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Acidente: ônibus escolar transportando alunos tomba em Ocara, no interior do Ceará Imagens feitas logo após o acidente registram o momento em que os estudantes saem do veículo

  Um ônibus escolar tombou em um acidente registrado nesta quinta-feira (30) no município de Ocara, no interior do Ceará, no momento em que transportava vários alunos. A ocorrência se deu na Estrada dos Bola, zona rural da cidade. Foto: Reprodução Gcmais 

8M: Mulheres das Forças de Segurança vencem tabus e destacam conquistas na luta pela equidade de gênero

 

Provavelmente, você abriu as redes sociais hoje e se deparou com incontáveis mensagens comparando as mulheres com rosas vermelhas ou guerreiras. Neste Dia Internacional da Mulher, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) pede licença às cearenses para superar uma antiga dicotomia. Desde 8 de março de 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia da Mulher, muita coisa mudou. Elas conquistaram direitos, venceram tabus e seguem avançando para mais conquistas. Hoje, nossas mulheres das Forças de Segurança aprenderam a apoiar-se uma nas outras, almejando voos cada vez mais altos, com ética, profissionalismo e competência em tudo que se propõem em fazer.

“O 8 de março é uma data para lembrar que não se pode matar a mulher, que não se pode assediar e que temos condições de trabalhar em qualquer função. E, no resto do ano, (homens) lembrem-se que não é apenas nesta data que queremos ser respeitadas. Hoje, é construída toda essa ´lua-de-mel´ e no resto do ano precisamos ser guerreiras para não sofrermos qualquer tipo de violência. É uma luta que eu não gostaria de lutar, é uma guerra que eu entro para sobreviver”, provoca a socióloga da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) da SSPDS, Paula Vieira, ao citar o padrão mínimo que é um marco civilizatório.

Como pesquisadora, Paula destaca que os relacionamentos entre homens e mulheres, mesmo aqueles estabelecidos no ambiente de trabalho, não começam de forma agressiva. “Pelo contrário, eles tentam agradá-las – e é justamente nesse momento quando as mulheres costumam se encantar”, desvenda. Por outro lado, olhares inapropriados para a imagem das mulheres, a surpresa com a presença delas em ambientes predominantemente masculinos e uma tendência em desconsiderarmos as opiniões delas, mesmo quando elas se baseiam em critérios eminentemente técnicos, são outras barreiras que persistem silenciosas.

“Historicamente”, reflete a comandante da Companhia de Policiamento com Cães (CPCães) da PMCE, capitã Maria Freitas, “ser uma mulher nas Forças de Segurança é desafiador e exige uma vigilância constante para que não haja confusão entre gênero e conduta”, “Em ambientes onde somos minoria, sabemos que erros individuais podem ser generalizados. Por isso, muitas mulheres desenvolvem um nível elevado de preparo técnico e disciplina. Não por fragilidade, mas por consciência de que nós representamos mais do que a nós mesmas”, complementa a tenente-coronel Roberta Barbosa, da Companhia de Socorro e Urgência (CSU) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE).

Outra mulher que prefere ficar de fora do estereótipo de mulher-guerreira é a delegada do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabiana Perez. “Não gosto dessa nomenclatura, não fomos criadas para sermos guerreiras e, sim, seres humanos. Temos falhas, limitações, angústias, tristezas e inseguranças. Exercemos a nossa função da melhor forma possível, com falhas e acertos, assim como os homens. Então, existe esse dualismo, sim, mas particularmente não concordo, não me sinto uma guerreira, me sinto uma profissional da Segurança Pública como qualquer outra”, argumenta.

A caminho para a igualdade de gênero

Se a realidade ainda é dura sob muitos aspectos, servir a população cearense é motivo de muito orgulho para essas mulheres. “Para mim, fazer parte desse quadro seleto de mulheres na Segurança Pública é a realização de um sonho. Hoje, me sinto profissionalmente realizada e fico feliz com a possibilidade de mais mulheres se sentirem assim”, testemunha a cabo policial militar Jéssica Oliveira. Ela integra uma nova geração de mulheres pela Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) da SSPDS que tem como principal referencial a major Lívia Marinho, a primeira cearense a se tornar comandante de uma aeronave da Ciopaer.

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Ocupar espaços é importante para a promoção da igualdade de gênero e as mulheres aprendem cedo essa máxima. “Desde criança, minha mãe sempre me incentivou a estudar para ter minha profissão, ter meu dinheiro e não depender de ninguém. As palavras dela ecoam em mim até hoje”, reflete a policial militar recém- formada pelo Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp), Elidiane Alves, hoje mãe de uma garotinha de apenas três anos. “Posso dizer que cheguei até aqui com muito estudo e com o incentivo da minha mãe, que sempre me dá todo o suporte que preciso”, reconhece Elidiane.

Quando uma mulher põe os pés em um espaço predominantemente masculino, ela abre espaço para inúmeras outras e as orienta a como alcançar uma promoção na carreira. Tanto é assim que, em 26 de agosto de 1994, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) implementou a Companhia de Polícia Feminina e, em 12 de dezembro de 1994, foi a vez de duas cadetes iniciarem a própria trajetória no Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE). Por fim, as primeiras mulheres chegaram na Ciopaer em 2002, na atividade de apoio de solo. Hoje, essa vinculada da SSPDS conta com o trabalho de 27 mulheres, sendo 15 policiais militares, 10 profissionais da saúde e duas policiais civis.

Com o tempo, a reação de curiosidade da população, em relação à presença feminina nas ruas, acaba se transformando em admiração. “As atividades operacionais modernas não se baseiam apenas em força. Elas envolvem técnica, estratégia, resistência, inteligência situacional e trabalho em equipe”, descreve a tenente-coronel Roberta. “Quando a população percebe segurança na voz, domínio técnico e postura firma, a autoridade se estabelece. A farda representa o Estado e a postura sustenta essa representação”, complementa a bombeira militar que também é a autora do livro “Mulheres Militar do Ceará x Relações de Poder”.

Juntas elas voam cada vez mais longe

A principal função pedagógica de celebrarmos o Dia Internacional da Mulher é inspirar cada vez mais mulheres, trocando a competição entre elas por cooperação mútua. “Acho muito inspirador ter uma mulher como gestora da Abips (a psicóloga e coordenadora da Assessoria de Assistência Biopsicocial, da SSPDS, Bruna Gadelha), especialmente porque admiro o lema que ela trouxe para nós: ´o cuidado com as vidas que protegem (a população cearense)´. Além disso, ela encara essa função não apenas como um emprego, mas como uma missão de vida”, elogia a assistente social da Abips, Amanda Linhares.

Não apenas na Abips, ou na Ciopaer, na Supesp, na Polícia Civil, e mesmo na Assessoria de Comunicação da SSPDS também encontramos outras mulheres em função de destaque na Segurança Pública. “Hoje, temos uma representante que é a delegada adjunta (Tereza Cristina), que é uma mulher que nos apóia, nos representa e é motivo de muito orgulho para a Polícia Civil”, demonstra a delegada Fabiana como as mulheres têm ocupado cada vez mais destaque também na Segurança Pública.

Expor os próprios méritos é outra forma didática de demonstrar esse novo passo civilizatório até a igualdade de gênero. A cabo Jéssica da Ciopaer cita o apoio e a confiança dentro de casa como fundamentais, mas é a coordenadora de Medicina Legal da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) nos fala sobre uma educação ainda mais profunda. “Quando crescem em ambientes onde existe respeito, diálogo e cooperação entre homens e mulheres, elas tendem a reproduzir relações mais equilibradas no futuro. No fim das contas, construir uma sociedade mais justa começa nessas atitudes cotidianas”, ensina a coordenadora da Comel.

Não é uma questão de gostar, ou não, de bombons, elogios ou rosas vermelhas. “Uma mulher pode ser feminina e guerreira ao mesmo tempo, uma (coisa) não se distancia da outra”, sinaliza a capitã Maria Freitas. O problema é quando esse tipo de agrado surge bem no meio dos ciclos de violência. “Assim como outras minorias, seguimos trabalhando para garantir os nossos direitos”, complementa a comandante da CPCães, capitã Maria Freitas, ao mencionar que não está disposta a abrir mão das muitas conquistas femininas.

Não é apenas sobre direitos fundamentais, como o voto (1932), o direito de trabalhar (1962), a legalização do divórcio (1877) e a igualdade de direitos e obrigações garantidas pela Constituição Federal de 1988. É também sobre os até 120 dias de licença-maternidade e a estabilidade no emprego, desde a confirmação da gravidez até o quinto mês após o nascimento, garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT/ 1943); as quotas de gênero de candidaturas femininas nos partidos políticos (1997); a Lei Maria da Penha (2006); a igualdade salarial (2023) e a garantia legal de acesso aos métodos contraceptivos (2023).

Nenhuma dessas conquistas retirou direitos de ninguém. Ainda assim, quais foram os direitos que nós, homens, temos lutado no último século?! “Não dá para tirar os homens da sala de estar, não é disso que se trata”, retorna a pesquisadora Paula Vieira para provocar os homens a lutar pela ampliação do tempo da licença-paternidade, ou ter mais tempo para cuidar dos pais idosos, por exemplo. “Se as referências masculinas são voltadas para fazer da mulher uma submissa, ele cresce violento e tende a buscar a submissão das mulheres”, conclui a socióloga reforçando que uma sociedade machista coloca os homens como as maiores vítimas da violência.

Todos contra a violência contra a mulher

Embora sejam muitas conquistas até aqui, temos consciência que a violência contra as mulheres persiste. Neste momento, o mais importante é que você saiba que não está só e que todas essas mulheres – e tantas outras – estendem a mão lhe ajudar. Se você é vítima de violência doméstica, ou conhece alguma vítima, a SSPDS lhe convida a discar 181, o Disque-Denúncia da SSPDS, ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181, que recebe mensagens, áudios, vídeos e fotografias. Outra opção é a “e-denúncia”, disponível no site do serviço 181. Além disso, está disponível o telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, do Ministério da Mulher.

No âmbito da Polícia Militar do Ceará (PMCE), o Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (Gavv), do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), presta suporte contínuo às mulheres e demais integrantes de grupos vulneráveis. Desde a criação do Gavv, em 2013, nenhuma das mulheres assistidas pelos policiais militares do grupo foi vítima de feminicídio.

Na Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), a população conta com 11 unidades da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsáveis por receber denúncias e investigar crimes praticados no âmbito doméstico e familiar, além de feminicídios e crimes sexuais. Na Capital, as especializadas funcionam na Casa da Mulher Brasileira, no bairro Couto Fernandes, e no bairro Papicu. No interior, há DDMs em Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá, Pacatuba, Caucaia, Maracanaú, Crato, Iguatu e Icó. Nas cidades onde não há unidade especializada, os casos podem ser registrados e investigados pelas delegacias municipais e regionais.

Origens do Dia das Mulheres

Não existe consenso histórico sobre a origem do Dias das Mulheres. A menção mais frequente é o incêndio da fábrica da Triangle Shirtwaist, nos Estados Unidos, em 25 de março de 1911, quando 129 mulheres e 23 homens morreram. De fato, houve o fortalecimento do Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras (ILGWU, em inglês), controlado majoritariamente por mulheres, embora uma jornada anual de protestos em prol aos direitos das mulheres já tivesse sido proposta, em 26 de agosto de 1910, pela comunista Clara Zetkin na Dinamarca.

A primeira comemoração oficial de um Dia da Mulher aconteceu em 19 de março de 1911 e é uma consequência da proposta apresentada por Zetkin durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas. Em 8 de março de 1915, a comunista Alexandra Kollontai organizou uma reunião pública em Oslo, na Noruega, contra a guerra. Já em 8 de março de 1917, seguindo o calendário gregoriano, ocorreu uma greve espontânea de trabalhadoras russas do setor de tecelagem. A marcha por “paz e pão” é tratada pelos historiadores como uma antecipação da Revolução Russa de 1917.

Somente em 8 de março de 1975, as Organizações das Nações Unidas (ONU) instituiu aquele mesmo ano como o Ano Internacional da Mulher e adotou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Em 1977, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução convidando todos os países-membros a proclamarem, conforme calendário próprio, o Dia das Nações Unidas para os Direitos da Mulher e a Paz Internacional. “Conclama a todos os países-membros a manter suas contribuições para criar condições favoráveis para eliminar a discriminação contra mulheres”.

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