Artigo - Teste de Fogo - El Niño Consolidado por Ph.D. Nizomar Falcão Engenheiro Agrônomo - Ematerce
Teste de Fogo - El Niño Consolidado
por Ph.D. Nizomar Falcão
Engenheiro Agrônomo - Ematerce
O Semiárido cearense está atravessando um momento de extremo alerta climático. A seca já avança sobre noventa por cento (90%) do território cearense, sufocando a paisagem e a economia rural. O cenário ganha contornos de urgência absoluta diante das projeções meteorológicas globais, que confirmam o atual El Niño como o mais intenso já registrado na era observacional moderna, superando o evento de 2015-2016. As previsões apontam uma forte tendência de agravamento continuado, com redução de pastagens e escassez hídrica até, no mínimo, abril de 2027, constituindo-se no teste de fogo do século. Diante de um colapso climático dessa magnitude, as velhas respostas do Estado - baseadas no assistencialismo reativo, em carros-pipa tardios e em reuniões de gabinetes - revelam-se totalmente inócuas. Esse é o retrato da crise que se avizinha: um choque entre natureza e gestão.
Um El Niño de proporções excepcionais não avisa quando chega, mas deixa rastros previsíveis: quebra de safras, morte de rebanhos, esvaziamento de açudes e o desespero do agricultor familiar. Quando 90% do Ceará está seco e o horizonte aponta para um agravamento, o modelo tradicional de assistência revela suas falhas, porque trata o sertanejo como um mero coitadinho, dependente de cuidados e favores e, não como um produtor dotado de capacidade técnica para se tornar resiliente. Enfrentar o El Niño mais intenso da história observacional exige abandonar a paralisia do "assembleísmo" e abraçar a ação técnica direta. Se o Estado mantiver a inércia das políticas paliativas, o avanço da seca, deixará um rastro profundo de êxodo rural e miséria. Dado o caráter excepcional deste evento (denominado “Behemoth” pela ONU), estados e municípios brasileiros precisam elaborar e ativar planos de contingência e treinamentos emergenciais para mitigar os impactos em infraestruturas e na agricultura. A combinação deste El Niño recorde com o aquecimento global indica que 2027 tem fortes chances de se tornar o ano mais quente da história global.
Por outro lado, já que não foi feito o devido dever de casa, antecipadamente, como é conveniente, para enfrentamentos climáticos, com a implementação capilarizada dos NITs, inspirados no Reciprocidalismo, seria oportuno fazê-lo agora, como prova que é possível transformar a crise climática em um marco de transição: a substituição definitiva da tutela assistencialista pela soberania tecnológica do agricultor familiar. A terra é seca, mas a inteligência para vencê-la já existe; falta apenas o alinhamento institucional para irradiá-la.

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