Observatório da Intolerância Política e Ideológica é lançado em Fortaleza (CE)
Canal recebe relatos de ameaças, perseguições, coação eleitoral, violência e outras situações que possam comprometer a liberdade de escolha de eleitoras e eleitores
ASCOM
Publicação: 15/09/2026

Fortaleza - Integrado por 11 instituições, entre elas a Defensoria Pública da União (DPU), o Observatório da Intolerância Política e Ideológica foi lançado na última sexta-feira (11) no auditório da Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPE-CE).
O objetivo é receber, acompanhar e encaminhar denúncias relacionadas à violência e à intolerância durante o período eleitoral. A partir do relato, cada ocorrência é analisada e pode ser encaminhada aos órgãos competentes.
“A gente precisa garantir que a participação política seja livre. E nada vai mais contra essa liberdade do que essa intolerância política e ideológica. Eu quero ressaltar a relevância desse Observatório como instrumento, que é uma espécie de remédio contra isso. Que seja um instrumento para auxiliar a atuação das instituições aqui presentes, para que a gente possa melhorar esse cenário”, declarou Edilson Santana, defensor regional de Direitos Humanos (DRDH) da DPU no Ceará.
Ana Valéria de Vasconcelos, procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará, falou sobre o combate ao assédio eleitoral. “Nós temos trabalhadores ainda que são ameaçados, intimidados a votar em certo candidato A ou B e às vezes até candidatos a emprego. Isso configura assédio eleitoral, então é importante esse espaço para que a denúncia chegue o mais rápido possível”, advertiu.
“Estamos aqui para garantir e divulgar para a população que cada um tem direito ao voto, que é importante exercer esse direito e que tenha liberdade para se manifestar”, finalizou Sâmia Farias, defensora pública geral do Ceará.
Criado em 2018, o Observatório pode ser procurado por pessoas que tenham vivido ou presenciado situações como assédio ou coação eleitoral, perseguições, ameaças, agressões físicas e manifestações de intolerância política, de forma presencial ou no ambiente virtual.
Desde a criação, o canal recebeu 64 denúncias. Somente durante as eleições de 2022, foram registrados 36 casos. Entre os relatos encaminhados estão situações de trabalhadores pressionados a votar em determinados candidatos, ameaças, violência física e perseguições praticadas presencialmente ou por meio das redes sociais.
Integram a iniciativa a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Estado do Ceará, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), o Ministério Público do Trabalho (MPT-CE), a Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE), o Conselho Estadual de Direitos Humanos, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, o Comitê de Memória, Verdade e Justiça, a Associação Juízes para a Democracia, a Associação dos Amigos da Casa Frei Tito e a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), o Coletivo Aparecidos Políticos e a Comissão Especial de Anistia Wanda Rita Othon Sidoux.
O que pode ser denunciado
Podem ser comunicadas ao Observatório situações relacionadas à intolerância política e ideológica, entre elas:
ameaças ou agressões motivadas por posicionamento político;
perseguição por manifestação de opinião ou preferência eleitoral;
pressão ou constrangimento para votar ou deixar de votar em determinada candidatura;
assédio ou coação eleitoral no ambiente de trabalho;
violência física relacionada a divergências políticas;
ataques e manifestações de intolerância política nas redes sociais.
Os relatos podem ser apresentados de forma anônima, e as informações são tratadas com sigilo.
Como denunciar
Para registrar uma denúncia, é necessário preencher o formulário disponibilizado pela Defensoria Pública do Ceará com as informações sobre a ocorrência. Caso a pessoa denunciante se identifique, seus dados são preservados. A partir das informações recebidas, o Observatório avalia os encaminhamentos possíveis em articulação com os órgãos competentes. Saiba mais.
O Observatório não substitui os canais oficiais da Justiça Eleitoral, do Ministério Público ou das autoridades policiais. Nas Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral também disponibiliza instrumentos específicos para o recebimento de denúncias de irregularidades eleitorais. O aplicativo Pardal, por exemplo, é utilizado para comunicar irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. Casos que possam configurar crime eleitoral podem ser comunicados à autoridade policial, ao Ministério Público Eleitoral ou à autoridade judiciária eleitoral competente.
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União
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