Prefeitura de Fortaleza promove oficina com comunidade tradicional da Casa de Farinha para ampliar monitoramento climático
Prefeitura de Fortaleza promove oficina com comunidade tradicional da Casa de Farinha para ampliar monitoramento climático
Iniciativa integra o Projeto Calor e Saúde e prevê a instalação de uma estação meteorológica na Sabiaguaba para acompanhar as condições climáticas e apoiar ações de prevenção
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A Prefeitura de Fortaleza promoveu, neste sábado (07/11), uma oficina participativa com moradores da comunidade tradicional Casa de Farinha, na Sabiaguaba. O encontro teve como objetivo dialogar com a população e definir, em conjunto com os moradores, o local de instalação de uma nova estação meteorológica na região. A atividade foi coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan).
A iniciativa integra o Projeto Calor e Saúde de Fortaleza, desenvolvido pela Prefeitura em parceria com a Partnership for Healthy Cities (Parceria por Cidades Saudáveis). A ação também ocorreu no contexto das atividades preparatórias para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), realizada em Antalya, na Turquia, a partir desta segunda-feira (09/11).
A nova estação permitirá monitorar 14 parâmetros meteorológicos, incluindo temperatura, umidade do ar, precipitação e ventos. Os dados serão acompanhados em tempo real pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e disponibilizados à população por meio do Observatório dos Riscos Climáticos de Fortaleza, plataforma pública que reúne informações ambientais e territoriais para apoiar a gestão de riscos e a tomada de decisões.
A analista de sistemas do Ipplan, Tainah Carvalho, explicou que a instalação da estação faz parte de um conjunto de ações voltadas ao monitoramento climático e à prevenção dos impactos do calor na saúde da população.
“O Projeto Calor e Saúde é desenvolvido em parceria com a Defesa Civil e a Secretaria da Saúde. Entre as ações estão a instalação de estações meteorológicas, o Protocolo de Calor e Saúde e o COI El Niño. Viemos dialogar com a comunidade sobre a implantação de uma nova estação na região da Sabiaguaba, prevista entre as 20 que serão instaladas até o fim de 2026. A proposta é apresentar o projeto e também ouvir os moradores sobre suas experiências com o calor”, afirmou.
Tainah também destacou que os dados coletados ajudam a identificar situações de calor intenso e orientar a população sobre medidas de proteção.
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“O painel de Calor e Saúde reúne dados de temperatura, umidade, ventilação e temperatura radiante para calcular a sensação térmica em diferentes pontos da cidade. As informações são atualizadas a cada dez minutos e ficam disponíveis no site do Observatório. Com esses dados, idosos, gestantes e trabalhadores ao ar livre, por exemplo, podem identificar situações de calor intenso e adotar medidas de proteção, como beber mais água e fazer pausas nas atividades”, explicou.
Antônio José do Nascimento, liderança comunitária da Casa de Farinha, ressaltou a relação histórica da família com o território e a importância da permanência da comunidade na região.
“Minha família vive aqui há muitos anos. Tivemos invasões no território, mas conseguimos permanecer e hoje vivemos mais reservados, com a família reunida. Aqui plantamos macaxeira, batata, milho e feijão, principalmente no verão, porque no inverno a área alaga. É um lugar muito bom de morar. Lutamos para garantir nossa permanência e estou feliz demais por continuar aqui”, relatou.
“O extrativismo da palha e do talo seco da carnaúba foi, durante décadas, a principal forma de subsistência da comunidade. Com a criação do Parque Estadual do Cocó, passamos a dialogar com o Governo do Estado para comprovar que somos uma comunidade tradicional e garantir nosso direito de permanecer no território”, acrescentou.

O gestor do Parque Estadual do Cocó, Wlademir Theotônio, destacou a contribuição das comunidades tradicionais para a preservação ambiental e para o acompanhamento das condições do território.
“A Casa de Farinha é uma comunidade tradicional reconhecida pelo plano de manejo do Parque do Cocó. Essas comunidades são fundamentais para preservar os costumes, as tradições e a história da região. Também contribuem com o monitoramento da área, por meio de denúncias e informações. Essa parceria ajuda a gestão a desenvolver políticas e ações de proteção ambiental”, afirmou.
O assistente técnico da Defesa Civil, Roger Barreto, explicou que a atividade também busca orientar os moradores sobre os possíveis efeitos do El Niño e identificar as características climáticas da região.
“A Defesa Civil está na comunidade para orientar a população sobre os possíveis efeitos do super El Niño, como o aumento do calor e a ocorrência de chuvas intensas. Crianças, idosos e pessoas com comorbidades estão entre os grupos mais vulneráveis. Também estamos coletando informações para compreender o comportamento do clima em Fortaleza e fortalecer as ações de prevenção junto à população”, pontuou.
Ciência, tecnologia e participação comunitária
Um dos diferenciais da iniciativa é a participação das comunidades tradicionais na escolha do local de instalação dos equipamentos. Durante a oficina, moradores e representantes do território puderam compartilhar conhecimentos sobre as condições ambientais da região e contribuir para a definição do ponto de monitoramento.
A proposta reconhece a importância dos saberes tradicionais na construção de políticas públicas de adaptação climática, aproximando o conhecimento científico das experiências de quem convive diariamente com os desafios ambientais do território.
A oficina foi coordenada pelo Ipplan, com a participação de secretarias municipais e parceria da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Sema) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Observatório dos Riscos Climáticos fortalece a prevenção em Fortaleza
Lançado em setembro de 2025, o Observatório dos Riscos Climáticos reúne informações sobre calor, chuvas e áreas de risco. A plataforma utiliza dados científicos e tecnologias para apoiar o planejamento de ações preventivas e a atuação integrada dos órgãos municipais.
O monitoramento meteorológico em tempo real também contribui para reduzir o tempo de resposta da Defesa Civil em ocorrências de inundações urbanas, permitindo maior agilidade na mobilização de equipes e no atendimento às comunidades.
A ampliação da rede de estações meteorológicas integra a estratégia municipal de enfrentamento ao calor extremo. Os dados produzidos pelos equipamentos servirão de base para o Protocolo de Calor e Saúde de Fortaleza, instrumento que estabelece medidas de prevenção, comunicação de riscos e proteção à saúde, especialmente de crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao calor.
O projeto também prevê o desenvolvimento de painéis de monitoramento de calor e saúde, a capacitação de profissionais da saúde e da Defesa Civil, a articulação com universidades e instituições científicas e o fortalecimento de estratégias de alerta precoce e comunicação preventiva com a população.
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