Programa Feira de Pequenos Negócios de Fortaleza soma mais de 430 edições e impulsiona economia criativa nos bairros
Com protagonismo negro e LGBTQIAPN+, Festival Bora promove encontros entre arte, diversidade e representatividade
Programação gratuita ocupa diferentes territórios de Fortaleza até 26 de julho com shows, exposições, festas e ações culturais protagonizadas por artistas negros, LGBTQIAPN+ e periféricos
A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secultfor), em parceria com o Instituto Cultural Iracema (ICI), realiza, de 3 a 26 de julho, a segunda edição do Festival Bora. Com atividades gratuitas às sextas, aos sábados e aos domingos, o festival destaca o protagonismo de artistas negros, LGBTQIAPN+ e periféricos, promovendo uma programação que fortalece a diversidade cultural e amplia a ocupação artística em diferentes territórios da cidade.
As atividades são realizadas na Barra do Ceará, no Poço da Draga, na Praia de Iracema, no Centro, no Mucuripe, no Castelo Encantado, na Praia do Futuro, na Sabiaguaba e no Caça e Pesca, reunindo música, artes visuais, cultura urbana e manifestações populares em diálogo com as águas, as margens e as comunidades que formam Fortaleza.
A programação do Festival Bora reúne artistas de diferentes trajetórias, linguagens e territórios, refletindo a diversidade que marca a produção cultural contemporânea de Fortaleza e do Brasil. Com protagonismo de artistas negros, LGBTQIAPN+ e periféricos, o festival fortalece uma cena artística plural, amplia a circulação de diferentes narrativas e reafirma o compromisso com políticas culturais voltadas à representatividade e à ocupação democrática da cidade.
Entre os destaques da programação musical estão Luedji Luna, MC Luanna, Carlos do Complexo e Jup do Bairro, artistas que dialogam com temas como identidade, território, raça e gênero. O festival também evidencia a força da produção cearense ao reunir nomes como Caiô, Assun, Luíza Nobel, Otto Nascimentu, Mumutante, Vits, Roberta Kaya, Izma Xavier, Davinci, Daniel Rebouças e o coletivo 4RTIN DELAS.
A valorização da diversidade também se estende às artes visuais. A exposição Afrofaces do Trancismo em Fortaleza, do Coletivo Nagôs Transatlânticas, celebra as trajetórias, os saberes e a potência das trancistas da capital, reconhecendo o trancismo como expressão artística, cultural e de resistência da população negra.
Outro destaque é o Baile do Beco, idealizado por Princesinha de Favela, que reúne Cabulosa, Felina, Dona, Lany Bandida, Pretassa, Zabeli, Souma, DJ Nayma, DJ PretaBelzinha, DJ Angel History, DJ Negona, Fogo na Babilônia, MT da ZL, Lunna Wings e Neguinha Promissora. A programação inclui ainda A Noite Mais Triste do Mundo, com Ella Monstra, ampliando o espaço para artistas e coletivos LGBTQIAPN+ e reafirmando o Festival Bora como uma plataforma de visibilidade para produções que historicamente ocuparam menos espaço nos grandes eventos culturais.
Sobre os artistas
Luedji Luna
Cantora e compositora natural de Salvador, Bahia. Reconhecida como uma das grandes referências da música popular brasileira contemporânea, sua obra atravessa temas como feminismo, negritude, ancestralidade e afetos.
MC Luanna
Cantora e compositora, Luana Santos Oliveira nasceu na Bahia e atualmente vive em São Paulo. Mulher preta e favelada, traduz suas vivências em música, construindo uma trajetória marcada por letras sobre empoderamento, identidade e cotidiano, entre o rap, o trap e o funk.
Carlos do Complexo
Nascido e criado no Complexo do Engenho da Rainha, no Rio de Janeiro, Carlos do Complexo se consolida como um dos produtores mais inventivos de sua geração. Também conhecido como CDC, o artista experimenta sonoridades que atravessam música eletrônica, R&B, funk carioca e músicas africanas.
Jup do Bairro
Multiartista, cantora, compositora e performer, nascida e criada no Capão Redondo, periferia de São Paulo. Destaque da cena contemporânea, sua obra mistura rap, pop e funk, trazendo reflexões sobre as vivências de travestis, corpos pretos e periféricos.
Um Salve à Música Negra Cearense
O projeto reúne afrofuturismo, reggae e ancestralidade em um encontro com nomes fundamentais da música cearense, como Caiô, Assun, Luíza Nobel, Otto Nascimentu, Mumutante, Vits, Roberta Kaya, Izma Xavier, Davinci e Daniel Rebouças.
4RTIN DELAS com Cabulosa, Dona, Má Dame, DJ Nayma, Ynaiã, Alisha das Rimas, Lany Bandida e Zabeli
O coletivo feminino atua como uma plataforma de fortalecimento do grime a partir da diversidade de narrativas, experiências e perspectivas que compõem o movimento. O projeto incentiva novos talentos, promove intercâmbios criativos e aproxima o público de artistas que movimentam a cena, mas nem sempre encontram espaços adequados para apresentar seus trabalhos.
Princesinha de Favela
Formada por mulheres negras e periféricas da cena de Fortaleza, a produtora Princesinha de Favela realiza o Baile do Beco, projeto que ressignifica ritmos muitas vezes marginalizados por terem origem nas favelas. A line reúne baile de favela, paredão, funk, forró de favela, rap, grime e reggae, com protagonismo de artistas negras e periféricas da cena local.
A Noite Mais Triste do Mundo
Festa realizada desde 2019, comandada por Ella Monstra no microfone e na discotecagem. O projeto desafia as convenções das pistas tradicionais ao reunir canções tristes e nostálgicas, criando uma experiência marcada por memória, emoção e catarse coletiva.
Afrofaces do Trancismo em Fortaleza
Exposição fotográfica realizada pelo Coletivo Nagôs Transatlânticas. A mostra celebra trajetórias, saberes e práticas das trancistas de Fortaleza, apresentando as tranças afro como expressão estética, tecnologia ancestral, cuidado, memória, cultura e geração de renda para mulheres negras.
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