Bancários da Caixa pedem apoio de governadores e defendem descentralização de pagamento do auxílio para fim de filas em agências


Governo anuncia participação dos Correios no cadastramento do benefício, mas mantém pagamento centralizado. Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) formalizam pedido de ajuda a Consórcio Regional do Nordeste e reivindicam ampla campanha de informação à sociedade
A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) formalizaram pedido de apoio aos nove governadores do Nordeste como uma das medidas defendidas pelas entidades para a solução do problema das filas e aglomerações em agências da Caixa. Além do envolvimento de outras instâncias no processo de pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 à população, a Fenae e a Contraf continuam insistindo com o governo para a realização de uma ampla e eficiente campanha de informação à sociedade, explicando, por exemplo, que muitos serviços podem ser feitos ou agendados por telefone, sem a necessidade de deslocamento até as agências.
Nesta semana, gigantescas filas continuaram se formando na porta de unidades da Caixa, em diversos locais do país. Diante da omissão e da resistência do governo em descentralizar o pagamento do auxílio — concentrando na Caixa Econômica o atendimento a mais de 50 milhões de beneficiários (quantidade que pode chegar a 100 milhões de pessoas, quase metade da população brasileira) — as entidades sindicais enviaram ofício ao governador da Bahia, Rui Costa, presidente do Consórcio do Nordeste. No documento, a Fenae e a Contraf solicitam ajuda governamental para a organização das filas e redução dos riscos de contaminação das pessoas e também dos cerca de 50 mil bancários da Caixa à frente do atendimento à sociedade.
“Os empregados da Caixa estão fazendo um trabalho essencial aos brasileiros, se desdobrando para atender a população como ela merece; reforçando o papel principal do banco, que é ser uma empresa pública com compromisso social”, destaca o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto. “Já a direção da Caixa não tem adotado as medidas necessárias para evitar essas filas e aglomerações gigantescas, inaceitáveis”, acrescenta.
No ofício ao Consórcio do Nordeste, a Fenae e a Contraf pedem o apoio dos governadores para a adoção da distância de segurança entre as pessoas, com organização de filas, demarcação de distanciamento em solo ou adoção de balizadores; uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) pelos bancários; higienização frequente das agências e oferecimento de álcool em gel e/ou água e sabão para empregados e clientes. Confira aqui a íntegra do ofício.
FALTA DE PLANEJAMENTO — A Fenae e a Contraf ressaltam que as aglomerações nas unidades da Caixa Econômica se devem à falta de planejamento do governo Bolsonaro. “Ineficaz na operacionalização do pagamento do auxílio emergencial”, afirma Sérgio Takemoto.
Após pressão das entidades sindicais e associativas para o governo adotar medidas realmente eficazes à resolução das filas nas agências da Caixa, o Ministério da Cidadania anunciou, nesta quinta-feira (7), que os Correios deverão ajudar no cadastro do auxílio emergencial. Para o presidente da Fenae, além da participação dos Correios no cadastramento dos beneficiários, outra medida extremamente necessária é que o pagamento do auxílio seja descentralizado, compartilhado com outras instituições bancárias.
“É importante colocar todos (os órgãos aptos) para fazerem o atendimento à população. Envolver as prefeituras, por exemplo”, defende Takemoto. Ao reforçar a necessidade de uma campanha informativa efetiva por parte do governo, o presidente da Fenae observa: “Grande parte da população procura a Caixa para tirar dúvidas, o que contribuiu para as aglomerações e o aumento do risco de contágio pela Covid-19”.
A representante dos bancários no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, também considera importante a parceria com os Correios. “É uma decisão correta. Existem agências dos Correios em cidades onde não há banco e a empresa pública tem expertise para realizar esse serviço, por conta do banco postal”, enfatiza a conselheira.
SEGUNDO LOTE — Para o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600, a direção da Caixa informou que adotará um novo cronograma “mais espaçado”. Segundo o banco, os pagamentos serão feitos de acordo com o mês de nascimento dos beneficiários. Dessa forma, os primeiros a receber serão os nascidos em janeiro e fevereiro e os últimos, novembro e dezembro. 
De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a ideia é que este “espaçamento” se ajuste à capacidade de atendimento das agências e à demanda da população. Até o momento, mais de 50 milhões de brasileiros receberam o auxílio por meio da Caixa Econômica. Quase 100 milhões solicitaram o benefício pelo aplicativo Auxílio Emergencial. Destes, 56 milhões pedidos foram aprovados e 26 milhões, negados. O restante continua em análise.

Como fazer o cadastramento ao auxílio:
O cadastramento ao auxílio emergencial pode ser realizado digitalmente pelo aplicativo “Caixa Auxílio Emergencial” e pelo site https://auxilio.caixa.gov.br/  
A Caixa informa que o acompanhamento da solicitação está disponível somente por este site e pela Central Telefônica 111. É possível conferir, também, se o cadastro para receber o benefício foi aprovado.
São dois aplicativos sobre o auxílio que podem ser baixados na loja de aplicativos de celulares (Android ou iOS):
— Aplicativo Auxílio Emergencial: para fazer o cadastro;
— Aplicativo Caixa Tem: para acessar informações sobre o Auxílio Emergencial, benefícios e programas sociais; além de informações ao trabalhador, como FGTS, Abono Salarial do PIS e Seguro-Desemprego. Beneficiários que recebem o Auxílio Emergencial pela Poupança Social Digital precisam fazer atualização na loja de aplicativos para ter acesso às novas funcionalidades da plataforma.

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