Com intensificação do El Niño, três cidades brasileiras usam dados para proteger a população do calor extremo
Com intensificação do El Niño, três cidades brasileiras usam dados para proteger a população do calor extremo
Com o apoio da Parceria para Cidades Saudáveis, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro se reúnem para compartilhar como dados locais estão orientando sistemas de alerta para o calor extremo, respostas na área da saúde e a criação de espaços públicos que protegem a população
À medida em que o El Niño intensifica os riscos associados ao calor extremo no Brasil, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro estão usando dados de monitoramento da temperatura nos bairros, registros de saúde e previsões meteorológicas para fortalecer a proteção da população. Esse trabalho ajuda a identificar as áreas de maior risco, orientar as autoridades sobre quando agir e definir locais onde as pessoas possam encontrar alívio do calor.
O “super El Niño” deste ano já atingiu a maior temperatura já registrada para o fenômeno, meses antes do pico esperado. O Climate Impact Lab estima que o calor extra do El Niño deste ano causará 451.000 mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com um fenômeno de condições climáticas normais. O Brasil está entre os países mais afetados, com 13.300 mortes adicionais relacionadas ao calor projetadas entre setembro e fevereiro.
O calor não afeta todas as pessoas da mesma forma. Ele pode agravar condições como doenças cardiovasculares, diabetes e outras doenças crônicas, e a exposição varia dentro de uma mesma cidade, dependendo das condições de moradia, da disponibilidade de sombra e do acesso a locais mais frescos. Dados locais ajudam os governos municipais a direcionar recursos para onde são mais necessários e a transformar alertas de calor extremo em medidas concretas de proteção à saúde. É por isso que as três cidades brasileiras estão se reunindo.
Por meio da Parceria para Cidades Saudáveis, as três cidades estão desenvolvendo abordagens que conectam o monitoramento do calor às decisões de saúde pública. As equipes das cidades se reúnem no Rio de Janeiro de 4 a 6 de novembro para discutir seus avanços, enfrentar desafios em comum e aprender com a experiência umas das outras.
Fortaleza: construindo um sistema de alerta precoce e resposta de saúde
O Observatório de Riscos Climáticos de Fortaleza, lançado em 2025 durante a COP 30, disponibiliza dados meteorológicos de uma rede crescente de estações de monitoramento em expansão pela cidade. Para enfrentar os impactos do super El Niño deste ano, a cidade criou um comitê de resposta e um plano de contingência que abrange ondas de calor, chuvas intensas, secas e erosão costeira, fenômenos que o El Niño pode trazer ao Nordeste. A cidade também está desenvolvendo um Protocolo de Calor e Saúde, com cinco níveis de risco. O Observatório é uma plataforma de dados georreferenciados que permite o monitoramento contínuo e a análise de dados para formular políticas públicas voltadas a prevenir, mitigar e enfrentar os efeitos de eventos climáticos extremos.
São Paulo: medindo o calor dentro dos edifícios e nos bairros
São Paulo está mapeando como o calor extremo é sentido quadra a quadra e em casas, comércios, parques, escolas e unidades de saúde. Por meio do SampaAdapta, a cidade instalou 25 sensores em cinco regiões da cidade, que medem temperatura e umidade tanto em ambientes internos quanto externos para captar o panorama completo da exposição ao calor. Moradores dessas áreas atuam como Guardiões dos Sensores Climáticos, recebendo os dispositivos em seus espaços e ajudando a conectar os dados de clima e saúde à realidade de seus bairros. Os resultados estão orientando a elaboração de diretrizes para a criação de uma rede de abrigos climáticos: espaços públicos, como parques e escolas, onde a população poderá se abrigar durante períodos de calor extremo.O Parque Benemérito Brás foi escolhido como primeiro local-piloto.
Rio de Janeiro: ligando previsões de calor à ação de saúde pública
O Rio de Janeiro conecta o calor às decisões de saúde por meio do Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), o núcleo técnico da cidade que reúne dados de clima e saúde para antecipar e responder a eventos de calor extremo. O Painel de Calor combina previsões meteorológicas, dados de saúde e modelos preditivos, e apoia o Protocolo de Resposta ao Calor Extremo da cidade, que define o que a prefeitura faz em cada nível de risco de calor e de emergência e que é monitorado em tempo real.
“Dados locais mostram aos gestores públicos e à população quais bairros, quais pessoas e quais horários concentram mais riscos, permitindo uma resposta rápida diante de uma crise climática”, afirma Charity Hung, diretora adjunta da Parceria para Cidades Saudáveis. “Fortaleza, São Paulo e Rio desenvolveram, cada uma, esse conhecimento local e o estão utilizando para orientar políticas públicas que melhorem a saúde da população. A colaboração entre elas contribuiu para uma resposta mais forte e coordenada. Por meio da Parceria, elas podem aprender com a experiência umas das outras e fortalecer suas respostas mais rápido do que conseguiriam sozinhas.”
“Para enfrentar os impactos do Super El Niño, Fortaleza aposta no monitoramento de dados em tempo real, em sistemas de alerta precoce e no Protocolo de Calor e Saúde, integrado ao Painel de Calor e Saúde, disponível à população por meio do Observatório dos Riscos Climáticos. Essa estrutura permite ampliar o acesso a informações e orientações sobre prevenção e autocuidado, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis ao calor extremo, como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e até animais de estimação.
A estratégia conta ainda com o Comitê de Enfrentamento aos Impactos do El Niño (COE El Niño) e um Plano de Contingência, que poderá ser acionado pelo chefe do Poder Executivo em situações de emergência, fortalecendo a capacidade de resposta do município e a proteção da saúde da população” , explica o Professor Artur Bruno, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (IPPLAN).
"A cidade do Rio é pioneira no estudo e no desenvolvimento de políticas públicas voltadas à proteção da saúde diante das mudanças climáticas. Nossa estrutura de monitoramento, que integra também o Centro de Operações Rio e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem o objetivo de detectar de maneira precoce o impacto das temperaturas sobre os cenários assistencial e epidemiológico, permitindo que tanto as estratégias de cuidado em saúde quanto as decisões sobre a operação da cidade sejam adotadas à luz de evidências científicas", diz o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Rodrigo Prado.
“Enfrentar o calor extremo exige planejamento e ações orientadas por dados concretos. Com o SampaAdapta, estamos ampliando o conhecimento sobre como a temperatura e a umidade se comportam nos diferentes territórios da cidade, inclusive dentro das edificações, para subsidiar políticas públicas de adaptação climática. Paralelamente, a preservação e a ampliação das áreas verdes são fundamentais para tornar São Paulo mais resiliente às mudanças climáticas. Nosso compromisso é transformar ciência e planejamento em ações concretas de proteção à saúde e à qualidade de vida dos paulistanos”, disse Wanderley Soares Junior, secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo.
A troca de experiências por meio da Parceria busca ajudar as cidades a implementar políticas públicas de saúde eficazes e a compartilhar aprendizados que outras possam adaptar. À medida que as cidades enfrentam as ameaças do calor extremo, os sistemas que constroem também podem fortalecer sua capacidade de proteger a população nos anos mais quentes que virão. Visite o site da Parceria para Cidades Saudáveis para mais informações.

Sobre a cidade de Fortaleza
A atual gestão da Prefeitura Municipal de Fortaleza tem como princípio a redução das desigualdades, inclusão e promover uma cidade mais justa e saudável para todos. Desta forma, a instituição usa como premissa os dados e a ciência para orientar políticas públicas e tomadas de decisão. Para enfrentar os novos desafios urbanos frente às mudanças climáticas, buscamos a ciência de dados, a participação comunitária e a consulta aos cientistas para desenhar soluções que beneficiem principalmente as comunidades historicamente vulnerabilizadas.
E para enfrentar o calor extremo, a Prefeitura estrutura estações meteorológicas em tempo real, o Observatório dos Riscos Climáticos, comunicação de risco e sistema de alerta precoce, além de uma robusta governança que garanta a participação comunitária, da academia e de todos os departamentos municipais. A gestão conta também com o Comitê de Enfrentamento aos Impactos do El Nino (COE El Nino) que segue o Protocolo de Calor e Saúde como ferramenta de acionamento para reduzir o impacto do calor extremo na saúde da população. Para mais informações visite o Observatório dos Riscos Climáticos.
Sobre a Parceria para Cidades Saudáveis
A Parceria para Cidades Saudáveis é uma rede global de prestígio de mais de 70 cidades comprometidas em salvar vidas ao prevenir doenças não transmissíveis (DNTs) e lesões. Apoiada pela Bloomberg Philanthropies em parceria com a OMS e a organização global de saúde Vital Strategies, a iniciativa permite que cidades de todo o mundo ofereçam uma política pública de alto impacto ou intervenção programática para reduzir as DNTs e lesões graves em suas comunidades. Para mais informações visite o site da Parceria para Cidades Saudáveis.
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