotina e nos hábitos da população e no varejo brasileiro.

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