Caso acompanhado pelo IFCE avança com indicação de bloco aprovada pela ANP
Reunião da diretoria da ANP foi acompanha pelo agricultor Sidrônio Moreira a partir do campus Tabuleiro do Norte
Publicada por Marcelo Costa em 04/09/2026 ― Atualizada em 4 de Setembro de 2026 às 13:45

O caso do petróleo encontrado na propriedade do agricultor Sidrônio Moreira, na zona rural de Tabuleiro do Norte, avançou para uma nova etapa nesta sexta-feira (4). O agricultor acompanhou, no campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE), a reunião da Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que aprovou, por unanimidade, a indicação de 24 novos blocos exploratórios na porção terrestre da Bacia Potiguar para eventual inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. Também acompanharam a reunião on-line Sidnei Moreira, filho do agricultor, e o engenheiro químico do IFCE Adriano Lima, que acompanha o caso desde o início.
"Eu fiquei muito animado, porque é mais um passo. Vai andar pra frente. Resolver isso o quanto antes é bom pra nós", declarou o agricultor após acompanhar a decisão dos diretores.
O caso é acompanhado pelo IFCE desde dezembro de 2024, quando seu Sidrônio procurou a instituição para pedir ajuda na identificação de um líquido preto, espesso e com odor característico encontrado no quintal de sua propriedade. A partir da demanda apresentada pelo agricultor, o IFCE passou a acompanhar o caso e contribuiu para a realização de análises da substância e mobilização de instituições parceiras para desvendar o caso. Em maio deste ano, a ANP confirmou que o material encontrado era petróleo cru.
"Desde dezembro de 2024, a gente já tinha detectado que aquela área estava fora dos blocos delimitados pela ANP, aproximadamente 20 quilômetros do último bloco autorizado. Naquela época, a gente já tinha sinalizado para a família que era um processo longo. A partir de agora, o processo de seu Sidrônio caminha mais um pouco, mas ainda é necessário autorização dos órgãos ambientais", comentou Adriano Lima.
A decisão desta sexta-feira não significa que o petróleo encontrado na propriedade de Sidrônio já poderá ser explorado. A indicação do bloco é uma etapa do processo para que a área possa, futuramente, ser disponibilizada em uma licitação conduzida pela ANP. Antes de eventual oferta, os blocos ainda precisam passar por avaliações ambientais, análises técnicas e outras etapas previstas no fluxo do próprio órgão.
Histórico
O drama do agricultor iniciou-se em novembro de 2024, quando Sidrônio perfurou um poço em sua propriedade, no Sítio Santo Estêvão, em busca de água. A pouco mais de 40 metros de profundidade, encontrou um material escuro e viscoso, com odor semelhante ao de óleo automotivo. Diante da dúvida sobre a natureza da substância, a família procurou o IFCE campus Tabuleiro do Norte em busca de orientação.
A partir da demanda apresentada pelo agricultor, o engenheiro químico Adriano Lima, do IFCE, acompanhou o caso, realizou a coleta de amostra e buscou apoio para a realização de análises físico-químicas. Os estudos foram realizados em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).
As análises consideraram características como densidade, viscosidade, coloração e odor e apontaram que o material apresentava características compatíveis com uma mistura de hidrocarbonetos semelhante ao petróleo produzido em terra na Bacia Potiguar.
Em análise realizada pela própria Agência, após visita ao sítio do agricultor, no último mês de março, o material foi confirmado como petróleo cru. O resultado deu continuidade à avaliação da área e ao processo que agora inclui o trecho onde está localizada a propriedade de Sidrônio no bloco exploratório POT-T-551.
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