A Guararapes anunciou nesta terça-feira que vai encerrar as atividades da sua fábrica em Fortaleza, concentrando produção fabril em Natal. A operação no Ceará empregava cerca de duas mil pessoas, quase 10 % do quadro total de empregados do grupo em 2021. A maior parte dos trabalhadores na capital cearense deve ser demitida.
Foi oferecida aos empregados a possibilidade de trabalharem na unidade de Natal ou na operação em São Paulo, mas historicamente, os dados de transferência de empregados dentro das operações de varejistas apontam que uma minoria cogita a mudança.
Os funcionários foram informados do desligamento ontem.
A companhia dona da Riachuelo tem duas unidades fabris, em Fortaleza (CE) e Natal (RN), e passa, com isso, a ter apenas uma no Brasil.
A Guararapes diz que o modelo de negócio da empresa permanece inalterado, com a decisão fazendo parte do planejamento estratégico da companhia.
Segundo a empresa, o foco é em otimizar a operação fabril para intensificar a reatividade, eficiência e competitividade, aliado a um crescimento sustentável.
“A Guararapes tem uma relação de longa data com o Ceará e seguirá atuando no estado por meio de suas lojas”, afirma a companhia.
Os dados da empresa sobre seu quadro de pessoal, arquivados na Comissão de Valores de Mobiliários, mostrava 3,9 mil empregados na unidade de Fortaleza em 2021 (último arquivo disponível). Isso quer dizer que a operação foi sendo reduzida ao longo do tempo, antes de seu fechamento. Na época, equivalia a 9,7% do total de empregados da companhia (40,6 mil).
A empresa ainda não publicou dados sobre quadro de pessoal relativos a 2022. O arquivo é enviado pelas companhias à CVM em maio.
Avaliada em R$ 3,1 bilhões, a Guararapes acumula queda de 35,2% no ano e quase 62% em cinco anos na bolsa de valores.
Em dezembro, a empresa informou que estuda uma fusão com uma de suas concorrentes no varejo de moda no país. A companhia da família Rocha abriu conversas com a Arezzo e com a SBF, dona da Centauro.
Em nota, a empresa afirma que “preza, primordialmente, pelo cuidado e olhar humano”, e os afetados pela decisão “estão recebendo assistência devida” juntamente com um “pacote extra” para auxiliar por certo período.
Foi oferecida extensão do plano de saúde e dobro de aviso prévio, além de meio piso salarial. Máquinas de costuras foram doadas às costureiras e aos demais foi oferecido mais um adicional de um salário.
*Com informações do Valor PRO
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