Pular para o conteúdo principal

Ricardo Santana diz à CPI que trabalhou sem remuneração em ministério

 Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta quinta-feira (26), o ex-diretor da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) José Ricardo Santana disse que deixou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e foi trabalhar no Ministério da Saúde sem receber salário. A Cmed é um órgão interministerial que tem na secretaria executiva um representante da Anvisa.

Segundo Santana, o convite para o Ministério da Saúde foi feito pelo então diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, investigado na CPI por suspeita de pedido de propina em negociação de vacinas.

De acordo com Santana, o pedido de demissão da Anvisa ocorreu em 23 de março, mas foi publicado no Diário Oficial da União uma semana depois, no dia 30. Ele não explicou aos senadores o que fazia no Ministério da Saúde e não soube informar quando deixou de trabalhar na pasta.

O ex-diretor presta depoimento acompanhado por um advogado e protegido por habeas corpus concedido pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garante o direito ao silêncio diante de perguntas dos senadores, se achar que as respostas podem incriminá-lo. Ele não prestou o compromisso de dizer a verdade.

Diante da insistência dos senadores em saber sobre a falta de remuneração no Ministério da Saúde, Santana disse que sua nomeação não foi efetivada pela “rotatividade de ministros”. No entanto, em troca de mensagem obtida pelo colegiado,  Ricardo Santana afirma, no dia 10 de junho, que “lhe foi exigido sair do ministério”.

Os senadores também quiseram saber quanto o depoente ganhava na Anvisa para aceitar trocar um trabalho na agência por um “cargo incerto”. O ex-diretor disse então que não se lembrava da remuneração.

"O Brasil precisa de muito brasileiro igual a esse cara. Ele deixa de receber um salário para trabalhar no Ministério da Saúde sem receber nada. Ele não lembra quanto ganhava na Anvisa. Ele era lobista no ministério. Ninguém sai de um cargo, para ficar sem salário, em tempos de crise", concluiu o presidente da CP, senador Omar Aziz (PSD-AM).

Jantar

José Ricardo Santana foi um dos citados no depoimento de Luiz Paulo Dominguetti, cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, como um dos participantes de um jantar, no dia 25 de fevereiro, em Brasília, no restaurante Vasto. Na ocasião, Roberto Ferreira Dias teria pedido US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca, para a compra de 400 milhões de doses por meio da empresa Davati Medical Supply pelo Ministério da Saúde. Dias nega a acusação.

À CPI, Santana justificou que estava em um encontro social com Roberto Dias, quando  Dominguetti e o coronel Marcelo Blanco, ex-diretor-substituto de Logística do ministério, chegaram ao restaurante. Ele disse não se lembrar dos pontos tratados. “Eu não presenciei nenhum pedido de vantagem indevida”, afirmou.

Precisa

Os senadores também quiseram saber de Santana se ele tem alguma relação com o dono e o diretor da Precisa Medicamentos Francisco Maximiano e Danilo Trento, respectivamente. Apesar de confirmar que conhece ambos, o depoente negou ter sido contratado pela empresa para negociar kits ou outros produtos relacionados à covid-19 com o governo do Distrito Federal.

A resposta causou a reação do relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). A CPI suspeita que Santana tenha participado de um esquema para fraudar licitações de compra de testes rápidos para covid-19 pelo Ministério da Saúde. Segundo Calheiros, o ex-diretor teria apresentado um roteiro para desclassificar os primeiros colocados a fim de favorecer a Precisa em contrato de mais de R$ 1 bilhão.

A suspeita passou a ser investigada após a obtenção de áudio pela CPI, no qual Santana fala da existência de um “plano” montado em junho de 2020 para apresentar ao governo federal a proposta de aquisição de testes da covid-19. A proposta teria sido feita com ajuda da médica Nise Yamaguchi. Aos senadores, o depoente disse que nenhum plano foi apresentado sobre o assunto ao governo.

"Eu conheço a doutora Nise, tenho uma relação superficial com ela e nada aprofundada. Eu me lembro de ter encontrado com ela umas duas vezes e uma delas foi para o trabalho realizado em São Paulo. Era uma questão de interesse sobre a retomada econômica do Brasil e a testagem", disse o ex-diretor.

Ainda sobre a Precisa, o relator quis saber o que José Ricardo Santana foi fazer na Índia em viagem paga pela empresa com objetivo de tratar da comercialização da vacina Covaxin, da empresa indiana Bharat Biotech.

Edição: Juliana Andrade

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ajudem a jornalista Marina Alves- TV Verdes Mares

 Oi, gente! Boa noite! Os últimos dias de tratamento foram bem difíceis, por isso fiquei mais ausente por aqui. Agora, começo a recuperar um pouco as forças com a ajuda de transfusões de hemácias e plaquetas. No sentido mais literal que existe, doações que estão salvando a minha vida. Por isso, gostaria de pedir a quem quiser/puder, que me ajude e, consequentemente, ajude outras pessoas com o simples gesto de doar. Pra isso, é só chegar no Fujsan e dizer que quer doar hemácias e plaquetas pra Marina Alves Bezerra. Me disseram que precisa só do nome mesmo, mas se perguntarem mais alguma coisa, lá vai: Nasc 11/04/1989 / CPF: 037.610.203-92 / Inertada no setor de oncologia do Hospital da Unimed. Soube que plaquetas só podem ser doadas por homens, com veias calibrosas. Mas hemácias é uma doação de sangue “normal”. Outra coisa. Soube hoje pelo médico que me acompanha, que além do tratamento de quimioterapia já iniciado, vou precisar de um transplante de medula. Como não tenho irmãos, as cha

Irmão do prefeito de Caucaia e candidato a reeleição, Naumi Amorim, teria sido preso suspeito de crime eleitoral com grande quantidade de dinheiro. Polícia Federal não confirma prisão

 A abordagem foi realizada pela Polícia Civil e por se tratar de possível ilícito eleitoral. Ele teria sido encaminhado para a Polícia Federal juntamente com três secretários da Prefeitura. Além do dinheiro, cerca de 1 milhão de reais, foram apreendidos “Livros-caixas” da contabilidade. Por enquanto não foi confirmada a prisão pela Polícia Federal. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, se foi para a PF, tem todo um procedimento de formalidades, desde ouvir o conduzido, testemunhas, analise do que foi apreendido etc. A PF não informa nome de pessoas. O site Ceará é Notícia entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do candidato a fim de saber se o mesmo vai se manifestar. 

Boletim de saúde sobre Normando Sóracles

 Boletim manhã 05/12 Normando Soracles segue internado na UTI do hospital São Camilo em Fortaleza onde deu entrada na noite do dia 01/12. Encontra-se sedado, se mantendo clinicamente estável após intubação orotraqueal realizada na manhã do dia 03/12. Apresentou melhora significativa do quadro respiratório e dos exames laboratoriais em comparação ao dia anterior. Mantendo-se sem febre e sem leucocitose. Vem respondendo satisfatoriamente a pronação (técnica que consiste em alternar a posição de deitada) mais conhecida como "posição do nadador". Novos exame serão realizados ao fim desta tarde.   Seguimos cada vez mais confiantes na sua plena recuperação. Tendo a convicção plena que Deus é conosco!