Ceará lidera ataques online à imprensa entre os estados nas eleições de 2026

O Ceará concentrou o maior número de ataques online contra a imprensa relacionados às disputas eleitorais estaduais entre os estados brasileiros, segundo o terceiro relatório da Central de Defesa da Liberdade de Expressão e do Jornalismo (CDJor), que monitora ataques à imprensa durante as eleições de 2026. Entre 13 e 26 de setembro, foram identificados 72 ataques no Ceará, o equivalente a 17% dos 424 registros relacionados às disputas estaduais em todo o país.
Na sequência aparecem Pernambuco, com 60 ataques; São Paulo, com 58; Santa Catarina, com 46; Bahia, com 40; e Minas Gerais, com 36. Juntos, os seis estados concentram 73,6% dos ataques relacionados às disputas estaduais registrados no período.
Ceará concentra maior número de ataques entre os estados
De acordo com o relatório, os 72 ataques registrados no Ceará ocorreram em um cenário de forte disputa pela eleição para o Governo do Estado, envolvendo Ciro Gomes e Elmano de Freitas, além de conflitos relacionados à disputa pelo Senado.
O monitoramento aponta que acusações de corrupção, mentiras, associações com o bolsonarismo e outros embates políticos estiveram presentes nas manifestações analisadas. A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Elmano também contribuiu para conectar a disputa estadual à polarização nacional.
Nesse contexto, debates, entrevistas e pesquisas eleitorais se tornaram espaços importantes de conflito e de manifestações críticas contra veículos de comunicação e jornalistas.
É importante destacar que o número de 72 ataques registrados no Ceará não significa que todos tenham sido praticados por candidatos ou políticos. O relatório contabiliza manifestações de diferentes usuários e perfis nas plataformas monitoradas.
Candidatos identificados com publicações críticas ou ataques à imprensa
Além do levantamento geral dos ataques, o relatório apresenta uma categoria específica de “candidatos com publicações críticas ou ataques à imprensa”.
No Instagram, aparecem Ciro Gomes, Renato Gomes e Eduardo Girão, com um registro cada. Também foram identificados Oseias Varão, Rui Costa Pimenta e Vicentinho Júnior, igualmente com um registro cada nessa plataforma.
No X, o relatório registra quatro publicações de Carlos Bolsonaro na categoria e uma publicação de Eduardo Girão e uma de Rui Costa Pimenta.
Um dos exemplos apresentados pelo relatório é uma publicação de Vicentinho Júnior relacionada à suspensão de uma pesquisa eleitoral. Na postagem, o candidato afirmou que a pesquisa seria “manipulada” e questionou a atuação da imprensa e dos institutos de pesquisa. A publicação original, segundo o relatório, foi posteriormente excluída.
Os registros devem ser compreendidos dentro da metodologia do levantamento: a identificação de candidatos com publicações críticas ou ataques à imprensa não significa que esses políticos sejam responsáveis pelo conjunto dos ataques contabilizados em seus respectivos estados.
Mais de 4,5 mil ataques à imprensa em todo o país
Em todo o Brasil, o monitoramento da CDJor identificou 4.537 ataques contra a imprensa, tendo como alvos 107 veículos de comunicação e 95 jornalistas.
Na comparação com o relatório anterior, houve uma redução de 2,4% no volume de conteúdos relacionados às eleições, mas os ataques contra a imprensa cresceram 3,1%.
As mulheres jornalistas foram alvo de forma desproporcional. Quase 80% das mensagens ofensivas monitoradas nas duas plataformas tiveram como alvo jornalistas mulheres.
Entre os termos e expressões utilizados nos ataques aparecem acusações como “caiu Pix”, “pesquisa comprada”, “fake news”, “matéria tendenciosa”, “imprensa militante”, “jornalista militante” e “Globo lixo”.
Disputa presidencial concentra maioria dos ataques
A maior parte dos ataques registrados no período esteve relacionada à disputa presidencial. Foram 2.530 registros, correspondentes a 85,6% dos 2.954 ataques relacionados diretamente a disputas eleitorais.
Já os conflitos envolvendo as eleições estaduais responderam por 424 registros, ou 14,4% do total.
O levantamento demonstra que a hostilidade contra jornalistas e veículos de comunicação aparece associada a diferentes disputas e espectros políticos, reforçando a necessidade de acompanhar e registrar manifestações que possam comprometer o exercício profissional do jornalismo durante o processo eleitoral.
Sindjorce reforça defesa da liberdade de imprensa
Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), Rafael Mesquita, os dados chamam atenção para a necessidade de garantir condições para o exercício profissional durante o período eleitoral.
“Os dados sobre o Ceará são um alerta para toda a sociedade. Quando jornalistas e veículos de comunicação são atacados em razão do exercício profissional, o impacto ultrapassa a categoria. A liberdade de imprensa e o direito da população à informação também são atingidos. Em um período eleitoral, é fundamental garantir que jornalistas possam trabalhar com independência, segurança e respeito, sem intimidações ou tentativas de deslegitimação do jornalismo.”
O Sindjorce reforça a importância do monitoramento e do registro de situações de hostilidade contra profissionais e veículos de comunicação, bem como da defesa permanente da liberdade de imprensa e do direito da sociedade à informação.
Os dados do relatório da CDJor mostram que, no período analisado, o Ceará esteve no centro dos ataques relacionados às disputas eleitorais estaduais, em um contexto de intensa polarização política. Para o jornalismo, o cenário reforça a importância de garantir que o debate eleitoral ocorra com respeito à atividade profissional e à liberdade de imprensa.
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