Ancestralidade e o corpo em diáspora: Pinacoteca do Ceará exibe "Noir Blue" no Cine Dramaturgias
No dia 5 de setembro, o programa Cine Dramaturgias realiza mais uma edição de seus encontros mediados pelo audiovisual, reafirmando seu papel como um território vivo de reflexão, com a exibição do filme Noir Blue, deslocamentos de uma dança, dirigido pela coreógrafa, pesquisadora e artista visual Ana Pi.
Em Noir Blue, a artista embarca rumo ao continente africano em um processo de reconexão com suas origens por meio do gesto coreográfico. A obra constrói um experimento espaço-temporal onde a dança tradicional e a contemporânea se cruzam nas ruas de cidades africanas. Vestida com um véu azul — uma subversão poética e política às violências do racismo e uma evocação de mistério —, Ana Pi faz do próprio corpo uma cartografia de memórias. A dança atua como um movimento de fertilidade, cura e resistência, reencenando formas e cores que despertam um profundo sentido de pertencimento e liberdade comunal.
Com classificação indicativa de 12 anos e interpretação em Libras, a exibição será seguida por um debate conduzido por Tiyê Macau. A mediação se propõe a expandir a experiência do filme ao convidar o público para uma leitura crítica da obra. O momento de debate aplica a dinâmica da reflexividade, transformando a tela em um ponto de partida para discutir a identidade negra, as narrativas afro-diaspóricas e o corpo como documento.
O CineDramaturgias é uma realização do Coletivo DAS3, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secultce), via 15º Edital de Cinema do Ceará. A iniciativa conta com o apoio cultural da Pinacoteca do Estado do Ceará.
Serviço
O quê: Cine Dramaturgias – Exibição de "Noir Blue", de Ana Pi
Quando: 5 de setembro
Onde: Auditório da Pinacoteca do Ceará
Mediação: Tiyê Macau
Horário: 14h
Classificação: 12 anos
Acessibilidade: Intérprete de Libras disponível
Sinopse
Noir Blue, deslocamentos de uma dança
Brasil, França (MG) | 2017 | cor | 27 min
No continente africano, Ana Pi se reconecta às suas origens através do gesto coreográfico, engajando-se num experimento espaço-temporal que une o movimento tradicional ao contemporâneo. Em uma dança de fertilidade e de cura, a pele negra sob o véu azul se integra ao espaço, reencenando formas e cores que evocam a ancestralidade, o pertencimento, a resistência e o sentimento de liberdade.
Direção, Produção, Direção de Fotografia e Edição: Ana Pi
Ana Pi (Diretora)
É uma coreógrafa, artista da imagem, dançarina "extemporânea", pedagoga, escritora e criadora de espaços. Trabalhando da França, ela navega pelo mundo através das camadas regenerativas e imaginação radical da Diáspora Africana.
Tiyê Macau (Mediação)
É um artista multidisciplinar, transmasculino, amazônico, brincante popular, pesquisador e teórico das artes, interessado em processos de criação em dança, som-imagem, texto, performance e curadoria, a partir de estéticas afropindorâmicas. É professor substituto das graduações em dança da UFC, licenciado em Teatro pela UFMA (MA), mestre em História Social na UFC (CE) doutorando em artes cênicas USP.
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