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Comissão debate soluções para superlotação de hospitais infantis

 Comissão debate soluções para superlotação de hospitais infantis

Foto: Dário Gabriel
A alta demanda por atendimento para doenças respiratórias em crianças, associadas ao período de chuvas, foi debatida durante audiência pública realizada nesta terça-feira (24/05) pela Comissão de Seguridade Social e Saúde (CSS) da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

A discussão atendeu a requerimento da deputada Fernanda Pessoa (União), que ressaltou as várias questões que envolvem a superlotação dos hospitais infantis. Ela destacou que há maiores dificuldades para os hospitais, que não têm estrutura para a demanda atual e pelo número insuficiente de pediatras. A parlamentar afirmou que também preocupa porque muitas cirurgias eletivas em crianças foram adiadas, uma vez que os hospitais infantis estão precisando atender à grande procura causada pelas doenças sazonais, especialmente as síndromes respiratórias.

Entre os encaminhamentos apresentados, ficou definido que será solicitado que as gestões estadual e municipal de saúde apresentem planos de contingência com um ano de antecedência, já que as doenças sazonais já são previsíveis. Também foi sugerida a criação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) nas adjacências do Hospital Infantil Albert Sabin, para atendimento dos casos mais simples, o que deverá desafogar a demanda no hospital.

A representante do Hospital Infantil Albert Sabin, Marfisa Melo, informou que as doenças sazonais chegaram com mais intensidade e com infecções mais resistentes ao tratamento convencional. Ela explicou que, embora tenha havido aumento do número de leitos, não foi suficiente para a demanda e que há escassez de profissionais pediatras. Marfisa Melo destacou ser necessário aumentar o número de leitos de retaguarda de enfermaria e de leitos de UTI

O reforço do atendimento na rede básica foi frisado pela conselheira do Conselho Regional de Medicina, Maria Airtes Vieira. Ela afirmou que falta médico de saúde da família na rede primária, isso gera sobrecarga em hospitais com casos que poderiam ser tratados em unidades básicas e que a Região Metropolitana também está em uma situação muito difícil.

Segundo o presidente da Comissão de Saúde da OAB, Ricardo Madeiro, a situação da pediatria é reflexo de gestões que centralizaram os atendimentos em hospitais sob a alegação de que havia pouca demanda nas unidades básicas. “A população não encontra pediatra no posto, é grande a demora na UPA, e acaba indo pro Albert Sabin, causando lotação”, pontuou.

Ele enfatizou que, no Ceará, cerca de 1.200 médicos se formam todo os anos e que isso demonstra que não faltam profissionais, mas há instabilidade e precariedade nos vínculos trabalhistas, remunerações baixas e condições ruins de trabalho. Ricardo Madeiro destaca que “não tem medico também por falta de segurança dentro de algumas unidades de saúde”. Ele informou que há relatos de assaltos e de pessoas armadas ameaçando os profissionais.

O representante do Conselho Estadual de Saúde, Aldivan Dias de Oliveira Júnior, cobrou valorização dos profissionais e realização de concurso público. “O último concurso para médicos da atenção primária foi em 2006”, destacou.

Para o representante da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Severino Ferreira Alexandre, é importante fazer um estudo das novas cepas dos vírus que estão causando as doenças respiratórias nesse momento. Ele ainda relatou dificuldades para contratar profissionais da pediatria, intensivistas e clínicos.

A secretária de Saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, explicou que neste ano as doenças sazonais foram mais impactantes. Ela destacou ações realizadas por sua gestão e enfatizou que a dificuldade de encontrar profissionais não existe só no Ceará. A secretária também informou que a demanda de atendimento diminuiu na última semana, o que deve melhorar as condições nos hospitais pediátricos.

A promotora de Justiça da Saúde Ana Cláudia Uchoa cobrou que haja mais planejamento para o atendimento das doenças sazonais, pois já é esperado o aumento da demanda por casos de doenças respiratórias em períodos de chuva. Ela também destacou que é necessário melhorar o atendimento primário durante todo o ano, pois algumas mães não levam as crianças aos postos de saúde porque muitas já passaram pela experiência de buscar atendimento e não encontrar pediatra no local.

JM/CG

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