
O debate em torno da escala de trabalho 6×1 ganhou uma força no Brasil, mobilizando trabalhadores, a classe política e o setor produtivo em uma discussão sobre a dignidade laboral e a produtividade. De um lado, movimentos sociais e o executivo federal apontam que a jornada que concede apenas um dia de folga semanal é exaustiva, comprometendo a saúde mental, o convívio familiar e a qualidade de vida do trabalhador.
Pensando nisso, a Câmara de Fortaleza, por meio do vereador Aglaylson (PT), promoveu uma audiência pública, na tarde desta segunda-feira (25), no auditório Ademar Arruda, para discutir a temática com a sociedade civil organizada, classe trabalhadora e representantes dos setores interessados na discussão. Segundo o propositor do evento, o objetivo do encontro foi debater um dos temas de maior repercussão socioeconômica do país na atualidade que é o fim da jornada de trabalho na escala 6×1.
Paralelamente às discussões no legislativo municipal, a articulação política avançou na Câmara Federal e na Presidência da República para pautar a votação da PEC ainda nesta semana. A proposta prevê não apenas a extinção do modelo 6×1, mas também a redução progressiva da jornada semanal de 44 para 40 horas. Na proposta apresentada pelo Congresso Nacional, nos dois primeiros meses após a aprovação, haverá uma redução de duas horas, e no prazo de um ano, a retirada de mais duas horas, totalizando a meta proposta.
De acordo com o propositor do evento, vereador Aglaylson, a readequação da legislação trabalhista é um clamor nacional que terá reflexos na dinâmica urbana de Fortaleza e de todo o estado. Segundo ele, as estimativas apontam que a medida afetará diretamente a rotina de aproximadamente 250 mil trabalhadores em todo o território cearense.
Durante seu pronunciamento, o parlamentar ressaltou que a rotina exaustiva de trabalho, tem cobrado um preço alto da saúde mental dos assalariados, justificando a urgência da revisão constitucional.
“Nós precisamos que os trabalhadores possam ter mais tempo com sua família, para o descanso, porque são muitos os afetados por doenças psicológicas, como a síndrome de Burnout, com índice de estresse, problemas psicológicos. Não é simplesmente o trabalho, você tem o deslocamento e nesse deslocamento muitas vezes se perde uma hora para ir e mais uma hora para voltar. Então o trabalhador no final de semana está exausto. Quando se trabalha no sábado, só existe um dia para descanso e para o lazer. O que nós queremos é adequar a legislação brasileira ao que o mundo vive hoje”, disse o parlamentar.
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Luciano Simplício, representou o Fórum das Centrais Sindicais, que engloba também CUT, CTB, Força Sindical e Nova Central. Ele apresentou dados alarmantes sobre o impacto psicossocial do atual modelo de contratação. Segundo as centrais, setores específicos, como o comércio, enfrentam uma verdadeira epidemia de adoecimento decorrente da pressão por metas e da falta de tempo hábil para a recuperação física e mental dos funcionários.
“Todas as centrais sindicais e os sindicatos estão juntos na aprovação do fim da escala 6×1. Essa escala está matando a classe trabalhadora, principalmente algumas categorias, como quem trabalha no comércio. Então, hoje, muitos trabalhadores e trabalhadoras estão vivendo sob efeito de antidepressivo, de ansiolíticos e nós buscamos a redução da escala para 5 por 2, para a classe trabalhadora ter mais tempo para o lazer, para descansar, para cuidar de filhos, para viver, porque hoje estão vivendo para trabalhar, estão trabalhando até morrer, e isso não interessa para nós”, contou.
O líder sindical também chamou a atenção para o cotidiano invisível daqueles que dependem do transporte público na capital cearense, relatando cenas de exaustão física que evidenciam o esgotamento físico das pessoas. “Se você pegar um transporte coletivo aqui em Fortaleza, no horário de 4 da manhã até às 20 horas, você vai constatar trabalhadores e trabalhadoras dormindo no transporte público. Se você pegar o metrô, tem trabalhadores e trabalhadoras dormindo em pé, porque não tem tempo nem para descansar. Um dia de folga não dá tempo para ficar com filho, não dá tempo nem de ir a um médico para uma consulta, então isso tem que passar, isso tem que ser aprovado esse ano. Para isso, é necessário uma mobilização constante da classe trabalhadora e nós tiramos todo um calendário de movimentação para esse período. Um em cada dois brasileiros, metade da população brasileira está adoecida. São 37 suicídios por dia no Brasil. São 120 mil caixas de medicamentos de faixa preta que são vendidos por dia no Brasil. E a Câmara Municipal tem um papel preponderante nessa história”. concluiu.
Assista a audiência pública na Íntegra:
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